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quarta-feira, 27 de maio de 2015

"Quero abrir caminhos para trabalhos que não conseguem conquistar seu espaço na grande mídia"

Esse é o nosso entrevistado da semana. Com 35 anos de idade, Rafael Coutinho é um artista multitarefas, afinal é quadrinista, roteirista, artista plástico e dono da Narval Comix. O paulista, formado em artes plásticas pela UNESP, em 2004, já tem mais de sete trabalhos publicados em sua carreira, sendo que o primeiro foi ainda pela extinta Editora Desiderata.

Foto: Rafael Roncato
Mas o destaque da carreira de quadrinista do paulista segue sendo a graphic novel ‘Cachalote’, publicada em 2010, pela Companhia das Letras. Só que o que muitos não sabem é que já fazia muito tempo que o desenhista paulista já vinha tentando garantir o seu espaço nesse mundo das HQs:

- Na realidade eu comecei igual a grande maioria dos quadrinistas, que é de forma amadora. No início eu publicava em uma fanzine aqui de São Paulo, chamada 'Sociedade Radioativa'. Além disso eu também já fazia algumas experimentações na época da universidade. Nesse mesmo período, por volta de 2002, eu comecei a trabalhar também com animação e como designer.

Rafael Coutinho esteve presente em Porto Alegre no mês de agosto do ano passado, para participar da programação da 4ª Multiverso Comic Con. Durante o evento, Rafael participou de uma entrevista e esteve autografando em seu estande, junto da editora Narval Comix. 

Foto: Christina Rufatto
O desenhista é filho do cartunista Laerte Coutinho, conhecido pelas suas tiras em todo o Brasil. Apesar de ser uma pergunta considerada por muitos como clichê e que ele já deve ter respondido milhões de vezes, me obriguei a saber se ele sofreu algum tipo de pressão da mídia por estar seguindo os passos do pai:

- Não, na verdade a única pressão que existia era minha mesma. Por volta dos meus 17 anos eu fiquei um pouco confuso em se eu poderia ou se eu deveria seguir esse caminho dos quadrinhos, devido a essa bagagem que eu carregava. E demorou um tempo até que eu chegasse a conclusão que não tinha nada a ver e que eu ia ter sim que provar meu potencial por mim mesmo.

Arte: Divulgação
Em 2010, Rafael e Laerte fundaram juntos a Narval Comix, uma editora que visaria a produção de quadrinhos autorais aqui do Brasil. Para o ‘Coutinho filho’ a ideia de abrir uma editora surgiu ainda no início de sua carreira, quando pode perceber que os trabalhos que ele mais se identificava não estavam nas estantes de livrarias: “As coisas que eu gostava não estavam sendo publicadas e que não tinham espaço na mídia. Então a Narval é uma tentativa de abrir um canal para essas histórias, além de procurar alguma forma de custeá-las também.”

Guilherme Wunder

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Conheça o criador dos 'Quadrinhos Ácidos', Pedro Leite

O ilustrador, publicitário e cartunista Pedro Leite é um cara bem humorado que se considera "um dos maiores desenhistas do Brasil, chegando a quase dois metros de altura". O gaúcho foi um dos convidados da 4ª Multiverso Comic Con, que aconteceu no mês de agosto, em Porto Alegre. Durante o evento, Pedro Leite participou do painel 'O boom das tiras na web' e de uma sessão de autógrafos. 

Foto: Divulgação
Pedro tem 31 anos e é conhecido pelas webcomics 'Tirinhas do Zodíaco' e 'Quadrinhos Ácidos', além do livro de cartuns chamado 'Onde Meu Gato Senta'. O ilustrador iniciou sua carreira em agências de publicidade e produzia quadrinhos por hobby, como uma válvula de escape:

- Na realidade eu só levei a sério isso quando lancei as 'Tirinhas do Zodíaco' e tive um retorno muito grande do público. Foi depois disso que comecei a levar a sério e dedicar meu tempo para a produção de HQs. Hoje em dia eu não trabalho mais em agências e sim como ilustrador.

