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sábado, 6 de junho de 2020

Podcast do Wunder - S01E02 - Evandro Berlesi

Esse é o Podcast do Wunder, programa de entrevistas derivado do Blog do Wunder, apresentado por mim, Guilherme Wunder. Para quem está curioso, estamos na nossa primeira temporada, que tem como objetivo apresentar personalidades de Alvorada. A ideia é mostrar cidadãos que conseguiram levar o nome do município de forma positiva para outros lugares. 

Para o segundo episódio conversamos com o roteirista e diretor de cinema alvoradense, conhecido por ser o fundador da Alvoroço Filmes, que já desenvolveu seis longas-metragens e trouxe atores renomados como Luana Piovani e Nelson Freitas para Alvorada. O programa é com ele, Evandro Berlesi. 

Confere o segundo episódio do Podcast do Wunder



Guilherme Wunder

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Silvero Pereira, o Lunga, fala sobre o sucesso e a importância de Bacurau para o cinema

Foto: Guilherme Wunder
O Campus Alvorada do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) recebeu na segunda-feira, 25, o ator Silvero Pereira, que interpretou Lunga em Bacurau. O longa-metragem foi sucesso de crítica e rendeu elogios para o projeto e para a atuação do cearense, que já havia feito o filme Serra Pelada e a novela A Força do Querer antes de trabalhar com Kleber Mendonça Filho.

Bacurau é um filme brasileiro de 2019, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. A produção conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2019, tornando-se o segundo filme brasileiro da história a ser laureado no certame geral. Além de ter sido premiado em diversos festivais de cinema, ele foi selecionado para mostras de festivais não competitivos prestigiados, como o de Nova York.

Durante sua fala, Pereira falou do roteiro, escrito em 2009, e como conseguiu o papel nele. Segundo o ator, a ideia inicial era que o personagem fosse transexual e, devido a dificuldade em encontrar alguém, chegaram no seu nome. Contudo, havia algo que incomodava o artista: o fato de ele tomar o espaço que deveria ser de uma pessoa transexual.

Quando ele fez o teste e foi aprovado que a dificuldade ficou maior, pois ele precisava conversar com Mendonça Filho e Dornelles. “Eu cheguei para falar com eles com o c* na mão, para dizer que se fosse para ser um trans, seria necessário chamar um transexual para fazer. Se fosse eu, teríamos que tomar outra decisão. Eram dois diretores héteros e brancos querendo falar sobre um trans”, explicou o cearense.

Segundo ele, isso não foi um problema durante o desenvolvimento do filme, pois o foco não estava nos aspectos sexuais, mas, sim, políticos. “A sexualidade não tem importância nenhuma na comunidade de Bacurau. A única coisa que realmente importa é o respeito e o único aspecto violento é o sistema político, que tenta eliminar a individualidade das pessoas. A sexualidade está presente, mas ela não é o foco do debate”, pontuou Pereira.

Questionado pela plateia presente sobre os aspectos políticos e a relação da trama com o governo do presidente Jair Bolsonaro, Silvero negou qualquer relação direta — o roteiro é de 2009. “Esse não é um filme sobre o governo atual. Ele poderia não ter nada em relação com o atual presidente, se o resultado fosse diferente nas eleições. É uma produção que só funciona porque é para todo mundo”, enfatizou o ator.

Identificado com o Partido dos Trabalhadores (PT), o ator falou também sobre sua relação com a política. “Eu acho bem complicado a esquerda não assumir os problemas que ela tem. Essa semana ouvi uma discussão de um grupo formado por pessoas de esquerda sobre a soltura do Lula. Eu reconheço os erros, mas ficarei do lado do único que me deu oportunidade de entrar numa universidade pública”, concluiu Silvero.

No agregador de críticas Rotten Tomatoes, Bacurau detém 88% de aprovação com base em 40 avaliações, com uma classificação média de 7,69/10. O consenso crítico de sites como o do Bode na Sala é de que o longa-metragem era necessário para o Brasil. “Assim como o vilarejo de Bacurau, o cinema brasileiro, e a cultura de maneira geral, também precisará lutar para sobreviver”, pondera o crítico André Bozzetti em sua resenha.

Guilherme Wunder

Bode na Sala - Os piores filmes de super-heróis


Hoje teve Bode na Sala na rádio web e/ou e o assunto foi polêmico: OS PIORES FILMES DE SUPER-HERÓIS!

Como convidado, Guilherme Wunder, o Jornal A Semana e do Blog do Wunder!

Confere como foi a participação:



Guilherme Wunder

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Podcast do Wunder - S01E01 - Cristiano Garcia

Esse é o Podcast do Wunder, programa de entrevistas derivado do Blog do Wunder, apresentado por mim, Guilherme Wunder. Para quem está curioso, estamos na nossa primeira temporada, que tem como objetivo apresentar personalidades de Alvorada. A ideia é mostrar cidadãos que conseguiram levar o nome do município de forma positiva para outros lugares.

Para o programa de estreia conversamos com o ator, produtor e diretor alvoradense, conhecido pelo seu trabalho na novela ‘Tempo de Amar’ e na série ‘Chuteira Preta’; mas que também está produzindo e dirigindo videoclipes. O programa é com ele, Cristiano Garcia.

Confira o programa de estreia


Guilherme Wunder

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Bodecast #10 - Afinal, Coringa é perigoso ou maravilhoso (ou os dois)?



No décimo programa do Bode na Sala, quatro apaixonados por cinema ficaram quase duas horas debatendo sobre o polêmico Coringa, longa de Todd Phillips que traz Joaquin Phoenix como o Palhaço do Crime! E, além de dissecarmos o filme, respondemos à questão: 'Qual é o melhor Coringa do cinema?' 

