Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de novembro de 2019

Paulo Ricardo faz show saudosista para relembrar o icônico ‘Rádio Pirata – Ao Vivo’

Em1986, a banda RPM lançou para o Brasil o álbum ‘Rádio Pirata – Ao Vivo’. O projeto, como muitos sabem, só aconteceu devido ao sucesso da canção ‘London London’, que foi pirateada em um show realizado em Porto Alegre. Passaram-se quase 35 anos deste lançamento (33 para ser mais exato) e Paulo Ricardo lançou a turnê comemorativa deste álbum que entrou para a história do rock nacional. 

Fotos: Douglas Fischer
A turnê passou pelo Bar Opinião – tradicional casa do rock em Porto Alegre – no último final de semana e alegrou as centenas de pessoas que saíram de casa para matar a saudade dos anos 80 (período onde o rock brasileiro fervilhou). O cantor, hoje em carreira solo, não decepcionou a casa cheia e apresentou o álbum de 1986 na íntegra durante às 01h30 de show. 

O show abriu com o clássico, que também dá nome a banda, ‘Revoluções por Minuto’. Depois disso, foram uma sequência de hits que compuseram os dois primeiros álbuns da banda. Isso mesmo. Músicas que não fizeram parte do projeto ao vivo também tiveram espaço no show. Foram os casos de ‘A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade’, ‘Pr'esse Vício’, ‘Liberdade/Guerra Fria’ e ‘Sob a Luz do Sol’. 

Essas últimas canções não faziam parte do setlist da banda e da carreira solo do cantor há algum tempo. No show do RPM de 2012 (turnê Elektra) e de 2019 (nova formação da banda) só contavam com ‘Sob a Luz do Sol’ nos shows. Então acredito que, para o público saudosista presente no show (a média de faixa etária era de 40 anos) foi bom rever os clássicos e o cantor Paulo Ricardo. 


Esse cantor que parece não perder o ritmo dentro do palco. Cheio de energia, ele interagiu com o público há todo momento. Público esse que eu achei que decepcionaria a noite. Isso porque, no mesmo dia, os ingressos ainda estavam no primeiro lote. Contudo, para sorte de quem optou por sair de casa, o show estava acima da média e a casa lotada para voltar aos anos 80. 

Além de fazer um grande show, Paulo Ricardo também recebeu os fãs em seu camarim. Ele tem uma base muito grande em Porto Alegre e deixou claro isso no palco, quando agradeceu o carinho e disse ter ciência da exigência que o público gaúcho tem. Talvez seja por isso que ele tenha agradado tanto o público presente: ele foi fiel ao projeto do passado, com direito aos famosos lasers e homenagens. 

Os pontos altos da apresentação foram os clássicos ‘London London’, ‘Rádio Pirata’ e ‘Olhar 43’. Todas as músicas na verdade tiveram uma boa interação do público, mas havia canções que eram mais lados B e que o público não lembrava tanto. Porém, assertivamente, o músico não tirou nenhuma daquele setlist e isso fez com que o show fosse fiel ao passado. 


O show teve apenas dois pontos que podem ser considerados baixos. O primeiro deles foi na canção ‘Naja’, que é um instrumental lindo (o único brasileiro a figurar no topo das paradas). O problema é que ele ficou conhecido por dar espaço para os músicos da formação original se apresentar. Isso infelizmente não pode acontecer pois a banda não está mais junto (Paulo segue carreira solo e o RPM tem outro vocalista). 

Outro ponto abaixo do esperado foi a inserção de ‘Vida Real’ no BIS. O motivo é que, por mais que a letra seja boa, a canção ficou diretamente ligada ao BBB, programa brasileiro que o fã de rock muitas vezes não acompanha. Além disso, não foi apresentada a versão de 2002, mas sim uma mais eletrônica. Isso fez com o público dispersasse por algum tempo – mas agradou os poucos jovens presentes no show. 

Porém, um ponto que foi possível aferir (dois na verdade) é o carinho que o público tem por essas canções e a energia que Paulo Ricardo ainda coloca em seus shows. Antes de começar, muitos se pensavam se esse evento não poderia ter ocorrido no Araújo Vianna (seguindo o caminho de Lulu Santos, por exemplo). Contudo, na sexta-feira deu para ver que o show precisa ser visto de pé e em uma casa como o Bar Opinião. 

Paulo Ricardo fez um dos seus shows mais seguros – como deve ser toda a turnê. Mesmo com pontos considerados baixos, o público sempre esteve presente com o cantor e o seu carinho reflete isso. Ele tem consciência do seu tamanho dentro de Porto Alegre e da importância que a capital tem em sua carreira. E ele fez questão de mostrar isso em um lindo show para os saudosistas relembrarem do icônico ‘Rádio Pirata – Ao Vivo’.