Arte: Divulgação
Um dos trabalhos de maior destaque e o atual projeto do ilustrador é a webcomic 'Quadrinhos Ácidos', mas o que alguns não sabem é que esse não foi o primeiro quadrinho lançado por ele. Tudo começou em um bate-papo com o amigo Rafael Koff onde os dois viram que existia algo em comum: a paixão pelo seriado 'Cavaleiros do Zodíaco': 

- Pensamos em criar tirinhas de brincadeiras e piadas para gente mesmo e vamos chama-las de 'Tirinhas do Zodíaco'. Depois de termos produzido cerca de dez tirinhas nós publicamos na internet, mais para ver qual seria a reação das pessoas do que por qualquer outra coisa. Mas para nossa surpresa no segundo dia já havíamos recebido mais de 30 mil acessos.

Arte: Divulgação
O sucesso foi tão estrondoso que a dupla lançou um livro que compilava todas as tiras produzidas em seis meses. O trabalho foi lançado de forma independente e já está em sua terceira edição. Esse não é o único livro que Pedro Leite já publicou, afinal o ilustrado lançou também 'Onde Meu Gato Senta', projeto financiado pelo Catarse em 2012:

- Esse projeto é constituído de uma série de cartuns para quem ama gatos. Nesse trabalho eu apresento diversas situações engraçadas que só quem tem um gato em casa sabe o que é.

Arte: Divulgação
Atualmente Pedro Leite vem trabalhando na série 'Quadrinhos Ácidos', lançada a quase dois anos e que segue sendo atualizada semanalmente. Para o futuro ele pretende transformar esse projeto em um novo livro, além de querer produzir também algum projeto para o público infantil.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Conheça o criador da fanzine ‘Adeus, Tia Chica!’

Ele é ilustrador, desenhista e colorista de histórias em quadrinhos aqui do Rio Grande do Sul. Nascido em Passo Fundo e residente de Porto Alegre, João Carlos Vieira, o popular João Azeitona, vem se tornando destaque e presença garantida em eventos de quadrinhos pelo Brasil e pelo mundo (enquanto essa matéria foi escrita ele estava participando da Argentina Comic Con).

Foto: Divulgação
Azeitona foi uma das presenças da 4ª Multiverso Comic Con, que aconteceu em agosto de 2014, em Porto Alegre. Durante o evento, o ilustrador participou dos painéis ‘Quadrinhos na América Latina’ e de uma sessão de autógrafos. Além de trabalhar como quadrinista para o mercado norte-americano, João também trabalha em uma agência de publicidade aqui da capital gaúcha (DM9 Sul) e divide um estúdio com outros três desenhistas de Porto Alegre.

O fanzine ‘Adeus, Tia Chica!’ foi o trabalho que abriu as portas do mundo das histórias em quadrinho para o jovem Azeitona, que na época ainda tinha 32 anos. Esse projeto foi o primeiro do passo-fundense a receber uma indicação para o Troféu HQMix, feito que voltaria a se repetir outras vezes: “Depois disso veio uma série de fanzines que produzi junto com o Walter Pax e o Mateus Santolouco, que são ‘Zine Supreme’, ‘Zine Extreme’ e ‘Zine Obscene’, que também foram indicados ao HQMix.”

Trecho da HQ 'Robocop'. Arte: João Azeitona
Mas nos últimos quatro anos o cenário mudou e agora o desenhista vem trabalhando com certa frequência para as editoras americanas. Segundo o próprio Azeitona, esses primeiros contatos se deram através de testes e indicações de parceiros que já estavam trabalhando para fora do país: “Mas acho que um dos principais diferenciais que pude apresentar foi ter uma galeria online dos meus melhores trabalhos sendo atualizada constantemente e sempre apresentando esse portfólio para mais e mais pessoas.”

