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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Jambô, uma empresa de RPG familiar e pop

Entre loja, salão de jogos, cafeteria e editora, a empresa Jambô busca proporcionar ao seu público uma experiência única em cada visita. Foto: Guilherme Wunder
Para quem mora em Porto Alegre e passa pela rua Sarmento Leite, no centro da capital, fica difícil não avistar a loja Nerdz, que chama a atenção de quem passa pela sua arquitetura, que lembra os castelos medievais, e também pelo movimento constante do estabelecimento. E foi buscando conhecer um pouco do encanto que a Nerdz tem que fui até lá, para conhecer a empresa Jambô, conhecida pela linha de RPG Tormenta.

Em um bate-papo na cafeteria da loja Nerdz, Guilherme Dei Svaldi nos apresentou toda a história da marca Jambô, desde o seu início, no começo dos anos 90, até o que a empresa se tornou hoje. Enquanto conversamos, o proprietário da empresa conta que tudo começou como algo mais familiar e de nicho, mas que hoje esse é o sustento de todos, pois a crise não afetou tanto o número das vendas da loja, mas sim a publicação de novos trabalhos. “Nossa média de crescimento nos últimos cinco anos foi de 30%, isso tirando os descontos da inflação. Isso mostra como estamos crescendo e nos consolidando nesse mercado”, ressalta Guilherme.

A prova de que esse retorno está acontecendo é que não faltam projetos para o próximo ano, planos esses que vão desde novas publicações até a prospecção de novos empreendimentos pelo estado. “Nosso objetivo é trazer mais quadrinhos de fora do país, mas sem prejudicar a produção nacional. Atualmente nós estamos trabalhando em um livro de RPG, que é o livro básico do Dragon Age, que é uma franquia bem famosa para os videogames”, disse Svaldi. 



A Jambô foi fundada pelo Jadir Dei Svaldi, 70 anos, na rua Coronel Genuíno, nº 209 e, posteriormente, foram para o atual endereço. Desde então o primeiro local onde o comércio foi construído, foi reformado e se transformou no salão de jogos da Jambô. Atualmente todo o empreendimento é administrado pelos irmão Guilherme e Rafael Dei Svaldi, de 32 e 40 anos, respectivamente.

Segundo Guilherme, assumir os negócios do pai, ao lado do seu irmão, não foi uma tarefa tão difícil. Isso se deu por dois motivos: a estabilidade que a empresa já tinha e a paixão dos irmãos pela cultura pop. “Nós sempre gostamos desse mundo, mesmo antes de trabalhar com quadrinhos e jogos de RPG, pois nós também somos consumidores desse mercado. Quando começamos a trabalhar na Jambô a nossa ideia era se especializar em conteúdos voltados para esse nicho”.

Para quem ainda não se familiarizou e estranhou o nome Nerdz, a explicação é bem simples. Conforme Guilherme destacou, em 2002 foi fundada a editora Jambô, que dividia o mesmo nome da loja. Na época foi interessante ter a mesma marca em todas as mídias. Mas uma decisão, em 2015, fez com que um novo conceito fosse constituído, pois “não fazia mais sentido ter a loja e a editora com a mesma marca, então alteramos o nome da loja para Nerdz”.

Outro ponto interessante levantado pelo gaúcho foi a evolução do público que frequenta o estabelecimento ao longo dos anos. Segundo Guilherme, a popularização da cultura nerd fez com que o público se rejuvenescesse e que surgisse novos leitores e curiosos em busca de algo mais sobre o seu herói preferido no cinema. Além disso, o crescimento do público feminino também se destacou. “Acho que 90% das pessoas que frequentavam a Jambô eram do sexo masculino. Isso mudou muito atualmente, onde a quantidade de mulheres é de 40%, chegando a ser 50% em alguns meses”, relata o proprietário.

A crise econômica

Como já é de conhecimento do grande público, tanto o estado do Rio Grande do Sul quanto o Brasil, estão passando por uma de suas maiores (se não a maior) crises financeiras. Com isso, diversas empresas vem perdendo dinheiro e até fechando os seus estabelecimentos. E isso se destaca nos mais diversos ramos de atuação. Só que, apesar dessa realidade estar presente na vida de todos os brasileiros, os clientes da Jambô/Nerdz podem ficar tranquilos, porque a empresa segue em uma crescente no cenário de RPGs e quadrinhos.

