domingo, 25 de agosto de 2019

Após cinco anos, RPM volta ao Rio Grande com nova formação e clássicos da carreira

Fotos: XEM & BETAELY
O RPM é uma banda que sofreu muito com seus hiatos. Foram pelo menos quatro pausas na carreira (contando a formação de 1992): anos 80, anos 90, 2004 e 2017. Tanto é que, mesmo com 36 anos de estrada, conta com apenas seis álbuns lançados (fora alguns EPs e singles). Tudo isso mostra como, mesmo com o sucesso comercial e de crítica, o grupo pouco conseguiu render junto.

Atualmente a banda está com uma conjuntura diferente: dos quatro membros originais, um deles faleceu recentemente. O baterista P.A. nos deixou aos 61 anos. Outros dois membros da banda (Luiz Schiavon e Fernando Deluqui) tocam o RPM com dois novos membros (Kiko Zara e Dioy Pallone). Enquanto isso, Paulo Ricardo está partindo para uma turnê comemorativa do álbum Rádio Pirata.

Até aqui você compreende o status quo de uma das maiores bandas dos anos 80. Agora vamos para o que interessa. Em 24 de agosto, após cinco anos da turnê Elektra no Rio Grande do Sul, o RPM voltou ao estado – desta vez em Novo Hamburgo – para apresentar a nova turnê da banda, que já conta com dois singles (‘Escravo da Estrada’ e ‘Ah, Onde Está Você’) e está trabalhando em mais quatro canções.

Uma coisa precisa ser destacada: a naturalidade de todos é muito importante e a presença de palco deles também. O show foi repleto de homenagens, seja a amigos como Ultraje a Rigor, Ney Matogrosso e Lobão; como também ao saudoso P.A. Além disso, teve um setlist intenso, que contemplou músicas de todos os álbuns (com exceção do Elektra, que sempre contava com ‘Dois Olhos Verdes’ e ‘Muito Tudo’).


A naturalidade que eu citei anteriormente é um dos pontos altos. Dioy Pallone e Fernando Deluqui dançam pelo palco e dividem os vocais como se tivessem feito isso a vida toda. Luiz Schiavon segue sendo o maestro disso tudo e o novo baterista também é muito bom, apesar de o sentimento de saudade do P.A. ainda ser muito grande para todos que estão no palco.

No quesito homenagem ao passado da banda e divisão dos vocais, está tudo muito bom. Me surpreendeu muito ouvir o Fernando Deluqui cantando 'London, London' e a versão para shows de 'Escravo da Estrada' ficou bem legal (apesar de eu preferir o outro single lançado). Agora as apresentações e solos dos músicos ocorrem dentro dela e não em ‘Rádio Pirata’, como na última turnê.

Como muitos puderam ver, o show tem 01h30 de duração e não houve bis (talvez por existir uma festa após a apresentação), mas isso é muito bom. Com exceção de duas ou três músicas que podem ter feito falta – sempre terá alguma que a gente queria ouvir e não teve (no meu caso foram 'Muito Tudo', 'Rainha' e 'Partners') –, o setlist tem um saldo positivo.

Tecnicamente, as luzes e o som estavam muito bons (apesar de que um bom teste só ocorrerá em espaços que estejam acostumados com eventos deste porte) e houve apenas um problema técnico na bateria antes do show começar. As vozes também estavam muito boas e o talento de Dioy como vocalista é de se parabenizar (ainda mais pela responsabilidade de substituir um dos fundadores da banda).

Porém, o que me deixou feliz é que tem espaço para que as novas músicas (eles anunciaram recentemente que estão gravando mais quatro) entrem naturalmente nas apresentações ao vivo. O show pode ganhar mais 10 ou 20 minutos ou ainda serem retirados alguns covers para que a gente conheça mais do novo RPM. Tudo isso mostra a liberdade que a banda está tendo neste atual momento.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 9 de março de 2018

Crítica de O Passageiro

Filme: O Passageiro
País: Estados Unidos, França e Reino Unido
Classificação: 14 anos
Estreia: 08 de março de 2018 
Duração: 104 minutos 
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Byron Willinger e Philip de Blasi
Elenco: Liam Neeson, Vera Farmiga, Patrick Wilson.