Desde então não param de surgir trabalhos de destaque para o gaúcho. Em 2013 ele coloriu a minissérie ‘The Secret History of the Foot Clan’ das ‘Tartarugas Ninja’, para a editora IDW e também as novas HQs do ‘Robocop’, intitulada ‘Lembranças da Morte’, que saiu pela Boom Studios, também em 2013.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 8 de abril de 2015

"Quero ser reconhecido no Brasil também como desenhista"

Rod Reis é colorista, ilustrador e quadrinista responsável por trabalhos como 'Holy Avenger', 'Superman', 'Aquaman', 'Liga da Justiça', entre outros. Paulista de 37 anos, o artista esteve presente na 4ª Multiverso Comic Con, que aconteceu nos dias 23 e 24 de agosto, em Porto Alegre. Na oportunidade, Rod Reis participou de dois painéis (Mestres da colorização e A arte da Liga da Justiça), além de ter concedido uma entrevista e participado da homenagem a Joe Prado.

Foto: Divulgação
O quadrinista conta que começou a carreira nos anos 90, em um estúdio de quadrinhos onde aprendia a desenhar: "Nesse período tive a oportunidade de conhecer diversos artistas e isso me incentivava a querer ser um quadrinista. Entre os desenhistas que conheci nessa época estão Roger Cruz, Alexandre Jubran, Marcelo Campos, entre outros."

Mas apesar de trabalhar a mais de dez anos com cores, Rod Reis conta que se considera um contador de histórias, seja com cores ou com traços: "Aqui no Brasil a minha imagem está muito ligada a colorização, então é normal que poucas pessoas ainda conheçam o meu lado dos desenhos. Espero que no futuro eu seja mais reconhecido também pela arte e não só pela colorização."

Foto: Guilherme Wunder
Trabalhando desde os anos 90, o paulista diz que deve muito a popularização da internet para conseguir serviço nas editoras norte-americanas. Mas apesar de ter mais de 20 anos de carreira, Rod Reis conta que pode contar nos dedos os trabalhos que participou, pois sempre ficou bastante tempo produzindo uma mesma revista.

Mas atualmente o artista experimenta um novo rumo na sua carreira com 'C.O.W.L'. Nesse projeto, publicado pela Image Comics, Rod Reis pode mostrar seu lado de desenhista. Com roteiro de Kyle Higgins (Sombra do Batman), o paulista destaca esse trabalho como um novo patamar de orgulho em sua trajetória.

- A Image Comics é muito famosa por pegar projetos de outras pessoas publicar esses trabalhos. O Kyle Higgins já tinha essa ideia a muito tempo engavetada e me chamou para fazer a arte porque gostou do meu trabalho. Como eu já estava pensando na hipótese de investir mais na arte e não só na colorização, acabei fazendo umas páginas de amostra e o pessoal da Image topou publicar.

Foto: Divulgação
Atualmente Rod Reis está trabalhando nos desenhos de 'C.O.W.L', que está sendo lançada nos Estados Unidos, mas que segue sem previsão no Brasil. Além disso o artista está fazendo as cores da 'Liga da Justiça'. Como projeto para o futuro da carreira do quadrinista esta investir mais nos desenhos, saindo um pouco da colorização.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 1 de abril de 2015

"Não sou apenas desenhista, sou também fã de quadrinhos e amo o que faço"

Foto: Divulgação
O desenhista e agente de talentos Joe Prado esteve em Porto Alegre participando da 4ª Multiverso Comic Con, que aconteceu nos dias 23 e 24 de agosto, no Colégio Marista São Pedro. Na ocasião o artista participou dos painéis 'A arte da Liga da Justiça', 'DC Comics', além das entrevistas e sessão de autógrafos.

Em um bate-papo descontraído, o artista contou que além de trabalhar com o mercado das HQs, ele também é apaixonado por eles, e por isso tenta sempre fazer a diferença no mercado: "Sou um fã e um entusiasta de quadrinhos, além de ser desenhista a agente. Com essa minha profissão consigo ajudar outros profissionais em suas carreiras. Mas acima de tudo amo o que faço."

Foto: Divulgação
Joe conta que sempre gostou de desenhar, e sempre quis trabalhar com isso, mas que no inicio foi difícil e nem a família acreditava nele: "Desde pequeno eu sempre quis desenhar. Quando eu falei para os meus pais, aos quatro anos, que queria ser desenhista eles me chamaram de louco e perguntaram o que eu iria fazer pra trabalhar de verdade. Na época eles chamaram até os meus avós para discutir o porque que o menino trabalhar com histórias em quadrinho. Mas eu sempre quis isso e é só isso que fui em toda a minha vida."