Um dos pontos curiosos é que, apesar da situação em que a economia brasileira se encontra atualmente, a empresa continua crescendo e se consolidando no mercado. Para o gaúcho, as pessoas diminuíram sim a frequência e a quantidade de produtos adquiridos, mas não abandonaram em definitivo a compra desse conteúdo. “Isso foi possível ver em alguns dos nossos clientes, que diminuíram a frequência com que vinham aqui e compravam produtos, mas não deixaram de consumir”, comenta.

A editora como uma ramificação da empresa

Em 2002 surge a editora Jambô, que tinha o objetivo de publicar materiais destinados ao fã de RPG que, muitas vezes, acabavam não conhecendo muitos dos jogos que estavam sendo lançados no exterior. “Existiam dezenas de editoras e diversas linhas de RPG sendo lançados nos EUA, enquanto no Brasil existiam apenas duas editoras e pouquíssimo material sendo publicados”, salienta Guilherme.

Mas o que surgiu como uma ferramenta para trazer conteúdo do exterior que não era de conhecimento do grande público brasileiro acabou se tornando uma das maiores editoras do ramo no mercado. A linha Tormenta, considerado o RPG mais jogado no Brasil atualmente, que foi a primeira publicação nacional da editora. O sucesso do jogo foi tão grande que ele acabou sendo adaptado para os games, através do crowdfunding, aonde arrecadou mais de 70 mil reais.

Guilherme Dei Svaldi, editor-chefe da Jambô com livro de RPG e game do universo Tormenta. Foto: Júlio Cordeiro
Com isso foi possível ver que o cenário nacional também tem muito conteúdo de qualidade e, conforme Guilherme, que além de fundador também é editor-chefe da Jambô, hoje o cenário é diferente e o material brasileiro tem lugar de destaque na editora. “Hoje o cenário é outro e o nosso ramo se inverteu pois, atualmente, nossa linha nacional é maior do que a vinda do exterior, conta.

Atualmente a editora também publica histórias em quadrinhos, que é outro ramo editorial que vem crescendo muito depois da popularização do gênero, graças ao cinema, que vem adaptando grandes histórias para as telonas. Guilherme destaca que, com as HQs, o caminho foi inverso ao do RPG e foi o mercado nacional que acabou sendo o alvo do investimento da Jambô. Segundo o editor-chefe, o quadrinho nacional é visto com certo preconceito pelo público, que acaba consumindo apenas material de fora do país.

“Isso é reflexo da cultura dos brasileiros, que tem aquela “síndrome de vira-lata”, que basta saber que o produto é importado que ele já ganha um ponto, como se isso contasse como avaliação de um trabalho. Isso já acontecia no RPG, mas nos quadrinhos é mais grave ainda. Existem grandes nomes de quadrinistas brasileiros, que são famosos lá fora e não conseguem publicar nada no Brasil, porque não tem quem compre os materiais aqui no seu país de origem”, ressalta Guilherme.

Foto: Divulgação
Na área dos quadrinhos o investimento deve aumentar para o próximo ano e lançamentos devem surgir em breve. Para isso, a Jambô contratou o editor Rogério Saladino, autor de Tormenta e ex-editor da Panini Comics, aonde teve a experiência de trabalhar nas histórias em diversos títulos da Marvel Comics, como Homem-Aranha, Wolverine, X-Men, UItimate Marvel e Deadpool. O novo editor da Jambô volta a trabalhar para a editora gaúcha em um novo projeto de expansão da marca.

“A Jambô pretende ampliar sua linha de quadrinhos, sejam nacionais ou estrangeiros, e estava procurando alguém com experiência na área e que eles pudessem confiar, que já conhecessem o estilo de trabalho. O trabalho de editor na Panini é incrível e a realização de um sonho, mas a oportunidade de ter mais liberdade ao publicar livros e quadrinhos acabou falando mais alto. Pra mim, agora, eu prefiro estar na Jambô, ter uma atuação maior e mais presente nas decisões sobre os livros, quadrinhos e similares“, salienta Saladino.

Para Rogério Saladino, a editora Jambô vem crescendo muito no mercado, sendo considerada por alguns como uma das mais importantes do Brasil e, esse também foi um dos motivos para que o editor aceitasse voltar a trabalhar na editora porto-alegrense. “Hoje, a Jambô é uma das grandes editoras dedicadas a fantasia e ficção no Brasil. Uma peça fundamental no cenário atual do RPG, tremendamente importante na literatura fantástica e que, mesmo depois de tudo isso, ainda vai crescer muito mais”.