Escute também pelo Spotify: https://open.spotify.com/episode/3Xx7... 

Ah, não esqueça de se inscrever no canal: http://bit.ly/canalbodenasala 

Apresentadores

Convidado

Edição


Guilherme Wunder

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Crítica de The Post – A Guerra Secreta

Filme
: The Post – A Guerra Secreta
País: EUA
Classificação: 12 anos
Estreia: 25 de janeiro de 2018 
Duração: 117 minutos
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Liz Hannah e Josh Singer
Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson

"Kat Graham é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa."

Em semanas intensas e curtas como a da semana passada, fica complicado assistir a algum lançamento da semana. Isso devido à rotina exaustiva que uma redação jornalística. Pensando nisso, o filme de hoje é um exemplo para quem quer saber como funcionam os jornais deste país. Quem quiser conferir, “The Post – A Guerra Secreta” está disponível no Telecine. 

O filme retrata a história real da divulgação de documentos secretos dos Estados Unidos referente à Guerra do Vietnã. Na história, Katharine Graham – primeira editora do The Washington Post -, se alia a Ben Dradlee com o intuito de expor os segredos do governo mantidos a sete chaves por quatro presidentes e por mais de três décadas. Juntos, eles superarão as diferenças e arriscarão suas carreiras em prol da verdade. 

Protagonizando os principais papéis deste longa-metragem, temos Tom Hanks e Meryl Streep, dois monstros do cinema mundial. É meio que chover no molhado elogiar as atuações desta dupla. Ambos entregam trabalhos convincentes e dignos em um filme produzido de forma meteórica pelo competente diretor Steven Spielberg. Só com esses três já da para ver que o projeto é grande. 

Contudo, mesmo esses monstros do cinema acabam tropeçando. Meryl entrega uma atuação contida e Hanks soa caricato em alguns momentos. Além disso, Spielberg faz uma boa direção, mas peca na edição do filme. Existem excessos que não precisavam estar no filme (o informante parando próximo aos guardas ou o momento em que a assistente do procurador é maltratada). 

Só que isso acaba ficando em segundo plano devido à história que ali era contada – talvez ainda mais para quem seja jornalista. Ali existem fatos que muitos já vivenciaram (os riscos de se tornar amigo de fontes ou o medo de retaliações do governo em caso de publicações de matérias). A realidade de quem exerce essa profissão tão importante nos dias de hoje é muito bem retratada nesta obra. 

“The Post – A Guerra Secreta” está longe de ser um filme excepcional, mas tem grandes chances de conquistar o público. Seja pela história, elenco ou direção, o longa-metragem esteve entre os indicados ao Oscar no ano passado e é uma boa pedida para quem tem curiosidade em compreender um pouco mais a importância desta profissão na história até os dias de hoje.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Crítica de Cópias – De Volta à Vida

Filme
: Cópias – De Volta à Vida
País: EUA, Reino Unido, China e Porto Rico
Classificação: 14 anos
Estreia: 18 de abril de 2019 
Duração: 108 minutos
Direção: Jeffrey Nachmanoff
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Keanu Reeves, Alice Eve, Thomas Middleditch

"Depois de um grave acidente de trânsito que matou toda a sua família, um neurocientista sente que perdeu o sentido da vida. Utilizando seu meio de trabalho, ele se torna obcecado em trazê-los de volta, mesmo que isso signifique desafiar boa parte do governo e, principalmente, as leis da física."

Filmes de qualidade questionável ou considerados médios surgem aos montes. Na realidade eles são a maioria dentro do cenário hollywoodiano. Eles focam na quantidade para, de vez em quando, surgir um “Green Book” – apesar de também existirem bombas como “Um Funeral em Família”. Contudo, na maioria das vezes, o que saem são filmes medianos e que podem dar sorte com o calendário e carinho do público. Esse pode ser o caso de “Cópias – De Volta à Vida”. 

O longa-metragem acompanha a história que se sucede depois de um grave acidente de trânsito que matou toda a família do neurocientista, interpretado pelo ator Keanu Reeves, que sente que perdeu o sentido da vida. Utilizando seu meio de trabalho, ele se torna obcecado em trazê-los de volta, mesmo que isso signifique desafiar boa parte do governo e, principalmente, as leis da física. 

O que dizer desde longa-metragem. Ele está longe de ser um filme ruim. Tem atuações concisas de todos – na medida do seu potencial. A carga de dramaticidade é forte, porém “curta”. Todos os dramas e embates morais que podem surgir acabam sendo resolvidos rapidamente por todos. Isso tanto nas cenas em que envolvem Reeves como também nos outros personagens. Na realidade o roteiro falha muito em criar tramas paralelas e acaba não as desenvolvendo. 

Um exemplo é – alerta de spoiler – quando eles são “ressuscitados”. Logo em uma das primeiras cenas, uma das personagens sente uma dor forte e para o que está fazendo. Na hora o que passa pela cabeça é que algo poderia dar errado. Ainda mais pelo enfoque que é dado: ela está caminhando sozinha e para por causa da dor. O que acontece? Nada. Isso nunca mais é retomado no longa-metragem e não se sabe os motivos daquela cena existir. 

Isso sem falar em clichês como a empresa governamental que parecia ser boa e depois acaba se mostrando malvada ou os homens de terno preto que tentam matar o mocinho. Não que isso atrapalhe a experiência cinematográfica, mas as escolhas óbvias acabam fazendo com que o telespectador se desconecte do filme. Eu mesmo descobri qual era o “problema” no processo que envolve os cérebros dos pacientes (não entrarei em detalhes para não atrapalhar a experiência) antes de Reeves. 