"Durante o seu trajeto usual de volta para casa, um vendedor de seguros é forçado por uma estranha misteriosa a descobrir a identidade de um dos passageiros do trem em que se encontra antes da última parada. Com a rotina quebrada, o homem se encontra no meio de uma conspiração criminosa."

Mais uma vez temos um filme protagonizado por Liam Neeson, onde sua família vive uma situação de risco e ele precisar salvar o dia e, consequentemente, sua esposa e filho. Essa pode ser considerada a premissa de um dos vários filmes que o ator estrelou nos últimos anos. Tanto é que isso já virou motivo de piada. Contudo, por mais que o longa-metragem tenha essas características, ele apresenta um diferencial: é muito bem executado. 

O filme conta a história de um vendedor de seguros, interpretado por Liam Neeson, que durante o seu trajeto usual de volta para casa, é forçado por uma estranha misteriosa, interpretada por Vera Farmiga a descobrir a identidade de um dos passageiros do trem em que se encontra antes da última parada. Com a rotina quebrada, o homem se encontra no meio de uma conspiração criminosa. 

Como foi dito anteriormente, essa é uma premissa de boa parte dos filmes recentes de Neeson, mas desta vez, ele consegue ser verossímil e construir uma trama fechada e interessante. O mistério em torno de saber quem é a testemunha é muito bem construído e consegue prender o público bem mais que “O Assassinato do Expresso Oriente”. Isso pegando como comparação um filme onde também existem investigação e vários suspeitos. 

A atuação de Liam Neeson é convincente, como em vários dos papéis em que ele participa. Isso até me faz pensar o porquê ele está presente em tantos filmes deste gênero. Contudo, o que chama a atenção é a direção segura de Collet-Serra, que consegue construir um ambiente tenso, claustrofóbico e confuso – propositalmente – para saber quem é a pessoa que está sendo procurada. 

As cenas de luta então? Estão muito bem executadas, filmadas e coreografadas. Isso é um mérito de Serra e do Neeson. Talvez essa seja uma consequência da parceria entre diretor e protagonista, que já trabalharam juntos em outros filmes do gênero, conseguindo emular muito bem o que está sendo pedido, além de apresentar a verossimilhança tão necessária para um filme deste gênero mais alternativo. 

“O Passageiro” consegue agradar ao público fiel a Liam Neeson e a esse tipo de filme que está ficando tão popular com ele. Contudo, ele não é só isso e consegue se segurar com o drama e a investigação cativante e que prende o telespectador. Com certeza é uma grata surpresa neste início de ano, após toda a ressaca pós-Oscar.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 2 de março de 2018

Rock e ecologia são tema de 51º Ensaio de Rua

Foto: Divulgação
Aconteceu no último domingo, 25/02, às margens da Lagoa do Cocão, a 51ª edição do Ensaio de Rua de Alvorada. O evento é realizado de forma colaborativa na cidade, desde 2001. Essa edição homenageou Luciano Grunge, ativista da ecologia e por isso teve suas atenções voltadas para defesa do meio ambiente. O local escolhido foi a Lagoa do Cocão.

Nesse espaço se reuniu um bom público para prestigiar as seis bandas de rock da região metropolitana de Porto Alegre que se fizesse presentes. A primeira a se apresentar foi a Kris Sonneman Blues, desfilando clássicos do gênero. Em seguida veio a Doze Doses com sua mistura de MPB com hip hop. Na sequência subiram ao palco Guetown e a Holiday, que entrou e ganhou a plateia trazendo covers de Green Day. Fechando a noite a Herculóid’s e a Street Rock.

Todas as bandas ressaltaram a beleza da Lagoa. Um dos organizadores do Ensaio de Rua, Douglas Kelvin, estava entusiasmado com a participação e a tranquilidade do evento: “Veja essa galera, só gente da paz, e aqui não tem nenhuma polícia. O pessoal veio aqui para se divertir, sem tumulto e ainda preservar esse lugar maravilhoso”, explica o promotor do evento.