Guilherme Wunder

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Bodecast #10 - Afinal, Coringa é perigoso ou maravilhoso (ou os dois)?



No décimo programa do Bode na Sala, quatro apaixonados por cinema ficaram quase duas horas debatendo sobre o polêmico Coringa, longa de Todd Phillips que traz Joaquin Phoenix como o Palhaço do Crime! E, além de dissecarmos o filme, respondemos à questão: 'Qual é o melhor Coringa do cinema?' 

Escute também pelo Spotify: https://open.spotify.com/episode/3Xx7... 

Ah, não esqueça de se inscrever no canal: http://bit.ly/canalbodenasala 

Apresentadores

Convidado

Edição


Guilherme Wunder

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Vera Loca volta do hiato com show repleto de clássicos dos mais de 15 anos de carreira

Foto: Sônia Butelli
Em 2018, a banda gaúcha Vera Loca (uma das mais tradicionais do rock gaúcho) havia anunciado uma pausa em sua carreira. O hiato durou pouco menos de um ano e, em setembro de 2019, o grupo formado por Fabrício Beck (vocal), Diego Dias (teclado), Luigi Vieira (bateria), Mumu (baixo) e Hernán González (guitarra) voltou à ativa e em um local clássico: o Bar Opinião. 

Em um show saudosista, o grupo passou quase duas horas apresentando os clássicos que animam o público gaúcho desde 2002, quando a Vera Loca surgiu. Entre as canções apresentadas estavam presentes os sucessos ‘Graffiti’, ‘Cuidado Ana’, ‘Palácio dos Enfeites’ e ‘Borracho y Loco’. Todas elas foram cantadas em uníssono por Fabrício Beck e pela multidão que acompanha a banda. 

Essa apresentação também serviu para falar sobre novidades do futuro da Vera Loca. A primeira é que o show foi todo gravado e deve render um álbum ao vivo, relembrando todos os clássicos. Em outro momento foi anunciado que os músicos já estão trabalhando em materiais inéditos para serem lançados no futuro. Contudo, nenhuma nova canção foi apresentada no show. 

A ideia era relembrar o sucesso da Vera Loca junto aos fãs saudosistas e que tinham ficado órfãos daquela trupe. Fabrício Beck e Hernán González eram os mais animados em cima do palco e interagiram com o público durante todo o show. Isso durante as quase duas horas que a banda ficou no palco, mostrando que a sintonia entre os músicos não se perdeu durante essa pequena pausa. 

Apesar disso, muitos problemas técnicos aconteceram na primeira metade do show. Frequentemente aconteciam microfonias e em diversos momentos era possível ver Beck reclamando do som e do retorno. Existiam canções onde o instrumental ficou muito mais alto que a voz do vocalista, atrapalhando a compreensão da letra para os (poucos) que não conheciam as canções. 

Ao fim de um grande show, a Vera Loca mostrou que ainda tem muito pano para a manga, ainda mais com atual cenário de rock perdendo força. Além de ter um repertório de clássicos consolidado, os cinco amigos seguem arrastando multidões por onde passam. Agora o desafio é outro: lançar um novo álbum de inéditas e conseguir emplacar novas músicas na ala dos clássicos. 

Guilherme Wunder

domingo, 1 de setembro de 2019

Rock de Galpão faz show repleto de sucessos, mas com novidades

Fotos: Divulgação
Existem bandas que contam com uma tradição: de tempos em tempos fazem temporadas ou apresentações duplas no Teatro São Pedro. Isso é uma honra e já coloca o artista em outro patamar. Não é qualquer um que entra no mais tradicional espaço cultural de Porto Alegre. Foi isso que vi no final do mês de agosto, quando estive no show do Rock de Galpão.

Para quem desconhece, é necessário recapitular. Lá no passado, quando comecei o Blog do Wunder (final de 2013, início de 2014), tive o privilégio de conhecer os músicos em um show na Redenção. Depois disso os vi no Shopping Total e, por último, em 2014, acompanhei os ensaios que antecederiam o projeto que o Rock de Galpão gravou na região das missões.

São alguns anos acompanhando de perto esses artistas e vendo o amadurecimento do grupo. Foram transições que passaram e fizeram com que o projeto chegasse no nível que está hoje. Músicos mudaram e o grupo conseguiu se manter e estabilizar após a saída de Neto Fagundes (no primeiro DVD ele está em todas as músicas e agora faz apenas participações especiais).

Digo isso tudo para dizer que o show que eles fizeram no São Pedro foi de uma maturidade que ainda não tinha visto – e olha que fui em alguns shows deles já. Os músicos seguem muito bem afinados e confortáveis no palco. Os destaques são Guilherme Gul e Rafa Schuler, que se destacam pelo talento que tem em seus instrumentos. Raros são os artistas nesse nível.