“Cópias – De Volta à Vida” é um filme mais do mesmo, mas que tinha potencial para ser algo diferente. Isso principalmente pela escolha final que foi tomada, onde se mostra um mundo diferente do habitual quando filmes como esse são feitos. Contudo, as obviedades e clichês do roteiro podem atrapalhar quem precisa se conectar e envolver em um filme. Faltou mais do roteirista, mas isso não tira alguns méritos do elenco e direção.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Crítica de Superação – O Milagre da Fé

Filme
: Superação – O Milagre da Fé
País: EUA 
Classificação: 10 anos
Estreia: 11 de abril de 2019 
Duração: 116 minutos
Direção: Roxann Dawson
Roteiro: Grant Nieporte
Elenco: Chrissy Metz, Mike Colter, Topher Grace

"Em Superação - O Milagre da Fé, John Smith, um menino de 14 anos, passeava com a família em uma manhã de inverno no Lago St Louis, no Missouri, quando, acidentalmente, sofreu uma queda e se afogou. Chegando ao hospital, John foi considerado morto por mais de 60 minutos até que sua mãe, Joyce Smith, juntou todas as suas forças e pediu a Deus para que seu filho sobrevivesse. Sua prece poderosa foi responsável por um milagre inédito."

Existe um filme que, há algum tempo, vem gerando curiosidade e debate nas redes sociais – além de muitos choros. Estamos falando de “Superação – O Milagre da Fé”, protagonizado por Marcel Ruiz, Josh Lucas e Chrissy Metz. A história real retrata o jovem que sobreviveu após 60 minutos sem respirar. Tudo isso baseado no trabalho dos médicos e na fé da matriarca da família. 

O filme acompanha John Smith, um menino de 14 anos, que passeava com a família em uma manhã de inverno no Lago St Louis, quando, acidentalmente, sofreu uma queda e se afogou. Chegando ao hospital, John foi considerado morto por mais de 60 minutos até que sua mãe, Joyce Smith, juntou todas as suas forças e pediu a Deus para que seu filho sobrevivesse. Sua prece poderosa foi responsável por um milagre inédito. 

Começamos falando pela direção consistente de Roxann Dawson, que começa arriscando bastante em planos e movimentos de câmera pouco usuais, mas acaba deixando de ousar no decorrer do longa-metragem. Porém, mesmo assim, ela constrói um trabalho consistente e sem erros, baseando muito do seu trabalho na atuação forte de Chrissy Metz (This Is Us). 

A protagonista entrega uma personagem forte e com fé, mas ao mesmo tempo humana. Uma pessoa completamente verossímil e que mostra o sentimento em ver um filho em uma situação crítica como aquela. Chrissy é a grande surpresa quando se fala em atuação, uma vez que ela ofusca completamente os outros personagens – mesmo com bons atores presentes. 

“Superação – O Milagre da Fé” colhe os frutos de atuações consistentes e não força tanto na pregação religiosa (um acerto para não afastar o público cético). Apesar de um roteiro simples e, muitas vezes, óbvio, a produção consegue despertar emoções fortes em ambos os públicos. Independente de sua religião é impossível não se emocionar ou sensibilizar com a história contada.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Alvoroço Filmes divulga os 40 selecionados para filme “Algo de errado não está certo”


A produtora Alvoroço Filmes divulgou de forma exclusiva nas páginas do Jornal A Semana a lista dos selecionados para participar do filme “Algo de errado não está certo”, dirigido e roteirizado pelo alvoradense Evandro Berlesi. Ao todo, foram 40 atores aprovados – superando a expectativa dos 20 anunciados inicialmente. A partir das oficinas serão definidos os atores do elenco principal e de apoio. 

Em entrevista, Berlesi explicou os motivos de aumentar o número de selecionados para o filme. “Faço isso porque primeiramente eu tento encaixar o maior número possível de pessoas, valorizando aqueles que foram em pleno sábado fazer o teste. E o filme realmente tem espaço pra todos. O outro ponto é que normalmente, no mínimo 10% dos selecionados não vão até o fim”, confessa o diretor. 

Segundo o alvoradense, a ideia é mesclar atores profissionais com pessoas que nunca atuaram. A primeira oficina ocorrerá no domingo dia 28 de abril com o ator Eduardo Toledo. Contudo, o primeiro encontro dos selecionados será no bar Garage 80’s, na noite de quinta-feira, 11/04. O evento destina-se a arrecadar fundos para cobrir as despesas iniciais do projeto. Além da apresentação dos 40 selecionados, a noite também contará com a apresentação da banda Sacolé de Pus com um show acústico. 

Sobre o evento, Berlesi salienta que é importante esse primeiro encontro para que o elenco possa se conhecer melhor. “É importante à presença de todos, pois o engajamento ao filme começa nesse dia. Se o selecionado não tem interesse em participar de uma confraternização, provavelmente também não irá às oficinas. Por isso seleciono bastantes pessoas. Muitas que são selecionadas não comparecem em nada e acabam não gravando o filme”, conclui o cineasta. 

A produção continua buscando patrocinadores, pois já possui possíveis participações especiais de artistas consagrados nacionalmente. Entretanto, mesmo sem pagamento de cachê, é necessário cobrir as despesas de transporte, hospedagem e alimentação. Um exemplo disso foi em 2009 com a participação da atriz Luana Piovani no segundo filme da produtora, batizado de “Eu Odeio o Orkut”. 

O filme 

O filme acompanha os detetives Walter Biombo e Tony Dodoy, que estão investigando o misterioso assassinato do motorista de Uber, Roque Jequiti, vítima da síndrome de Silvio Santos. Porém, o que aparentemente parecia ser um mero crime passional de suicídio em legitima defesa, começa a complicar quando fica evidente que se trata de uma conspiração dos alienígenas do passado no pretérito perfeito de Nárnia. 