Guilherme Wunder

Meia esquerda Pedro Gonzalez é contratado pelo Brasil de Farroupilha

Foto: Divulgação
O futebol alvoradense vem ganhando notoriedade no cenário gaúcho seja na divisão principal como na de acesso. Após noticiar a presença de atletas no Juventude, São Paulo-RG e Tupi, agora foi a vez do Brasil de Farroupilha confirmar a contratação de um morador de Alvorada em seu plantel. Isso porque o clube contratou o meia esquerda Pedro Gonzalez. 

Gonzalez nasceu em Alvorada e morou no Jardim Algarve sempre que esteve atuando no país. Isso mesmo. No país. O meio-campo iniciou sua carreira no Internacional e acabou rodando pelas categorias de base de grandes times do Brasil, como Juventude, Grêmio, Flamengo e Corinthians. “Eu rodei muito por opção e por lesões. Orgulho-me muito de ter vivenciado essa experiência em todos e realmente isso soma muito para formação de um atleta hoje em dia”, explica o jogador. 

Nascido em 1996, o jogador conta que começou muito cedo a jogar futebol desde os oito anos. Na época, o alvoradense treinava com seu pai todos os dias, quando chegava do trabalho. Segundo ele, foi naquele momento que a paixão começou. “Eu não sei responder de onde veio minha vontade de jogar. Acho que é amor, porque simplesmente não sei de onde vem. É algo que estava ali, intacto ano após ano”, conta o Gonzalez. 

Depois de rodar por times brasileiros, o meia foi atuar no futebol paraguaio. Por lá passou pelo Guarani e também pelo 3 de Frebero, onde ficou até o início deste ano. Foram quatro anos atuando no país. Segundo o atleta, as diferenças entre atuar no Brasil e no Paraguai eram enormes. O jogador conta que, logo no início, já teve de ganhar oito quilos para conseguir ter a musculatura necessária. 

Além disso, a adaptação ao estilo de jogo mais duro foi muito complicada. “Teve a questão do idioma também, que me prejudicou no começo. Mas foram quatro anos de muito trabalho, conquista. Foi um aprendizado gigantesco e um amadurecimento como atleta e como pessoa que, com certeza, vou levar para a minha carreira e a minha vida”, explica o alvoradense. 

Contudo, agora o atleta está de volta ao Brasil, onde irá jogar a divisão de acesso do campeonato gaúcho pelo Brasil de Farroupilha. O alvoradense conta que essa volta ao país se deu muito devido ao número de estrangeiros no time paraguaio – havia seis e só podem atuar três. “A direção propôs aos meus representantes um acordo e apareceu essa oportunidade de voltar ao país. Eu aceitei, pois estava precisando de um novo desafio na minha carreira”, confessa o meia esquerda. 

O atleta conta que está sendo muito bom poder voltar a jogar no país, seja pela readaptação ao futebol brasileiro como também a estrutura do clube de Farroupilha, que é muito boa. Devido a isso, apesar do jogador querer e sonhar com o futebol europeu, Gonzalez está focado na competição deste ano para poder ajudar o clube da serra. “O grupo me acolheu muito bem. Já me sinto parte do plantel e motivado para essa divisão de acesso, que é muito difícil”, relata o jogador. 

Sobre sua relação com Alvorada, Gonzalez afirma que sempre que possível, está na cidade. Isso porque sua família e amigos moram ainda no município e, mesmo com a rotina de atleta, ainda é possível visita-los sempre que possível. Já sobre seus sonhos para o futuro, o atleta conta que quer constituir família e, com o futebol, poder ajudar seus pais no futuro. Além disso, deseja se formar academicamente.

Guilherme Wunder

Crítica de Motorrad

Filme: Motorrad
País: Brasil
Classificação: 16 anos
Estreia: 01 de março de 2018 
Duração: 91 minutos 
Direção: Vicente Amorim
Roteiro: L.G. Bayão
Elenco: Guilherme Prates, Carla Salle, Emílio Dantas.