Enquanto clientes entravam e saiam do estabelecimento, foi possível compreender um pouco qual era a grande pretensão da família Dei Svaldi em começar uma loja que atendesse ao público que consumia RPGs, quadrinhos e livros de fantasia: consolidar no mercado uma empresa familiar e pop.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 15 de abril de 2015

As adaptações dos games para o cinema

Foto: Reprodução/ZHTV
O cinema sempre foi o grande alvo de investimento e de inspiração para as plataformas de vídeo games. Mas atualmente o cenário está se invertendo, e muitos jogos estão sendo fontes de inspiração para os diretores de hollywood. Para o jornalista do Segundo Caderno da Zero Hora, Gustavo Brigatti, esse fenômeno se dá pela grande probabilidade de sucesso financeiro:

- Essa mesma gente que gasta rios de dinheiro consumindo games, certamente vai assistir aos filmes inspirados em seus jogos favoritos. É o mesmo raciocínio que os estúdios de cinema aplicam para quadrinhos e literatura de uma forma geral. Por isso, qualquer game que venda muito tem potencial para se tornar um filme de sucesso.

Foto: Divulgação
Segundo Brigatti se o filme tiver um mínimo de qualidade ele terá chance de dar certo. Mas o que vemos não é um histórico tão favorável assim. Diversos mundos foram adaptados e tiveram um fracasso de audiência, como ‘House of the Dead’ (2003), ‘Super Mario Bros’ (1993), ‘Alone in the Dark: O despertar do mal’ (2005), entre tantos outros.

O repórter da Zero Hora destaca que desde os anos 90 já existia essa febre, mas que os filmes eram tão ruins que nem os próprios fãs tinham a coragem de ir no cinema e assistir: “A diferença é que, agora, algumas desenvolvedoras, como a Ubisoft, estão acompanhando de perto o que os estúdios de cinema estão fazendo com seus jogos, e não apenas licenciando-os e depois virando as costas.”

Foto: Divulgação
Gustavo acredita que essa nova leva que está vindo, com os já lançados ‘Need For Speed’ e ‘Terror em Silent Hill: Revelação’, além dos que já estão em produção como ‘Assassin’s Creed’, ‘O Sétimo Filho’ e ‘Uncharted’, é pela economia em produzir e pelo lucro quase garantido: “É muito mais fácil e barato adaptar um jogo do que escrever um roteiro do zero. A história está praticamente pronta, os personagens e cenários definidos. O segundo fator é lucro. Filmes de games atraem um público fanático e disposto a gastar seu dinheiro para ver seu personagem favorito em carne e osso. 

Para o futuro desse segmento, Brigatti acredita que a tendência é que melhore a qualidade dos filmes do gênero, tomando como exemplo a evolução das adaptações dos quadrinhos: “Acho que a qualidade dos filmes tende a melhorar. É só ver os filmes de super-heróis, que se tornaram as maiores bilheterias do mundo quando começaram a ser tratados de maneira adequada.”

Guilherme Wunder

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Quem é Leon?

Foto: Divulgação
Leon Oliveira é conhecido pelo seu trabalho no youtube, já que é o dono de um dos canais mais populares sobre videogames, chamado Coisa de Nerd, que tem mais de um milhão e quinhentos mil inscritos e cerca de 135 milhões de visualizações. O vlogueiro, formado em Relações Internacionais , foi uma das atrações do 3° Anima Heroes, que aconteceu nos dias 07 e 08 de dezembro, em Porto Alegre. Ele fala como surgiu a ideia do canal: " Eu já tinha um canal no youtube e via vários americanos produzindo vídeos de games e quis fazer também. Como eu já criava videos para o youtube, fazer algo sobre games me chamou a atenção e eu resolvi tentar."

O carioca, que seguidamente é convidado para cobrir diversos eventos, como MineCon e BlizzCon, graças ao sucesso do seu canal, diz que não tinha nenhuma expectativa em alcançar êxito com o projeto, até porque o Coisa de Nerd era o seu canal secundário na época e os canais de games não existiam no Brasil. Sobre as pautas para os vídeos, Leon se acha meio amador, fazendo sempre o que tem vontade na hora.

Para o futuro, Leon, que diz ser cada vez mais parado na rua pelos fãs graças ao seu trabalho, conta que pretende, junto com sua esposa, começar um canal de vlog diário em paralelo com o Coisa de Nerd. Além disso, o gamer destaca ter outros projetos em mente que devem ser colocados em prática em 2014.

Guilherme Wunder