Esse projeto marca o retorno do diretor as comédias, após ter feito o drama “Cidade Dormitório”, que foi lançado no ano passado – antes desse, o diretor havia lançado outros quatro longas-metragens. “Apesar de ter produzido um filme doido como foi ‘Eu odeio o Orkut’, posso garantir que essa nova comédia é a mais bizarra que já escrevi e será com certeza o meu filme mais engraçado”, afirma Berlesi. 

“Algo de errado não está certo” é uma homenagem às comédias malucas de Leslie Nielsen como “Corra que a polícia vem aí”, mesclando com situações ao estilo da série “The Office” e o universo surreal da animação “Rick e Morty”. As filmagens estão previstas para começar em maio deste ano e o lançamento do filme está programado para janeiro de 2020.

Guilherme Wunder

Crítica de Duas Rainhas

Filme
: Duas Rainhas
País: EUA e Reino Unido
Classificação: 16 anos
Estreia: 04 de abril de 2019 
Duração: 124 minutos
Direção: Josie Rourke
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Saoirse Ronan, Margot Robbie, Jack Lowden

"Mary, ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I, a Rainha da Inglaterra."

Mais uma semana que se vai e, devido ao nosso calendário não seguir o ritmo do calendário cinematográfico estadunidense, ainda estamos assistindo filmes que foram indicados ao Oscar. Isso significa que amanhã chega aos cinemas “Duas Rainhas”, indicado na categoria de melhor figurino. Nos EUA ele foi lançado em 21 de dezembro e somente em abril chega ao Brasil. 

O longa-metragem acompanha Mary que, ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I, a Rainha da Inglaterra. 

Não tem como não começar esse texto sem falar do figurino, que foi o motivo que levou a indicação. E não há dúvidas de que está indicação foi merecida. O trabalho desenvolvido merece destaque, principalmente devido ao grande número de figurinos apresentados pelas duas protagonistas e pelo irmão de Mary – ele é responsável pelo exército e aparece com um lugar de respeito no reino. 

O filme me lembra, mesmo estando abaixo no nível de qualidade, o que foi feito em “A Favorita”. A força das protagonistas femininas ganha destaque devido ao trabalho de Saoirse Ronan e Margot Robbie. Ambas entregam atuações viscerais e que mostram a força que uma rainha precisa para liderar uma nação, muitas vezes sem escrúpulos para se manter no poder. 

A obra consegue dar sequência ao bom momento de histórias protagonizadas por mulheres fortes. Com certeza a série de projetos que surgem com o passar do tempo mostram como o movimento feminista está influenciando o cinema no mundo inteiro. As produções cinematográficas influenciam gerações e retratam um espaço da sociedade. Isso é arte e cultura. 

“Duas Rainhas” está longe de ser um filme excepcional. Muito pelo contrário. É um filme mediano para bom, mas com bastante falhas. Contudo, ele consegue envolver o telespectador. Isso graças a trama instigante e ao talento das protagonistas. Uma ótima pedida para quem viu outros filmes do gênero e ficou querendo ver mais.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 29 de março de 2019

Crítica de Gloria Bell

Filme
: Gloria Bell
País: EUA
Classificação: 16 anos
Estreia: 28 de março de 2019 
Duração: 101 minutos
Direção: Sebastián Lelio
Roteiro: Sebastián Lelio e Alice Johnson Boher
Elenco: Julianne Moore, John Turturro, Caren Pistorius

"Uma mulher sozinha com 50 anos e espírito livre ocupa suas noites buscando amor em boates para adultos solteiros em Los Angeles. Sua frágil felicidade muda no dia em que conhece Arnold. Sua intensa paixão deixa ela alternando entre esperança e desespero, até ela descobrir uma nova força e que agora, surpreendentemente, ela consegue brilhar mais do que nunca."

Existem vezes em que produções leves e sem pretensões, que contam histórias de pessoas reais e verossímeis, ganham o espaço no cinema e no coração do público. Um diretor que consegue desenvolver projetos assim é o chileno Sebastián Lelio, que dirigiu o vencedor do Oscar de 2017, “Uma Mulher Fantástica” (categoria estrangeira) e o interessante “Desobediência”. Agora não foi diferente com “Gloria Bell”. 

O filme acompanha uma mulher sozinha com 50 anos e espírito livre, que ocupa suas noites buscando amor em boates para adultos solteiros em Los Angeles. Sua frágil felicidade muda no dia em que conhece Arnold. Sua intensa paixão a deixa alternando entre esperança e desespero, até ela descobrir uma nova força e que agora, surpreendentemente, ela consegue brilhar mais do que nunca. 

Primeiramente, para quem não sabe, este filme é um remake de obra de mesmo nome que foi lançado em 2013 e considerado o primeiro grande trabalho que catapultou o diretor chileno. Só que, ao invés de Paulina García, o filme é protagonizado por Julianne Moore. E, pode-se dizer, ela arrasa no papel de estrela do filme, entregando cenas fortes e intensas, indo do riso ao choro com uma naturalidade e talento raro. 

O filme é todo desenvolvido no entorno de Gloria. Mostra a realidade nua e crua, além da independência da mulher perante a sociedade. Ela não precisa de um homem para se divertir ou se sentir completa. Sem falar que o longa-metragem não cai para nenhum estereótipo, buscando retratar de forma coerente uma mulher que passa dos 50 anos e quer viver a vida. 

“Gloria Bell” é um projeto intimista. Não tem grandes orçamentos e nem busca bilheterias monstruosas. Ele é intimista e verossímil. Uma história que a gente não sabe que precisa conhecer até realmente conhecer. Mais um projeto interessante do cineasta chileno, que consegue aos poucos construir uma carreira coerente e instigante no cinema estadunidense.