"Um dos grandes desejos de Hugo é conseguir fazer parte do grupo de motocross do seu irmão mais velho. Decidido, ele rouba algumas peças para que possa montar sua motocicleta. Quando consegue o feito, ele encontra com a turma do irmão em uma cachoeira remota, onde fazem uma trilha e se deparam com um antigo muro. Hugo sugere que eles desmontem o muro e sigam a aventura, mas acabam encontrando a dona do ferro-velho de onde Hugo roubou as peças. Ela os convida para um caminho ainda mais radical, só que a diversão vira uma corrida pela sobrevivência quando eles passam a ser perseguidos por motoqueiros sádicos e sobrenaturais."

A temporada do Oscar 2018 praticamente chegou ao fim. Obviamente que mais alguns longas-metragens indicados ainda devem chegar aos cinemas brasileiros, mas a maioria já foi e agora nós voltamos a nossa programação normal. E, podemos dizer, que de forma surpreendente. Isso porque o (bom) filme desta semana se chama ‘Motorrad’. E, apesar do nome, é brasileiro. 

Para quem não sabe, a produção conta a história de Hugo, que sonha em fazer parte do grupo de motocross do seu irmão mais velho. Decidido, ele rouba algumas peças para que possa montar sua motocicleta. Quando consegue o feito, ele encontra com a turma do irmão em uma cachoeira remota, onde fazem uma trilha e se deparam com um antigo muro. Hugo sugere que eles desmontem o muro e sigam a aventura, mas acabam encontrando a dona do ferro-velho de onde Hugo roubou as peças. 

Aí que entra o grande ponto de virada da trama, porque ela os convida para um caminho ainda mais radical. O problema é que a diversão vira uma corrida pela sobrevivência quando eles passam a ser perseguidos por motoqueiros sádicos e sobrenaturais. Isso mesmo que você leu. Motoqueiros sádicos e sobrenaturais. Isso tudo em um filme brasileiro e muito bem produzido, tecnicamente falando. 

Ressaltei tanto a surpresa em ver que é um filme brasileiro, porque me surpreende muito um filme de gênero feito no país, onde estamos acostumados com dramas familiares ou comédias pastelão. ‘Motorrad’ é um filme surpreendente, seja pelo seu tema, atuações e pelos aspectos técnicos que ele apresenta, por mais que tenha alguns furos de roteiro. 

Talvez o único grande “defeito” do filme, seja não conseguir expressar a velocidade necessária. Foi utilizado um jogo e corte de câmeras para imprimir esse ritmo mais frenético, porém falta esse movimento com os atores. Mas isso é um detalhe que pode atrapalhar quem tem um olho mais clínico e não para quem quer uma distração no cinema e busca o entretenimento. 

Para esse público, o final aberto e inexplorado – em partes – pode prejudicar a interpretação do filme. Isto porque não se sabe quem os “vilões” são, de onde vieram, nem a razão de quererem matar os jovens ali presentes. E esse plano interpretativo pode prejudicar um pouco para quem está acostumado com filmes mais “mastigados”, mas vale a pena pela beleza técnica e a fotografia deslumbrante que foi desenvolvida.

Guilherme Wunder

Carlinhos Weiss é indicado ao Prêmio Açorianos de Música 2017

Foto: Divulgação
O artista alvoradense Carlinhos Weiss está entre os indicados ao Prêmio Açorianos de Música 2017. O músico concorre como melhor instrumentista e melhor compositor pelo CD Viola Pop Rock, lançado no segundo semestre de 2017. Essas duas categorias fazem parte do gênero POP.

Considerada a maior premiação do gênero no Rio Grande do Sul, o Prêmio Açorianos de Música 2017 terá cerimônia de entrega no dia 20 de março, às 20h, no Teatro Renascença (Centro Municipal de Cultura). O evento conta com entrada franca e faz parte da programação de comemorações da Semana de Porto Alegre.

Viola Pop Rock

Com dez músicas autorais, sendo nove cantadas e um tema instrumental, Viola Pop Rock tem letras assinadas por Carlinhos Weiss e Mário Hunter, sendo que oito canções trazem o amor como tema. Segundo o músico, o CD é uma mistura sonora das vivências musicais de toda sua carreira. “Quando a música é feita com alma, transcende os estilos musicais”, explica o cantor.