Com um grande currículo na carreira, onde participou de HQs importantes como o 'Aquaman', o paulista fala sobre o começo da carreira: "Acho que a primeira incursão de quadrinhos foram nos fanzines, que foi onde eu desenhei 'Os Protetores' com o Roberto Guedes, e depois, já na faculdade, participei de alguns trabalhos independentes com os irmãos Fábio Bá e Gabriel Moon e mais alguns outros desenhistas."

Foto: Divulgação
Hoje em dia Joe Prado é agente de quadrinistas, responsável por agenciar a carreira de grandes artistas como Ivan Reis, Daniel HDR, Rafael Grampá, Rod Reis, Felipe Massafera, entre outros. Desde 2013 com a Chiaroscuro Studios, o desenhista fala sobre como foi entrar nesse mundo dos agenciamentos.

- O Helcio de Carvalho, dono da Art & Comics, me chamou para ajudar na coordenação dos artistas que trabalham no mercado dos Estados Unidos. Na época eles tinham um sócio americano que logo depois acabou desfazendo essa parceira, foi quando o Helcio perguntou se eu conseguia assumir tudo e acabei topando esse desafio. 

Foto: Cristiano Corrêa
Além de ter sido um dos convidados da Multiverso, Joe também foi homenageado pela produção do evento com a medalha Renato Canini. Em uma ação que contou com a presença de Daniel HDR, Rod Reis e Ivan Reis, o paulista recebeu o prêmio por dedicar a vida ao mundo dos quadrinhos. 

- Me sinto muito honrado e prestigiado. Acho legal chegar aqui e ver as pessoas dizendo que eu merecia ser reconhecido pelo que faço, porque no final das contas eu não trabalho como um agente engravatado, mas estou lá para ajudar o artista. Isso para mim é o mais importante.

Foto: Divulgação
O quadrinista aproveitou para falar sobre um dos trabalhos que tem mais orgulho de ter participado: 'Blackest Night'. "Eu adorei que o Ivan Reis e o Geoff Johns me deram a oportunidade de ser o arte-finalista e ao mesmo tempo terem me nomeado o designer dos personagens da série, aonde eu fiz quase 300", destaca Joe.

Sobre os trabalhos que está atualmente e os planos para o futuro, o desenhista fala que, no momento, está trabalhando como arte-finalista da 'Liga da Justiça' e que isso deve tomar o tempo dele agora, e que depois disso devem chegar novidades: "Tem coisa planejada pra daqui dois anos, mas que ainda não pode ser revelada."

Guilherme Wunder

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Felipe Cagno se divide entre suas grandes paixões: cinema e quadrinhos

O cineasta e quadrinista Felipe Cagno é um paulista de 30 anos e que sempre está de bem com a vida, que contou tudo sobre a sua carreira nesses dois mundos em uma entrevista exclusiva, realizada durante a 4ª Multiverso Comic Con. Na ocasião, Cagno participou do Artists Alley e de uma sessão de autógrafos da HQ '321 Fast Comics'.

Foto: Robson Reiz
Formado em cinema na cidade de São Paulo e com mestrado em Los Angeles, Felipe sempre trabalhou com o desenvolvimento de roteiros. Seguindo o caminho do pai, que era apaixonado por cinema e sempre o levava em sessões para assistir filmes, Felipe sonhava em ser diretor de longas-metragens. E foi essa paixão que fez com que o paulista fosse trabalhar nos Estados Unidos:

- Foi incrível, eu amava morar em Los Angeles, quero voltar pra lá assim que minha carreira me permitir retornar. Mas porque isso? Porque Los Angeles vive e respira cinema. Quando tu pega o carro e sai pela cidade você vai ver centenas de outdoors de filmes em cartaz. Os cinco anos que eu passei lá foram mágicos. Eu trabalhei em produtoras muito legais, como a 'Arad Productions', 'Misher Films', entre outras.