Guilherme Wunder

“Fanzine Tchê – 30 Anos de Resistência” será exibido no 6º CineSerra

Foto: Divulgação
Tem início na segunda-feira, 01/04, a 6ª edição do CineSerra. Entre as produções que serão exibidas, Alvorada estará representada com o documentário “Fanzine Tchê – 30 Anos de Resistência”. A produção do coletivo Quadrante Sul está na programação da noite de quinta-feira, 04/04, em Bento Gonçalves. 

Em entrevista, Paulo Kobielski (um dos organizadores do documentário) falou sobre a importância de participar de um festival como esse. “Penso que é pelo fato de o tema Fanzine não ser tão difundido ainda aqui no estado. A premissa sobre a amizade entre os colaboradores do Tchê durante esses trinta anos é outro aspecto a ser considerado. Suas memórias resgatam não apenas a história do Tchê, mas a história dos fanzines no Brasil”, salienta o professor. 

O coletivo contou a história de três décadas do “Tchê” em 2018. Através de uma campanha de financiamento no Catarse, foram adquiridos recursos para a realização do documentário “Fanzine Tchê – 30 anos de resistência”, que conta uma boa parte da história das publicações independentes do Rio Grande do Sul e do Brasil. O documentário foi lançado em 2018. 

CineSerra 

O CineSerra é uma mostra competitiva de cinema de Caxias do Sul. O projeto tem o objetivo de dar visibilidade e agregar valor à produção audiovisual independente. Serão destacadas e premiadas produções em âmbito regional e estadual. O evento também oferece workshops sobre tópicos relativos à produção audiovisual com profissionais da área.

Guilherme Wunder

Alvoroço Filmes realiza teste de elenco para produção de sexto filme

A Alvoroço Filmes realizou no sábado, 23/03, o teste de elenco do projeto “Alvoroço em Alvorada 6”. O objetivo era selecionar os atores que vão participar do novo filme do cineasta Evandro Berlesi, chamado “Algo de errado não está certo”. O projeto contará com roteiro e direção de Berlesi, produção de Leandro Sagguy, produtor de elenco Otavio Perguer e o responsável pela trilha sonora, Felipe Chagas. 

Foto: Xandy Salles

Os testes foram realizados na sede social da Associação Comercial e Industrial de Alvorada (ACIAL) e tiveram a participação massiva da população. Como ele não exigia experiência e foi aberto ao público, mais de 100 candidatos participaram do processo seletivo. A definição do elenco será feita pelo produtor de elenco Otavio Perguer, que acompanhou todo o processo. 

A divulgação dos aprovados será feita na próxima edição do Jornal A Semana. Os 20 selecionados irão participar de um encontro dia 11 de abril no bar Garage 80’s, para confraternizarem e arrecadar fundos para o início das filmagens. Ainda em abril, o grupo participará de oficinas de interpretação que serão fundamental para ajudar o diretor a decidir qual papel cada um irá desempenhar na produção. 

O filme acompanha os detetives Walter Biombo e Tony Dodoy, que estão investigando o misterioso assassinato do motorista de Uber, Roque Jequiti, vítima da síndrome de Silvio Santos. Porém, o que aparentemente parecia ser um mero crime passional de suicídio em legitima defesa, começa a complicar quando fica evidente que se trata de uma conspiração dos alienígenas do passado no pretérito perfeito de Nárnia. 

Esse projeto marca o retorno do diretor as comédias, após ter feito o drama “Cidade Dormitório”, que foi lançado no ano passado – antes desse, o diretor havia lançado outros quatro longas-metragens. “Apesar de ter produzido um filme doido como foi ‘Eu odeio o Orkut’, posso garantir que essa nova comédia é a mais bizarra que já escrevi e será com certeza o meu filme mais engraçado”, afirma Berlesi. 

“Algo de errado não está certo” é uma homenagem às comédias malucas de Leslie Nielsen como "Corra que a polícia vem aí", mesclando com situações ao estilo da série “The Office” e o universo surreal da animação "Rick e Morty". As filmagens estão previstas para começar em maio deste ano e o lançamento do filme está programado para janeiro de 2020. 

Divulgação 

Após o teste com mais de cem atores, a equipe do filme está analisando os atores antes de informar sobre como será o processo. A divulgação será feita nas páginas do Jornal A Semana de sexta-feira, 05/04. Após essa etapa, será informado os próximos passos.

Guilherme Wunder

quinta-feira, 21 de março de 2019

Crítica de Nós

Filme
: Nós
País: EUA
Classificação: 16 anos
Estreia: 21 de março de 2019 
Duração: 116 minutos
Direção: Jordan Peele
Roteiro: Jordan Peele
Elenco: Lupita Nyong'o, Winston Duke, Elisabeth Moss

"Adelaide e Gabe decidem levar a família para passar um fim de semana na praia e descansar em uma casa de veraneio. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seus próprios duplos."

Normalmente o início do ano não trazia grandes filmes para o Brasil – principalmente após o Oscar – contudo, após o sucesso de 2017 com “Corra!”, Jordan Peele conseguiu subverter essa data, afinal o filme foi lançado no início do ano e esteve presente em toda a temporada de premiações. Agora a ideia pode ser fazer o mesmo, por isso chega aos cinemas o filme desta semana, “Nós”. 

O longa-metragem acompanha o casal Adelaide e Gabe, que decidem levar a família para passar um fim de semana na praia (onde a protagonista veraneava na infância) e descansar em uma casa de veraneio. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seus próprios duplos. 

Já podemos dizer que o filme vem sendo um sucesso de critica por unir alegorias do cinema de massa com o cinema de circuito fechado. Ele trabalha muito com filosofia e semiótica, em uma ideia de preparar o público que está no cinema sobre o que acontecerá. Apesar de se vender como um filme de terror, ele é muito diferente do que estamos habituados. 

