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| Foto: Guilherme Wunder |
O Campus Alvorada do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) recebeu na segunda-feira, 25, o ator Silvero Pereira, que interpretou Lunga em Bacurau. O longa-metragem foi sucesso de crítica e rendeu elogios para o projeto e para a atuação do cearense, que já havia feito o filme Serra Pelada e a novela A Força do Querer antes de trabalhar com Kleber Mendonça Filho.
Bacurau é um filme brasileiro de 2019, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. A produção conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2019, tornando-se o segundo filme brasileiro da história a ser laureado no certame geral. Além de ter sido premiado em diversos festivais de cinema, ele foi selecionado para mostras de festivais não competitivos prestigiados, como o de Nova York.
Durante sua fala, Pereira falou do roteiro, escrito em 2009, e como conseguiu o papel nele. Segundo o ator, a ideia inicial era que o personagem fosse transexual e, devido a dificuldade em encontrar alguém, chegaram no seu nome. Contudo, havia algo que incomodava o artista: o fato de ele tomar o espaço que deveria ser de uma pessoa transexual.
Quando ele fez o teste e foi aprovado que a dificuldade ficou maior, pois ele precisava conversar com Mendonça Filho e Dornelles. “Eu cheguei para falar com eles com o c* na mão, para dizer que se fosse para ser um trans, seria necessário chamar um transexual para fazer. Se fosse eu, teríamos que tomar outra decisão. Eram dois diretores héteros e brancos querendo falar sobre um trans”, explicou o cearense.
Segundo ele, isso não foi um problema durante o desenvolvimento do filme, pois o foco não estava nos aspectos sexuais, mas, sim, políticos. “A sexualidade não tem importância nenhuma na comunidade de Bacurau. A única coisa que realmente importa é o respeito e o único aspecto violento é o sistema político, que tenta eliminar a individualidade das pessoas. A sexualidade está presente, mas ela não é o foco do debate”, pontuou Pereira.
Questionado pela plateia presente sobre os aspectos políticos e a relação da trama com o governo do presidente Jair Bolsonaro, Silvero negou qualquer relação direta — o roteiro é de 2009. “Esse não é um filme sobre o governo atual. Ele poderia não ter nada em relação com o atual presidente, se o resultado fosse diferente nas eleições. É uma produção que só funciona porque é para todo mundo”, enfatizou o ator.
Identificado com o Partido dos Trabalhadores (PT), o ator falou também sobre sua relação com a política. “Eu acho bem complicado a esquerda não assumir os problemas que ela tem. Essa semana ouvi uma discussão de um grupo formado por pessoas de esquerda sobre a soltura do Lula. Eu reconheço os erros, mas ficarei do lado do único que me deu oportunidade de entrar numa universidade pública”, concluiu Silvero.
No agregador de críticas Rotten Tomatoes, Bacurau detém 88% de aprovação com base em 40 avaliações, com uma classificação média de 7,69/10. O consenso crítico de sites como o do Bode na Sala é de que o longa-metragem era necessário para o Brasil. “Assim como o vilarejo de Bacurau, o cinema brasileiro, e a cultura de maneira geral, também precisará lutar para sobreviver”, pondera o crítico André Bozzetti em sua
resenha.
Guilherme Wunder