segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O Caminho do Louco chega às livrarias pela AVEC Editora

Com seu novo romance, a AVEC Editora volta a explorar o gênero da Literatura Fantástica. O Caminho do Louco – Guerras do Tarot volume 1 é o primeiro livro de uma trilogia escrita por Alex Mandarino. Neste volume o leitor acompanha a trajetória do jornalista brasileiro André Moire enquanto ele se envolve com uma organização internacional secreta que representa os arcanos do Tarot.


Quando André Moire deixa tudo para trás para se envolver com o grupo secreto dos arcanos do Tarot ele descobre que seus integrantes estão dispostos a elevar a consciência da humanidade. A organização lança mão de magia, ciência, arte, técnicas hacker e até mesmo parkour para enfrentar as forças da Conformidade, que querem a estagnação da humanidade. Neste thriller conspiratório com toques subversivos e sobrenaturais o leitor conhecerá o Louco, o Mago, a Sacerdotisa, o Carro, o Sol, a Imperatriz, o Imperador e vários outros arcanos maiores e menores. Com um tom sombrio e misterioso, a trama atravessa o mundo, passando por locais como Rio de Janeiro, Paris, México, Amazônia, Riviera e Inglaterra.

Alex Mandarino fala sobre a criação de Guerras do Tarot

Devido ao lançamento de O Caminho do Louco, livro que inicia a trilogia Guerras do Tarot, o autor Alex Mandarino concedeu uma entrevista, falando sobre a criação do universo da saga. Confira na íntegra abaixo:

Quais são os autores que te inspiram na hora de escrever? Estas inspirações podem ser percebidas na sua obra ou a presença delas é mais subjetiva?
Alex Mandarino – Creio que as duas coisas acontecem. Alan Moore, Neil Gaiman e William Gibson estão entre alguns dos meus autores favoritos, ao lado de outros como Grant Morrison, Jack Kerouac, Edgar Allan Poe, Georges Simenon, Jorge Luís Borges, Umberto Eco, Ítalo Calvino, Patricia Highsmith, João Gilberto Noll, Agatha Christie e William S. Burroughs. Não sei até que ponto cada um deles me influenciou, mas estes estão entre os que mais admiro. De forma consciente busco ter minha própria voz, meu estilo narrativo: uma mistura de fluxo de consciência e trechos cinéticos/cinematográficos. Mas é inevitável que o inconsciente traga seus favoritos das leituras do passado, dando-lhes voz alterada e reimaginada.

Minha intenção consciente com este O Caminho do Louco foi borrar as fronteiras, para mim imaginárias e dispensáveis, entre a chamada alta literatura e a literatura de gênero. O que chamamos de “alta” literatura hoje em dia nada mais é que um dos vários gêneros: a história realista modernista. A história da literatura universal se mescla à história do fantástico. É besteira isolar estes dois aspectos em áreas distintas, porque não é assim que a natureza humana funciona. Nós precisamos do fantástico, do bom fantástico. Não vejo por que a “alta” literatura não possa conter elementos fantásticos e tampouco por que uma história fantástica não possa ter ambições literárias.


Assim, acredito que O Caminho do Louco possa agradar a públicos bem variados: homens e mulheres, de diversas idades. Do leitor de 15 anos que gosta de quadrinhos da Vertigo ao jogador de RPG; do público afeiçoado ao misticismo e tarot ao leitor de thrillers e interessados por conspirações; do leitor de autores beatniks e fã dos experimentos literários formais ao amante de narrativas ágeis de séries como The Wire e Penny Dreadful; do fã de livros policiais ao amante de romances de autodescobertas pessoais e psicodelia.

O protagonista da sua obra é um jornalista, ou seja, segue a profissão do autor. Ele é uma versão sua transportada para um mundo de fantasia? Até onde vão as semelhanças entre criador e criatura?
Alex Mandarino – Não há muito de autobiográfico em André Moire, o protagonista de O Caminho do Louco. Há em algumas poucas cenas dos dois capítulos em que ele aparece pela primeira vez, que funcionam como uma espécie de exorcismo pessoal de fantasmas de sonhos passados. Mas o aspecto autobiográfico termina ali, naquele ponto de partida do livro. A própria figura de André é diferente de mim, em termos físicos e psicológicos.

Talvez a gente compartilhe de um certo tipo de senso de humor e visão de mundo. Mas a partir do momento em que ele envereda pelo caminho do Louco, encontrando as figuras que representam os Arcanos maiores do Tarot, sua vida abandona o jornalismo e toma outro rumo. Também abandonei o jornalismo, após mais de 12 anos de profissão, para me dedicar a escrever ficção e criar música eletrônica, além de trabalhar como tradutor. Mas, é claro, a guinada de André é muito mais radical e espetacular. Na verdade há um quinhão igual de elementos autobiográficos em vários dos outros Arcanos, como o Mago, o Hierofante, o Carro e até mesmo no detetive, Superintendente Ciaran. É inevitável, imagino, e inconsciente.