Não existe demônio, extraterrestre ou possessão. Muito pelo contrário. Existe toda uma sociedade (explicada e apresentada durante ao filme) que vive embaixo da terra e são sombras dos que vivem acima. Isso consegue mostrar o talento dos quatro personagens principais, que acabam interpretando dois personagens com características distintas. 

O filme é tenso e consegue manter isso até o final. O problema está justamente no final do longa-metragem. Não quero dar spoilers da produção, mas sim dizer que há um problema nas últimas cenas. Isso porque o fato que acontece derruba toda a premissa que vinha sendo desenvolvida até aquele momento. Isso mais confunde a cabeça do telespectador do que mostra alguma genialidade. 

“Nós” é filme de premiação. Com certeza estará sendo lembrado mais para frente e deve até voltar ao cinema no final do ano. O ponto é se a genialidade dele é só mérito exclusivo do filme ou se o nome de Jordan Peele pode ser a referência que todos procuram. Uma coisa é certa: o filme é bom e pode ser o primeiro pós-horror a me conquistar.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 15 de março de 2019

Crítica de Um Funeral em Família

Filme: Um Funeral em Família
País: EUA
Classificação: 12 anos
Estreia: 04 de abril de 2019 
Duração: 109 minutos
Direção: Tyler Perry
Roteiro: Tyler Perry
Elenco: Tyler Perry, Patrice Lovely, Cassi Davis

"Madea e seus companheiros achavam que estavam indo para uma reunião de família como outra qualquer. Porém, tudo se transforma em um pesadelo quando de repente eles precisam planejar um funeral no meio de sua viagem a Georgia."

A primeira bomba de 2019. Não tem forma melhor de definir a comédia “Um Funeral em Família”, que deve estrear no começo de abril. Um filme que poderia ser engraçado se soubesse quando uma piada deve encerrar. Sem o dinamismo necessário, atores conhecidos como Tyler Perry (Vice), Jen Harper (Felicidade por um Fio) e Aeriel Miranda (Straight Outta Compton); acabam sucumbindo e não conseguem entregar boas atuações. 

O filme acompanha Madea e seus companheiros que achavam estar indo para uma reunião de família como outra qualquer. Porém, tudo se transforma em um pesadelo quando de repente eles precisam planejar um funeral no meio de sua viagem a Georgia. Isso devido ao falecimento de um dos aniversariantes. Basicamente é uma confusão só e sem nenhuma verossimilhança. 

Esse foi mais um filme protagonizado por Madea. Na realidade, sabe-se que pelo menos sete longas-metragens desde 2006 contam histórias desta personagem. Muitos deles sequer foram lançados no Brasil. Talvez “Um Funeral em Família” seja o primeiro a ter ganhado uma chance no cinema. Não posso afirmar isso, mas posso prever que deve ser a última chance também. 

Tudo devido à falta de dinamismo ou tempo de comédia. Existem cenas que até arrancam risos (se for feito bastante força), mas elas se arrastam demais. Falta a velocidade do esquete. São dez minutos remoendo uma piada que já era forçada, como tudo no filme. O quinteto de idosos é maçante demais, apelando para piadas de cunho sexual ou físico há todo momento. 

Cansa demais porque não existe gancho e nem papel no desenvolvimento da história. Acaba truncando tudo. No cinema eu só pensava em quando eles iam sair de cena. O outro grupo de protagonistas até que conseguem levar a história. Obviamente que não existe profundidade e nem grandes atuações. É uma novela costurada e que não apresenta nada que gere identificação ou empatia com o público. 

“Um Funeral em Família” funciona com dois núcleos. Idosos tarados de um lado, problemas amorosos no outro. Tudo isso ridicularizando os negros e sua cultura, criando estereótipos – ou reforçando eles – ao invés de se trabalhar com a subversão destes valores. Obviamente que a ideia é fazer um humor escrachado e sátiro, mas a falta de tempo de comédia faz com que vire a primeira bomba de 2019.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 8 de março de 2019

Crítica de Roma

Filme: Roma
País: México e EUA
Classificação: 14 anos
Estreia: 14 de dezembro de 2018 
Duração: 135 minutos
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Nancy García

"A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher, que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais."

Um final de semana estendido de carnaval. Tempo de relaxar, fazer festa ou colocar certas coisas em dia. Eu aproveitei a última opção e assisti “Roma”, primeiro filme original da Netflix indicado ao Oscar. Vencedor da categoria de melhor diretor (Alfonso Cuarón já havia vencido em outra oportunidade). Elogiadíssimo por todos, está produção é o filme d’A Semana. 

O longa-metragem se passa na Cidade do México, em 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher, que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais. 

“Roma” foi dirigido, escrito, produzido, fotografado e montado por Cuarón. Um grande trabalho do mexicano, que consegue aqui entregar um filme coeso e com uma boa história. Além disso, o diretor constrói algo que pode ser considerado uma ruptura no cinema mundial – seja por ser um filme de streaming, pelo preto e branco e também pelo olhar intimista do mexicano. 

Contudo, talvez a maior genialidade de Cuarón em “Roma” seja no modo com que ele desenvolve a história. Todo o filme foi gravado em sequência linear dos fatos e não havia atores. O diretor convidou pessoas “normais” para protagonizarem o filme. Com isso, por mais que não existam grandes nomes, a trama fica verossímil e visceral. Muito verdadeira e envolvendo o telespectador. 

