quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica de Um Estado de Liberdade

Filme: Um Estado de Liberdade (2016) 
País: EUA
Classificação: 14 anos
Estreia: 17 de novembro de 2016 
Duração: 139 minutos 
Direção: Gary Ross
Roteiro: Gary Ross
Elenco: Matthew McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Mahershala Ali, Keri Russell, Christopher Berry, Sean Bridgers, Jacob Lofland, Thomas Francis Murphy.

"Durante a Guerra Civil Americana, o fazendeiro Newton Knight forma um grupo de rebeldes contra a Confederação. Ele é contrário à escravidão, mas também à secessão. Assim, reunindo pobres fazendeiros, o pequeno condado de Jones rompe com o grupo majoritário e forma um pequeno estado livre. Ao longo dos anos, Knight combate a influência racista do Ku Klux Klan e forma a primeira comunidade interracial do sul, casando-se com a ex-escrava Rachel."

Um Estado de Liberdade acompanha a história de Newton Knight, interpretado por Matthew McConaughey, entre 1862 e 1876, nos apresentando ao enfermeiro do exército que abandona a Guerra Civil americana e que se opõe a escravidão e a tudo que não acredita. Para quem não sabe, esta história grandiosa é verídica. É uma pena que o o filme também não tenha sido grandioso.

A maioria dos erros - senão todos - passam pelo diretor e roteirista do filme, Gary Ross. Isto porque o elenco do filme, em especial Matthew McConaughey, está muito bem. Todos dão conta do recado e conseguem entregar toda a carga dramática que suas histórias precisam. Destaco a atuação de McConaughey porque ele deu vida ao protagonista do filme e, durante todo o longa, é possível perceber as nuances e as mudanças que a vida dura de Knight fizeram no seu caráter.


O filme tem um bom começo, com a história de Knight ainda como enfermeiro do exército até o momento em que ele consegue formar um exército no pântano para lutar pelo direitos e ideais dos negros. O problema é que o longa não acaba nunca. Ele luta a guerra, tem a libertação dos escravos, ele faz mais coisas, os escravos continuam sofrendo, surge a Ku Klux Klan e o filme nunca termina. A narrativa fica cansativa e, a tendência, é que o público fique olhando para o relógio e pensando quando tempo falta para acabar.

Não que a história do protagonista não seja boa e inspiradora, afinal ele liderou um exército para defender seus ideais. Mas não precisa de mais de duas horas para contar esta história. Com certeza, Gary Ross poderia ter escolhido um recorte menor para abordar mas, na tentativa de abraçar tudo, acabou produzindo um filme cansativo e que, depois de uma hora e meia, não empolga mais. 

Outra coisa que me incomodou - e muito - foi a alternância da trama de Knight com a de um julgamento de um descendente dele, que acontece 85 anos depois dos acontecimentos do filme. Além de contar spoilers da história, por revelar detalhes da trama antes deles acontecerem, serve apenas para mostrar que ainda existia racismo no sul dos EUA no meio do século XX. Só que não faz sentido essas cenas no meio do filme, porque só enchem um espaço e, sem elas, o longa não perderia nada.

Mas, se tem outro ponto que merece elogios é o trabalho de fotografia do filme. Toda a ambientação é bem planejada e as cenas do pântano são lindas. Além disso, as cenas de batalha são muito bem dirigidas e consegue transparecer a realidade que se estava vivendo naquela época. Ouso dizer aqui que, como um filme de guerra, Um Estado de Liberdade funciona, mas, para contar a história de um herói americano, ele falha em construir algo que não te canse.

Assista ao trailer abaixo:



Guilherme Wunder

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