A investigação de André aponta para algo muito mais complexo do que parece de início na trama. Os próximos livros seguirão a linha investigativa ou veremos o personagem já familiarizado com a verdade e agindo junto ao Tarot?
Alex Mandarino – Os próximos livros seguirão essa linha investigativa, ainda que de maneira distinta. O arcano do Louco é marcado por uma constante curiosidade, uma empolgação com o novo, com o que se esconde atrás de cada esquina. André permanecerá como protagonista nos dois livros seguintes da trilogia, prosseguindo em sua visita a cada Arcano. Graças a essa característica de enxergar o mundo sempre sob novos olhos, é possível manter o interesse e a curiosidade de André (e, espero, também do leitor) ao longo do caminho. O livro 2 prosseguirá do ponto em que a narrativa do 1 foi concluída, sem hiatos e lapsos de tempo. O mesmo acontecerá com o 3 em relação ao 2.


Além de André, os livros 2 e 3 abrirão mais espaço para as investigações de Ciaran e contarão com figuras como o Enforcado e o Hierofante como coprotagonistas. Meu objetivo é exibir o Tarot e seus membros sob diversas perspectivas e pontos de vista. A trilogia foi pensada de início como um só livro, mas em pouco tempo percebi que ficaria longo demais para uma edição única. Foi quando virou uma trilogia. Como foi planejado como um só livro, a história seguirá neste crescendo de intriga, ação e mistério, mas mantendo a linha deste primeiro volume: diferentes pontos de vista, diferentes pessoas narrativas (há capítulos em primeira, segunda e terceira pessoa), locais dos mais variados e um rol extenso de personagens. Adoro mesclar gêneros diferentes, como horror, fantasia, policial, mistério, experimentos formais e literários, tentando manter um todo orgânico e ao mesmo tempo subverter os clichês destes gêneros e do que se espera de uma história deste tipo.

Embora a saga Guerras do Tarot tenha como pano de fundo uma relação com o simbolismo do baralho, a trama foi construída de uma forma que pode ser compreendida mesmo por quem não sabe nada sobre as cartas. Quais foram os critérios que você adotou para deixar tão palatáveis os conceitos do Tarot para o leitor não iniciado no assunto?
Alex Mandarino – Desde o início meu objetivo era que a história fosse compreensível por quem não conhece nada de tarô. Tentei evitar ao máximo que a trama exigisse do leitor conhecimentos arcanos prévios. Quando isso era inevitável, acrescentei estes dados à história, mas de forma que não ficasse didático. Sou fascinado pelo tarô e pelos outros temas que aparecem no livro, como a magia do caos, o anarquismo, as conspirações, o conto policial, a influência do acaso nas nossas vidas, a importância da liberdade individual. Muita coisa da história apareceu de forma intuitiva, dando voz às minhas preferências narrativas, estéticas, políticas. Mas meu objetivo principal sempre foi contar uma história, uma trama que pudesse ao mesmo tempo intrigar, divertir, informar, assustar e maravilhar o leitor. O mundo do Tarot (no livro eu uso a grafia "tarô" para o baralho, o objeto, e "Tarot" para o grupo, os personagens) já era bem complexo, com muitos conceitos e personagens, então tentei ao máximo introduzir os temas de forma orgânica, natural, fugindo do didatismo e da mensagem panfletária (que é coisa que detesto).

Por outro lado, quem tem conhecimento sobre tarô e pesquisa o assunto, consegue perceber camadas na trama que não ficam tão claras para o leigo? Quais seriam estas camadas?
Alex Mandarino – Sim, quem conhece temas como o tarô, a magia do caos e outros elementos do livro mais a fundo poderá perceber camadas a mais. Tentei escrever de forma que o leigo em momento algum tivesse a impressão de estar "perdendo" alguma coisa, mas que permitisse ao leitor mais adepto destes temas perceber ao fundo, na visão periférica, detalhes que engrandecem e espraiam melhor a trama. Enfim, que o livro funcionasse de forma igual para estes dois tipos de leitores. Mal comparando, é como a série de TV Elementary faz com Sherlock Holmes ou a Marvel faz com seus filmes para cinema: são perfeitamente compreensíveis para quem jamais viu tais personagens antes, mas oferecem camadas diferentes de leitura para os fãs dos contos de Conan Doyle ou dos quadrinhos da Marvel, para ficar nos exemplos que eu usei.

Como funcionou seu trabalho de pesquisa para a construção de O Caminho do Louco?
Alex Mandarino – O livro tomou alguns anos de trabalho, até porque tive que interrompê-lo várias vezes. O trabalho de pesquisa em si foi mais longo que o de escrita: calculo que tenha levado uns dois anos escrevendo, contando apenas o ato de escrever, realmente; e mais tempo do que isso pesquisando. Incluo aí não só a pesquisa propriamente dita, mas também o tempo pensando sobre o livro, reordenando capítulos, redefinindo cenas, personagens e objetivos. Todo aquele trabalho que acontece fora da ação de escrever, as ideias que aparecem durante caminhadas à noite ou em trilhas pela serra, os lampejos que surgem do nada durante o banho e coisas assim.