Tecnicamente não há o que ser questionado. Cuarón é um grande diretor e desenvolve trabalhos magníficos em todas as áreas que trabalhou no filme. Os grandes destaques talvez sejam os planos parados, onde os personagens andam no entorno da câmera, e a fotografia. Apesar de serem grandiosos, também se tornam intimistas. Indo do maximalista ao minimalismo. 

Sei que elogiei bastante o filme aqui, mas saliento uma coisa: não é uma produção para todo mundo. Eu mesmo compreendo toda a importância que o longa-metragem tem, porém ele não me fisgou. Não consegui me envolver com os personagens e nem me apegar na trama. É uma pena, mas acontece. Digo isso para todos que leem essa coluna. Cinema são arte e subjetivo. Todos têm seus gostos e isso não define a qualidade de um filme.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 1 de março de 2019

Crítica de Não Olhe

Filme: Não Olhe
País: EUA
Classificação: ---
Estreia: 28 de fevereiro de 2019 
Duração: 103 minutos
Direção: Assaf Bernstein
Roteiro: Assaf Bernstein
Elenco: India Eisley, Jason Isaacs, Mira Sorvino

"Uma solitária jovem de 18 anos não encontra suporte familiar e nem amigos para que possa desabafar sobre os problemas de sua vida. Cansada, ela começa a conversar com o próprio reflexo no espelho apenas para externalizar sua angústia, mas rapidamente descobre que está trocando de lugar com uma espécie de clone que tenta convencê-la a tomar atitudes vingativas."

Passamos o Oscar de 2019. Acabaram as premiações e voltamos para nossa programação normal. Não que filmes que estiveram na premiação não apareçam mais aqui – o calendário no Brasil é diferente dos Estados Unidos – mas agora diminuirá bastante a frequência de longas-metragens de tão alto nível. Um caso deste nível mediano é o filme desta semana: “Não Olhe”. 

O filme conta a história de uma solitária jovem de 18 anos que não encontra suporte familiar e nem amigos para que possa desabafar sobre os problemas de sua vida. Cansada, ela começa a conversar com o próprio reflexo no espelho apenas para externalizar sua angústia, mas rapidamente descobre que está trocando de lugar com uma espécie de clone que tenta convencê-la a tomar atitudes vingativas. 

O filme divide opiniões. Isso é fato. O problema é que ele acaba pesando mais para um lado negativo do que positivo. As coisas não fazem sentido, tornando-se desnecessárias e sem verossimilhança alguma. E isso nem é culpa da protagonista, que entrega uma atuação convincente e visceral, mas sim do roteiro que peca em entregar consistência à história. 

Além disso, falta profundidade nos coadjuvantes. As suas motivações não são apresentadas e – intencionalmente ou não – só temos o ponto de vista da jovem no presente. Falta bagagem para se envolver de melhor forma com os outros personagens. Isso faz com que faltem explicações e construções de virada no roteiro, algo que prende o telespectador. 

Obviamente que o filme constrói de maneira assertiva todo o ambiente envolvente para que o público fique curioso com os próximos passos, mas a falta de profundidade prejudica os aspectos de preocupação entre público e trama. Talvez por isso tenha faltado um envolvimento mais intenso de quem assiste com quem está no cinema. Uma pena para um filme com potencial interessante. 

“Não Olhe” está num limbo entre filme bom e ruim. Tem qualidade para mais, porém não consegue entregar. Não creio que exista a necessidade de assistir no cinema, porém não precisa ser desprezado quando for encontrado em serviços de streaming ou na televisão. Uma produção B que consegue entreter, mas não consegue ser cinema na sua essência. 

Guilherme Wunder

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Crítica de Todos Já Sabem

Filme: Todos Já Sabem
País: Espanha, França, Itália
Classificação: ---
Estreia: 21 de fevereiro de 2019 
Duração: 133 minutos
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Penélope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darín

"Quando sua irmã se casa, Laura retorna à Espanha natal para acompanhar a cerimônia. Por motivos de trabalho, o marido argentino não pode ir com ela. Chegando no local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco, que não via há muitos anos. Durante a festa de casamento, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um."

Abro o e-mail e está escrito: Cabine de Imprensa de “Todos Já Sabem”, com Javier Barden, Ricardo Darín e Penélope Cruz. Não tinha como dizer não para um filme com esse elenco. Fui ao cinema esperançoso e com as expectativas altas – algo que felizmente não estragou minha experiência. Vi um excelente filme, com um elenco premiado e que, graças ao trabalho do diretor iraniano Asghar Farhadi, consegue fugir de todos os clichês que poderia ter caído. 

O filme se passa durante o casamento da irmã de Laura, que é quando ela retorna para a Espanha para a cerimônia. Por motivos de trabalho, o marido não pode ir. Chegando ao local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco. Durante a festa, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um. 

Apesar de um grande elenco, não existe um protagonista definido ou uma cena onde um acabe se sobressaindo. Muito pelo contrário. Todos os três grandes nomes deste elenco dividem muito bem o espaço com os outros personagens. A história não é desenhada pelo ponto de vista de um ou outro protagonista, mas sim eles permeiam toda a trama e auxiliam na contação desta história. O trabalho destacado de Farhadi mostra o poder que ele tinha em cima do roteiro para que a trama fosse desenvolvida. 

A trama é recheada de reviravoltas e dramas familiares. Todos têm motivações e muitos geram desconfiança sobre o ocorrido na noite do casamento. Contudo, a produção não cai na mesmice. Ele é um filme que desenvolve bem a maioria das tramas e consegue fazer tudo com naturalidade. Quando o filme termina, nem parece que passou mais de 90 minutos na sala de cinema. Tudo porque a história acaba envolvendo quem está assistindo ao longa-metragem. 