Obviamente que isso não desmerece o trabalho do restante do grupo, que se encontra em uma de suas formações mais consistentes dentro do palco. Tiago Ferraz esbanja simpatia e inclusive subi no palco para uma brincadeira em ‘Eu reconheço que sou um grosso’. Tudo estava muito bem alinhado para que fosse uma excelente apresentação. E foi.

No setlist estiveram músicas de todos os álbuns lançados. Entre as participações estavam Hique Gomez, Neto Fagundes e João Triska. Além de invernadas de dois CTG’s. Foram diversos os pontos altos do show, mas talvez o mais surpreendente tenha sido a apresentação da primeira música autoral do Rock de Galpão. Isso mesmo, a primeira música inédita no projeto.

Pouco se sabe sobre ela ainda e onde ela estará no futuro. O projeto tem como o seu forte fazer releituras de clássicos do nosso cancioneiro, então ainda está núbio o futuro desta canção. Se esse novo projeto será de músicas inéditas compostas por tradicionalistas, se são canções deles e como será esse filtro para saber que canção é do Rock de Galpão ou da Estado das Coisas.

Para quem desconhece, Estado das Coisas era o nome da banda antes do projeto Rock de Galpão surgir. Nesse grupo havia álbuns lançados com os mesmos membros do Rock de Galpão, mas que acabaram perdendo espaço com o sucesso e a demanda que o Rock de Galpão tem na rotina destes músicos que hoje rodam a América do Sul com esse projeto.

Foi um excelente show para relembrar os clássicos do cancioneiro gaúcho em uma nova roupagem e colocar uma pulga atrás da orelha sobre o futuro do Rock de Galpão. Espero que seja promissor para todos que gostam de uma boa música, independente do seu gênero e origem. Viva a música de qualidade.

Guilherme Wunder

domingo, 25 de agosto de 2019

Após cinco anos, RPM volta ao Rio Grande com nova formação e clássicos da carreira

Fotos: XEM & BETAELY
O RPM é uma banda que sofreu muito com seus hiatos. Foram pelo menos quatro pausas na carreira (contando a formação de 1992): anos 80, anos 90, 2004 e 2017. Tanto é que, mesmo com 36 anos de estrada, conta com apenas seis álbuns lançados (fora alguns EPs e singles). Tudo isso mostra como, mesmo com o sucesso comercial e de crítica, o grupo pouco conseguiu render junto.

Atualmente a banda está com uma conjuntura diferente: dos quatro membros originais, um deles faleceu recentemente. O baterista P.A. nos deixou aos 61 anos. Outros dois membros da banda (Luiz Schiavon e Fernando Deluqui) tocam o RPM com dois novos membros (Kiko Zara e Dioy Pallone). Enquanto isso, Paulo Ricardo está partindo para uma turnê comemorativa do álbum Rádio Pirata.

Até aqui você compreende o status quo de uma das maiores bandas dos anos 80. Agora vamos para o que interessa. Em 24 de agosto, após cinco anos da turnê Elektra no Rio Grande do Sul, o RPM voltou ao estado – desta vez em Novo Hamburgo – para apresentar a nova turnê da banda, que já conta com dois singles (‘Escravo da Estrada’ e ‘Ah, Onde Está Você’) e está trabalhando em mais quatro canções.

Uma coisa precisa ser destacada: a naturalidade de todos é muito importante e a presença de palco deles também. O show foi repleto de homenagens, seja a amigos como Ultraje a Rigor, Ney Matogrosso e Lobão; como também ao saudoso P.A. Além disso, teve um setlist intenso, que contemplou músicas de todos os álbuns (com exceção do Elektra, que sempre contava com ‘Dois Olhos Verdes’ e ‘Muito Tudo’).


A naturalidade que eu citei anteriormente é um dos pontos altos. Dioy Pallone e Fernando Deluqui dançam pelo palco e dividem os vocais como se tivessem feito isso a vida toda. Luiz Schiavon segue sendo o maestro disso tudo e o novo baterista também é muito bom, apesar de o sentimento de saudade do P.A. ainda ser muito grande para todos que estão no palco.

No quesito homenagem ao passado da banda e divisão dos vocais, está tudo muito bom. Me surpreendeu muito ouvir o Fernando Deluqui cantando 'London, London' e a versão para shows de 'Escravo da Estrada' ficou bem legal (apesar de eu preferir o outro single lançado). Agora as apresentações e solos dos músicos ocorrem dentro dela e não em ‘Rádio Pirata’, como na última turnê.