Quanto à pesquisa em si, é um livro que teria sido muito mais difícil de ser escrito antes da internet. Eu teria sido obrigado a praticamente escrevê-lo em bibliotecas, a telefonar para especialistas em diversos temas e moradores de outras cidades. Tudo isso foi facilitado por ferramentas como o modo street view dos mapas online, por exemplo. O mais curioso é que várias das cenas passadas em Paris, por exemplo, foram elogiadas por um amigo meu, que já foi a Paris diversas vezes, por sua ambientação e acuidade. Mas todas foram escritas antes de ter visitado a cidade, coisa que só aconteceu anos depois.

O principal trabalho de pesquisa foi geográfico: nomes, distâncias, meios de transporte, dialetos. Apesar de seu aspecto místico e fantástico, eu queria que Guerras do Tarot fosse uma série realista e plausível, em termos de detalhes físicos, históricos e geográficos.


Claro, existem exacerbações da nossa realidade. Mas todas as cidades, horários de trens, distâncias, vilas, monastérios, estações de metrô, bares, museus e outros detalhes desse tipo citados no livro existem na vida real. Era importante para mim retratar o real para conseguir então introduzir o irreal dentro dele.

Por que enfocar o Louco e não outra das cartas do Tarot neste primeiro volume?
Alex Mandarino – O Louco foi minha primeira escolha, por ser o primeiro arcano do baralho de tarô. É ele quem inicia a viagem, quem transforma o baralho de tarô em uma narrativa, em uma espécie de precursor dos quadrinhos e, sob certos aspectos, do cinema. O Louco não tem um número fixo: ele em alguns baralhos é o arcano 1, em outros o arcano 22 e em outros ainda sequer é numerado. Por ser o que viaja, o que toma o caminho, me pareceu uma escolha perfeita para protagonista, para o ponto de vista do leitor.

Dito isso, é preciso lembrar que os demais Arcanos maiores (e vários dos arcanos menores) também têm muita importância na trama. São visitados pelo Louco e vários deles protagonizam capítulos em que o Louco não aparece.

Seu modelo narrativo literário tem um ritmo bastante cinematográfico. Já existem planos para adaptações audiovisuais deste volume e dos próximos?
Alex Mandarino – Eu gosto de trazer para o plano literário as sensações provocadas por outras formas narrativas, verter para o texto coisas da alçada dos sentidos do tato, visão, audição: ritmo, cinética, a impressão de ação e presença. Minhas preferências literárias são acompanhadas no que escrevo das minhas predileções em cinema, quadrinhos, música, games, artes visuais. Tudo acaba informando meu texto, moldando as frases e impondo diferentes ritmos para cada cena. Ainda não existem planos concretos para adaptações para outras mídias, mas o universo do Tarot é bem rico e apenas uma fração dele aparece nesta primeira trilogia.

Pretendo ao longo deste segundo semestre e também do ano que vem disponibilizar no site do livro (www.guerrasdotarot.com) contos avulsos lançando luz sobre outros personagens e épocas deste universo. Além disso, existe a ideia ainda iniciante de um quadrinho do Tarot e também de um futuro livro fora da trilogia contendo as cartas do baralho de tarô com os personagens da trama, ilustradas pelo mesmo Fred Rubim que criou as ilustrações que constam deste primeiro livro.

Embora o livro tenha uma trama global, ela se inicia no Brasil. Por que você optou por fazer do protagonista um brasileiro?
Alex Mandarino – Achei que tinha a ver colocar o arcano do Louco morando no Brasil. Para tocar a vida no Brasil é preciso muita loucura e vontade de seguir em frente e ver no que dá. Mas o motivo principal é que sou um autor brasileiro, escrevendo primeiramente para leitores brasileiros e queria começar a trama com este toque de familiaridade. Até porque isto aumenta a impressão de estranhamento depois que as coisas mais fantásticas começam a acontecer.

Que pista você pode dar sobre os próximos livros sem estragar o suspense?
Alex Mandarino – O segundo livro, que sairá em 2017, se chamará O Laço do Enforcado. O Louco continuará como protagonista e desta vez encontrará mais 11 Arcanos maiores (entre eles o Diabo, a Morte, a Força, O Eremita, o Carro, os Amantes e outros). O Enforcado é uma nova figura na trama e um coprotagonista. Haverá também uma série de enigmas medievais e, claro, a ação e o mistério que caracterizam este primeiro livro. O terceiro livro se chamará A Noite do Julgamento e deverá sair em 2018. Nele o Louco encontrará os 6 Arcanos restantes, na reta final do seu caminho. Visitará a Lua, a Torre, o Mundo, entre outros. Os demais arcanos chegarão ao fim da sua experiência subversiva envolvendo as linhas Ley e as diversas tramas deverão convergir para um final que, espero, seja surpreendente e faça o leitor pensar e repensar alguns aspectos de sua vida. Ciaran ganha mais destaque e novos personagens surgirão em cena. E já tenho ideias para futuras histórias

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