Elenco do filme 'Bala Sem Nome'. Foto: Divulgação
Atualmente Felipe está finalizando o seu primeiro longa-metragem, intitulado 'Bala Sem Nome'. O cineasta conta que o projeto é de baixo orçamento, tanto é que foi produzido com menos de 50 mil reais em 14 dias. "A experiência foi muita intensa, tendo noites em que dormia no máximo três horas. Mas o lado bom é que foi muito gratificante trabalhar nesse projeto, porque a equipe toda abraçou a causa e deu o seu melhor", confessa Cagno.

O filme, gravado em 2012, está em fase de pós-produção, faltando cerca de 20% para conclusão do projeto e, posteriormente, lançamento. Mas apesar disso tudo, Felipe ainda não conseguiu fechar acordo com nenhuma distribuidora para realizar o lançamento, que ainda está sem previsão de acontecer.

Arte: Divulgação
Passando agora para o mundo dos quadrinhos, Felipe está trabalhando na divulgação da HQ '321 Fast Comics', financiada através do Catarse. Mas o que muitos não sabem é que esse projeto também surgiu no cinema, mais precisamente em um exercício de aula no mestrado realizado em Los Angeles:

- Durante o mestrado que fiz nos Estados Unidos, todos os alunos do primeiro ano tinham que fazer um exercício de câmera chamado 3, 2, 1; mas esse trabalho era um pouco diferente, eram três páginas de roteiro, dois personagens e uma locação. Isso no cinema influencia muito, porque quanto menos locações forem utilizadas mais fácil fica para produzir um filme, devido a questões de logística.

Foto: Divulgação
A ideia de Cagno foi adaptar esse exercício para os quadrinhos, mas com algumas alterações para a nova mídia. Ao invés de três páginas de roteiro, dois personagens e uma locação; Felipe trocou a última parte para 'um final surpreendente'. "No quadrinho já não existe essa dificuldade, porque em uma página eu posso colocar dez locações diferentes," explica o roteirista.

Só que o que Felipe não imaginava é que esse projeto seria tão bem visto pelo público e pelos desenhistas brasileiros. '321 Fast Comics' arrecadou R$ 37.144,00, através do financiamento coletivo. Isso é 142% da meta estabelecida por Cagno para a produção da HQ, que na época era R$ 26.000,00. Além de ter superado as questões financeiras, o quadrinista contou com o apoio de grandes nomes do mercado, como Vitor Cafaggi, Geraldo Borges e Cris Peter. 

Arte: Marcelo Maiolo e Marcelo Costa
Além de estar trabalhando na pós-produção do 'Bala Sem Nome', o paulista já começa a trabalhar em mais uma HQ, chamada 'Blind Spot'. Com participação de Marcelo Maiolo e Marcelo Costa, o quadrinhos passará no inicio do século XX e irá abordar a espionagem nos Estados Unidos: "Esse projeto está com previsão para 2015, e deve sair através de algum projeto de fora do país," destaca Felipe.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Gustavo Borges prepara lançamento para Comic Con Experience

Foto: Divulgação
O jovem desenhista Gustavo Borges estará lançando na primeira edição da Comic Con Experience o seu novo trabalho. O livro, chamado ‘Edgar – Em Busca da Energia dos Ventos’, conta a história de um castor que nasceu antes do seu tempo, e por causa disso acaba sendo rejeitado e excluído pelos outros animais. Com apenas 19 anos o artista estará lançando seu trabalho e participando de um dos evento de maior renome no Brasil.

Gustavo conta que o personagem nasceu em uma conversa com o seu antigo professor da época de escola: “No ano em que participei do FIQ estava conversando com meu professor de física e ele me disse que o TCC da faculdade dele iria ser tiras que tratassem sobre temas da física, mas que isso nunca aconteceu porque não tinha quem fizesse na época. Naquele momento eu pensei em produzir alguma coisa sobre ciência, pois é algo que me identifico muito e que não existia em lugar nenhum.”

Foto: Divulgação
E foi visando isso que Gustavo e seu professor, Giovane Mello, montaram as histórias do Edgar. Desde então todos os quadrinhos baseados nesse personagem estão sendo publicados no blog do desenhista (clique aqui) de forma periódica. Enquanto o jovem trabalha nos desenhos, seu professor de física produz vídeos explicativos sobre temas da física abordados nas HQs. Esses vídeos estão disponíveis na internet para se tirar todas as duvidas que ficaram para os leitores de 'Edgar'.