A primeira faixa ‘Essa Moda Rock’ descreve em versos de forma fictícia essa proposta de misturar o som da viola caipira com o rock. Participaram da gravação da música o violeiro Ricardo Vignini e a violeira mineira Nayra Days. Já a canção ‘Um Caipira na Cidade’ é uma homenagem de Carlinhos às pessoas que deixaram o campo e vieram morar na cidade. No tema instrumental ‘Meia Polegada – O Rock do Vô Nino’, Carlinhos homenageia seu pai Nino Alves, que lhe ensinou a tocar viola caipira.

O CD foi gravado com duas violas em afinações diferentes, acordeom, baixo e bateria. O time que gravou o álbum é composto pelos acordeonistas Luciano Maia, Luizinho Corrêa, Lincon Ramos e Luciano Camargo. A groove ficou por conta de Cesar Moraes no baixo e Luciano Freitas na bateria. Carlos Dallastra fez a segunda viola caipira e o guitarrista Rafael Brasil a viola Slider. O time de backings vocal foi composto por dois integrantes do Vocal 5, Eduardo e Karine Rodrigues, enquanto Cláudia Dalpias foi soprano lírico e Alemão Pedro na segunda voz.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Crítica de Trama Fantasma

Filme: Trama Fantasma
País: Estados Unidos 
Classificação: 12 anos
Estreia: 22 de fevereiro de 2018 
Duração: 131 minutos 
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps, Lesley Manville.

"Década de 1950. Reynolds Woodcock é um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril, para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que constantemente entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma, que vira sua musa e amante."

Estamos nos aproximando cada vez mais da premiação do Oscar 2018, que acontece em quatro de março, nos Estados Unidos. Então, nada melhor do seguir falando sobre os indicados para a categoria mais importante do prêmio. Após essa coluna resenhar “Dunkirk”, “Três Anúncios Para um Crime”, “A Forma da Água” e “Lady Bird”; chegou a hora de falar sobre mais um dos indicados: “Trama Fantasma”.

O filme, dirigido por Paul Thomas Anderson (único dos diretores que já foi indicado na categoria), conta a história de Reynolds Woodcock, um renomado e confiante estilista que trabalha ao lado da irmã, Cyril, para vestir grandes nomes da realeza e da elite britânica. Sua inspiração surge através das mulheres que, constantemente, entram e saem de sua vida. Mas tudo muda quando ele conhece a forte e inteligente Alma, que vira sua musa e amante.

A partir desta sinopse a premissa do filme segue, com atuações consistentes em um roteiro confuso. Não que o roteiro do longa-metragem não seja bom, afinal o filme está indicado em seis categorias do Oscar – mas não em melhor roteiro. Isso porque o filme deixa tudo muito aberto e interpretativo, sem se fazer compreender pelas motivações, principalmente da protagonista feminina da trama.

Apesar de uma belíssima atuação de Vicky Krieps, sua personagem não consegue cativar. Isso porque suas motivações não são verossímeis. Na realidade falta verossimilhança em muitos aspectos do longa-metragem. Contudo, as atuações seguras de todos do elenco, mas, principalmente, de Daniel Day-Lewis, fazem com que o público se envolva e queira saber o que vai acontecer com cada um dos personagens, por mais que não se entenda os motivos de tamanho apresso.

Já a direção de Paul Thomas Anderson é segura e, em certos momentos, ousada. Isso se vê nas cenas dentro de veículos e nos planos fechados que ele utiliza para os dois protagonistas. Talvez, se Guillermo del Toro não estivesse entre os indicados, o diretor poderia beliscar o prêmio neste ano. Essa seria sua primeira estatueta, apesar de já ter sido indicado ao Oscar em outros momentos de sua carreira.

“Trama Fantasma”, sem sombra de dúvidas, foi a grande surpresa desta temporada de premiações. Ninguém apostava no longa-metragem, que ganhou seis indicações. Apesar disso, a produção consegue se sobressair em alguns aspectos – apesar de estar atrás de uns quatro dos indicados – mas acabará caindo no esquecimento devido à concorrência de outras obras. Porém, Daniel Day-Lewis pode sonhar com algo.

Guilherme Wunder