“Todos Já Sabem” passou em festivais de cinema e, pelo elenco, pode-se acreditar que foi pensado para a temporada de premiações – apesar de ter sido esnobado. Apesar disso, deve ser assistido por todos que tiverem oportunidade. Grandes atores, grande elenco e uma trama envolvente. Talvez o meu único adento seja que o final do filme é aberto e isso pode desagradar alguns telespectadores. Contudo, isso não atrapalha toda a experiência cinematográfica que aqui existe.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Crítica de Bohemian Rhapsody

Filme: Bohemian Rhapsody
País: EUA
Classificação: 14 anos
Estreia: 01 de novembro de 2018 
Duração: 135 minutos
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Rami Malek, Gwilym Lee, Lucy Boynton

"Freddie Mercury e seus companheiros Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen, durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas."

Essa semana o filme não será uma estreia nos cinemas, mas sim um dos com mais indicações ao Oscar 2019. Estamos falando de “Bohemian Rhapsody”, produção que conta toda a formação da icônica Queen. Estrelado por Rami Malek, o longa-metragem passou por bastantes polêmicas antes de ser lançado e coroado com indicações e conquistas na temporada de premiações. 

O filme conta a história de Freddie Mercury e seus companheiros Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen, durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas. 

Sabe-se que o filme conta a história da banda, mas obviamente que a vida de Freddie Mercury é o foco da produção. Com isso, a atuação de Rami Malek acaba sendo um ponto crucial da trama. Visualmente está perfeito e, nas cenas onde não é necessário cantar, ator dá conta do recado. O problema é que estamos falando de Freddie Mercury e os momentos musicais são os mais emblemáticos. 

Nesse aspecto, Malek peca e não é pouco. Todos sabem que ele dubla no filme, mas falta verdade no trabalho dele. Peguei-me comparando-o com o que Andreia Horta fez no filme “Elis”. Ela também dubla, mas passa verdade. Todos acreditam que ela está cantando. No caso de Malek isso não existe. Falta verdade e isso prejudica muito o trabalho do ator. 

Além disso, a produção sofre com furos de roteiro e/ou histórias contadas de formas diferentes. Muitos são os fatos inventados ou adiantados/atrasados na narrativa do filme. Basta uma pequena pesquisa sobre licenças poéticas que foram tomadas para descobrir isso. Sem falar que o filme não traz nada realmente inédito. Todas essas histórias já eram de conhecimento do público por livros e documentários. 

“Bohemian Rhapsody” está longe de ser um filme ruim, ainda mais para mim que não conheço tão profundamente a história da banda. Contudo, não pode ser considerado o melhor filme do ano. Muito menos Malek pode ser visto como o melhor ator. A produção é boa por mexer com um fenômeno da cultura e que toca no coração de todos, porém peca nos aspectos técnicos de filme.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

FECEA participa do festival A Vingança dos Filmes B, em Porto Alegre

Teve início no dia 31 de janeiro e segue até dez de fevereiro a oitava edição do festival A Vingança dos Filmes B, em Porto Alegre. As produções de terror selecionadas estão sendo distribuídas no cinema Capitólio e, entre os organizadores do evento, estava o Festival de Cinema Escolar de Alvorada (FECEA). Isso porque nove curtas-metragens que participaram do concurso estão sendo passados no festival da capital. 

Segundo os próprios organizadores do evento, essa é a primeira parceria que foi feita com alguém de fora. Nesta parceria ficou definido que a programação de curtas seria do FECEA, que reúne filmes de teor fantástico produzidos por estudantes de cinema ao redor do mundo. 

Foto: Divulgação
Foram selecionados os filmes: ‘Fingermen’, ‘Guts and Glory’, ‘Surprise’, ‘She’s Wating’, ‘Chateau Sauvignon: terroir’, ‘The Screen Behind the Mirror’, ‘La Chambre Noire’, ‘Screen Cowboy’, ‘Chica Camina Sola En El Estacionamento’. Essas produções são todas internacionais, tendo sido desenvolvidas no México, Ucrânia, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, África do Sul e França. Alvorada não contou com nenhum trabalho selecionado por não existir produções do gênero que se enquadrassem no festival. 

Em entrevista com André Bozzetti, que é um dos organizadores do FECEA, foi explicado que o idealizador do festival A Vingança dos Filmes B já havia assistido aos curtas-metragens por ter sido jurado em 2017. Por ter conhecimento da qualidade dos trabalhos, ele acabou solicitando esses projetos e a organização do FECEA sugeriu mais alguns que foram analisados e escolhidos para exibição na Cinemateca Capitólio. 

Segundo Bozzetti, a experiência das pessoas que fizeram esses trabalhos está sendo muito positiva. “Conversei com os diretores de todos os curtas-metragens selecionados e contei sobre o festival e sobre a história da Cinemateca Capitólio, onde ocorreria a mostra. Eles ficaram muito felizes em saber que seus filmes seriam exibidos em um cinema tão importante e que, mesmo após o FECEA, ainda estavam sendo apresentados ao público”, afirma o professor. 

FECEA 

Bozzetti conta que esse festival mostra como o FECEA vem ganhando cada vez mais visibilidade e se tornando referência no país e no mundo na área do cinema estudantil. “No momento em que ele se torna uma porta de entrada para outras mostras e festivais, isso passa a ser um novo atrativo. Mais do que qualquer prêmio, quem faz filmes quer que eles sejam assistidos”, confessa o organizador do evento. 

E os preparativos para a edição de 2019 já iniciaram e mudanças devem ocorrer. A primeira delas é ampliar é ampliar o alcance dele dentro do município durante o ano todo, e não só nas vésperas da cerimônia de premiação. Isso será feito através de mostras semanais ou quinzenais dos curtas das edições passadas durante o primeiro semestre, e dos novos trabalhos selecionados já a partir do início do segundo semestre.

Guilherme Wunder