- No livro teremos, no final de cada página, um QR Code onde o leitor vai poder acessar com o aplicativo leitor para smartphone e assistir aos vídeos que se aprofundam nesses temas abordados pelo Edgar.

Foto: Divulgação
O livro será lançado em um local que conta com grande expectativa do público e da crítica. Para Gustavo esse evento será um divisor de águas em conferências do gênero: “Creio que a Comic Con Experience irá reunir um grande público, que muitas vezes estarão indo pela primeira vez em algo assim. Além de colocar em um mesmo espaço diversos trabalhos com seus nichos específicos e animar fãs de diversas idades.”

No momento, Gustavo também está colaborando em outros quadrinhos, como '321: Fast Comics' e 'Tudo Já Foi Dito', além de estar produzindo trabalhos como freelance. Para o futuro o desenhista já planeja o lançamento do seu próximo trabalho: “Em 2015 será o ano do 'A Entediante Vida de Morte Crens', onde pretendo produzir um segundo livro e lança-lo. Mais adiante existem outras novidades, mas que ainda não podem ser reveladas.”

O artista foi uma das atrações da 4ª edição da Multiverso Comic Com, que aconteceu nos dias 23 e 24 de agosto, na escola Marista, em Porto Alegre. Na ocasião, Gustavo participou do painel sobre ‘O boom das tiras na web’, além de ter participado de uma sessão de autógrafos.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Conheça o argentino Salvador Sanz

Foto: Divulgação
O desenhista e quadrinista argentino Salvador Sanz é conhecido pelas suas graphic novels ‘Noturno’ e ‘Angela Della Morte’, lançadas no Brasil pela Zarabatana Books. Além disso também foi diretor de cinema, e já venceu o prêmio de melhor curta animado da San Diego Comic-Con 2006, com o filme ‘Gorgonas’.

O artista foi a atração internacional da 4ª edição da Multiverso Comic Com, que aconteceu nos dias 23 e 24 de agosto, na escola Marista, em Porto Alegre. Na ocasião, Salvador participou do painel sobre ‘Quadrinhos na América Latina’, além de ter dado uma entrevista e participado de uma sessão de autógrafos.

Foto: Divulgação
Nascido em Buenos Aires, o argentino conta que trabalha com desenho desde 1994, quando começou a publicar em uma fanzine com alguns amigos da escola. A ‘Catzole’, que era como se chamava a revista oi publicada até 2001, e nesse meio tempo saíram 16 edições: “Saia um número por ano, tudo de forma independente, nós que escrevíamos, saia do nosso bolso, venda de mão em mão, convenções.”

Salvador Sanz fala que teve sua primeira graphic novel publicada em 2006, e que, desde então, vem se dedicando ao mercado dos quadrinhos de forma autoral. O argentino destaca que publica mensalmente em uma revista do seu país que se chama ‘Fierro’, onde ele pode trabalhar uma série, caso tenha interesse. E é nessa magazine que o desenhista pretende lançar o se novo projeto. O trabalho intitulado ‘O Esqueleto’ já está em produção e deve ser lançado em episódios. A história mostra um futuro pós-apocalíptico, no qual um vírus no gado transforma os carnívoros em monstros predadores que enfrentam os vegetarianos, únicos sobreviventes.

Arte: Divulgação
O autor, que sempre se interessou pelo terror, diz que a paixão por esse gênero vem pela incomodidade e pela liberdade que tem para falar sobre diversos temas: “Eu gostei muito mais do gênero de terror desde pequeno e não sei explicar direito porque me sinto atraído pelo terror, é boa essa sensação de incomodidade deste que se expõe. Na história de terror me parece que se pode trabalhar com temas delicados, como a morte, a vida mais além da morte, de forma com cunho pessoal, sem nenhuma atadura, máscara, eu acho interessante.“

Para o futuro, Salvador pretende concluir as ilustrações de um conto que está participando, e que não pode divulgar o nome ainda. Além disso o artista está trabalhando na divulgação do ‘Angela Della Morte 2’, que já foi lançado na Argentina: “Eu gostaria de agradar um pouco mais ao mercado, publicar mais para fora. Eu gostaria muito que fosse publicado aqui no Brasil e em alguns outros países o segundo volume de ‘Angela Della Morte’, que por ser muito recente só tem no meu país.”

Guilherme Wunder

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Graphic novel do conto A Bandeira do Elefante e da Arara será lançado em novembro

Foto: Divulgação
O escritor texano Christopher Kastensmidt é conhecido pelo seu conto ‘A Bandeira do Elefante e da Arara’, que foi indicado ao prêmio Nebula, considerado o Oscar da literatura fantástica, e por ser um dos idealizadores e organizadores da Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre. Carolina Mylius é ilustradora faz mais de dez anos, trabalhando principalmente na ilustração de livros e em empresas de design de games. 

Os dois artistas, que se conhecem desde 2005, estavam presentes na 4ª Multiverso Comic Con, que aconteceu nos dias 23 e 24 de agosto, em Porto Alegre. Enquanto Christopher participou do painel ‘Novidades dos eventos de Cultura Pop’ e de uma sessão de autógrafos; Carolina esteve falando sobre os ‘Mestres da colorização’. Entre uma agenda e outra dos convidados foi possível que eles falassem um pouco sobre o trabalho em comum da dupla: A adaptação para os quadrinhos do conto ‘A Bandeira do Elefante e da Arara’. 

Ilustração: Carolina Mylius
Kastensmidt, que é criador da série, conta que como já trabalha com games e outras mídias ele já havia pensado em fazer algum trabalho visual com esse conto. Desde então já são três anos produzindo esse projeto, mas somente agora em ritmo acelerado, graças a um projeto cultural que os artistas conseguiram entrar para publicar a graphic novel. Carol conta que já tinha alguma experiência com quadrinhos, mas que mesmo assim teve que praticar bastante para entrar na marcha que esse tipo de ilustração exige, e que teve como maior dificuldade pegar as referências visuais das cidades, pelo período histórico em que se passa o conto: 

- O Christopher teve que me emprestar vários livros que eu não tinha acesso e também tive que ir para a internet atrás dessa parte do visual. Mas também tem a parte de trabalhar o roteiro de um livro para o quadrinho, que é uma mídia diferente, e que o Christopher teve que fazer, então provavelmente ele ficou com a parte mais complicada. 

Ilustração: Carolina Mylius
O trabalho, que deve ser lançado em novembro, primeiramente em São Paulo e depois em Porto Alegre, tem em sua equipe a colorista Ursula Dorada. O projeto que se chama ‘A Bandeira do Elefante e da Arara: O Encontro Fortuito’ custará, em sua primeira tiragem, quinze reais, e será distribuído em escolas da rede pública de São Paulo e do Rio Grande do Sul. O texano conta que tem grandes expectativas sobre como será recebido seu trabalho: 

- A expectativa é alta. Na verdade esse foi um conto premiado, que concorreu ao prêmio Nebula nos Estados Unidos. Agora resolvi adaptar esse trabalho para os quadrinhos, então fiz toda a adaptação do roteiro e a Caroline fez toda a ilustração. Posso dizer que aprendi horrores trabalhando com ela, porque ela realmente é grande, tem um ótimo olho, um bom gosto para montar o layout das páginas. Com as prévias que já lançamos podemos notar que as pessoas estão gostando muito. Já ouvi a opinião de quadrinistas do exterior que estão adorando e elogiando muito o nosso trabalho. 

Ilustração: Carolina Mylius 
Quando é perguntado sobre se essa adaptação será o último projeto baseado no conto, Christopher nega, e diz que ainda tem muito mais para se produzir sobre esse universo: “Pretendo fazer um romance sobre toda a série, tem também um jogo de tabuleiro que vai sair, e há também o projeto do RPG e de game que pode ou não sair. Estamos em tratativas ainda pra ver alguma spin off nos quadrinhos também.” 

Guilherme Wunder

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Rafael Albuquerque fala sobre Stout Club, Vampiro Americano e Ei8ht

O quadrinista e desenhista Rafael Albuquerque é conhecido por já ter vencido os prêmios Eisner Award e Harvey Award, e pelo seu trabalho na série do ‘Vampiro Americano’. O gaúcho foi uma das atrações da 4ª Multiverso Comic Con, que aconteceu em Porto Alegre nos dias 23 e 24 de agosto. No evento o artista participou do painel ‘O jeito Vertigo de fazer quadrinhos’, junto com o Fabiano Denardin, além de ter realizado uma sessão de autógrafos no local. 

Foto: Divulgação
Em uma conversa entre uma agenda e outra, Rafael contou um pouco sobre os atuais e novos projetos da sua carreira. Entre esses projetos está o retorno do ‘Vampiro Americano’, da Vertigo. O desenhista conta que, para ele, trabalhar nessa série é bem tranquilo, pois fazer outros projetos é sempre legal, mas quando retorna pro Vampiro é muito natural e gratificante, assim como trabalhar com o Scott Snyder. “Está sendo excelente, estou indo para o meu segundo arco desde que nós voltamos, que é a "Corrida Espacial", e pode se dizer que estou curtindo bastante.”

Sobre o fim da trama, Albuquerque já adianta que esse será o último ciclo e que o inicio já está sendo produzido, e deve durar mais uns dois anos para que se encerre a saga: “Não é algo que a gente tem dado como certeza, mas a gente já sabe para onde está indo, mas quanto tempo vai levar ainda não, porque as vezes pode aparecer uma história nova que se encaixe e nós vamos querer conta-la para o público.”

Foto: Divulgação
Outro projeto no mundo dos quadrinhos que está sendo tocado pelo quadrinista é o lançamento da HQ ‘Ei8ht’, que está sendo produzida pela Dark Horse. A história é uma adaptação do ‘Tune 8’ que era publicada no site IG Jovem, mas que foi cancelada em 2011. Rafael conta que já existia antes mesmo da ‘Tune 8’ sair aqui no Brasil, uma conversa com a editora americana para que eles trabalhassem em conjunto

- Eu fiz muitas capas pra eles, mas nunca uma história em quadrinhos por exemplo. Apesar disso sempre tive uma boa relação com eles. Então quando eu fiz o ‘Tune 8’ pensei que seria interessante apresentar para algumas editoras nos Estados Unidos e a Dark Horse foi a que me fez a melhor proposta. A série foi reformatada, reescrita e redesenhada; e deve sair como uma minissérie dividida em cinco partes.

Foto: Stout Club
Além disso o gaúcho também está envolvido no site Stout Club. Idealizado pelo artista e pela sua esposa, a fotógrafa Deb Dorneles, o portal tem como objetivo reunir os amigos que os dois fizeram em suas vidas: “A gente conhece muitas pessoas do meio artístico como quadrinistas, designers, fotógrafos entre outros parceiros pelo os quais sentimos um carinho muito grande e sempre tivemos a vontade de trabalhar juntos. Então o Stout Club acabou sendo uma espécie de catalizador para chamar pessoas que gostamos para falar sobre uma parte do nosso trabalho, que é o processo, de uma maneira descontraída e informal, como se fosse em uma mesa de bar.” 

E a grande surpresa, e até de certo modo, desafio que Albuquerque colocou a sua frente é transformar o site em um selo de publicações de livros e histórias em quadrinhos, e esse ano já devem ocorrer lançamentos pelo Stout Club: “Esse ano já pretendemos lançar alguma coisa como livros ou histórias em quadrinhos, quem sabe na Comic Con Experience já ocorra algum lançamento com autores que a gente gosta. A expectativa é que até lá aconteçam três lançamentos. Provavelmente sai o Sketchbook 2, eu acho que também um projeto com o Eduardo Medeiros e um com o Marcelo Braga, que é um artista de São Paulo que eu admiro muito.”

Foto: Stout Club
Para o futuro Rafael pretende terminar a adaptação da ‘Tune 8’ para os Estados Unidos, além de continuar trabalhando na série do ‘Vampiro Americano’. O desenhista destaca também que está envolvido em mais alguns projetos que devem sair pela Image, mas que ainda não pode revelar, pois não existe nada concreto ainda.

Guilherme Wunder