Como muitos puderam ver, o show tem 01h30 de duração e não houve bis (talvez por existir uma festa após a apresentação), mas isso é muito bom. Com exceção de duas ou três músicas que podem ter feito falta – sempre terá alguma que a gente queria ouvir e não teve (no meu caso foram 'Muito Tudo', 'Rainha' e 'Partners') –, o setlist tem um saldo positivo.

Tecnicamente, as luzes e o som estavam muito bons (apesar de que um bom teste só ocorrerá em espaços que estejam acostumados com eventos deste porte) e houve apenas um problema técnico na bateria antes do show começar. As vozes também estavam muito boas e o talento de Dioy como vocalista é de se parabenizar (ainda mais pela responsabilidade de substituir um dos fundadores da banda).

Porém, o que me deixou feliz é que tem espaço para que as novas músicas (eles anunciaram recentemente que estão gravando mais quatro) entrem naturalmente nas apresentações ao vivo. O show pode ganhar mais 10 ou 20 minutos ou ainda serem retirados alguns covers para que a gente conheça mais do novo RPM. Tudo isso mostra a liberdade que a banda está tendo neste atual momento.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Crítica de The Post – A Guerra Secreta

Filme
: The Post – A Guerra Secreta
País: EUA
Classificação: 12 anos
Estreia: 25 de janeiro de 2018 
Duração: 117 minutos
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Liz Hannah e Josh Singer
Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson

"Kat Graham é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa."

Em semanas intensas e curtas como a da semana passada, fica complicado assistir a algum lançamento da semana. Isso devido à rotina exaustiva que uma redação jornalística. Pensando nisso, o filme de hoje é um exemplo para quem quer saber como funcionam os jornais deste país. Quem quiser conferir, “The Post – A Guerra Secreta” está disponível no Telecine. 

O filme retrata a história real da divulgação de documentos secretos dos Estados Unidos referente à Guerra do Vietnã. Na história, Katharine Graham – primeira editora do The Washington Post -, se alia a Ben Dradlee com o intuito de expor os segredos do governo mantidos a sete chaves por quatro presidentes e por mais de três décadas. Juntos, eles superarão as diferenças e arriscarão suas carreiras em prol da verdade. 

Protagonizando os principais papéis deste longa-metragem, temos Tom Hanks e Meryl Streep, dois monstros do cinema mundial. É meio que chover no molhado elogiar as atuações desta dupla. Ambos entregam trabalhos convincentes e dignos em um filme produzido de forma meteórica pelo competente diretor Steven Spielberg. Só com esses três já da para ver que o projeto é grande. 

Contudo, mesmo esses monstros do cinema acabam tropeçando. Meryl entrega uma atuação contida e Hanks soa caricato em alguns momentos. Além disso, Spielberg faz uma boa direção, mas peca na edição do filme. Existem excessos que não precisavam estar no filme (o informante parando próximo aos guardas ou o momento em que a assistente do procurador é maltratada). 

Só que isso acaba ficando em segundo plano devido à história que ali era contada – talvez ainda mais para quem seja jornalista. Ali existem fatos que muitos já vivenciaram (os riscos de se tornar amigo de fontes ou o medo de retaliações do governo em caso de publicações de matérias). A realidade de quem exerce essa profissão tão importante nos dias de hoje é muito bem retratada nesta obra. 

“The Post – A Guerra Secreta” está longe de ser um filme excepcional, mas tem grandes chances de conquistar o público. Seja pela história, elenco ou direção, o longa-metragem esteve entre os indicados ao Oscar no ano passado e é uma boa pedida para quem tem curiosidade em compreender um pouco mais a importância desta profissão na história até os dias de hoje.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Crítica de Cópias – De Volta à Vida

Filme
: Cópias – De Volta à Vida
País: EUA, Reino Unido, China e Porto Rico
Classificação: 14 anos
Estreia: 18 de abril de 2019 
Duração: 108 minutos
Direção: Jeffrey Nachmanoff
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Keanu Reeves, Alice Eve, Thomas Middleditch

"Depois de um grave acidente de trânsito que matou toda a sua família, um neurocientista sente que perdeu o sentido da vida. Utilizando seu meio de trabalho, ele se torna obcecado em trazê-los de volta, mesmo que isso signifique desafiar boa parte do governo e, principalmente, as leis da física."

Filmes de qualidade questionável ou considerados médios surgem aos montes. Na realidade eles são a maioria dentro do cenário hollywoodiano. Eles focam na quantidade para, de vez em quando, surgir um “Green Book” – apesar de também existirem bombas como “Um Funeral em Família”. Contudo, na maioria das vezes, o que saem são filmes medianos e que podem dar sorte com o calendário e carinho do público. Esse pode ser o caso de “Cópias – De Volta à Vida”. 

O longa-metragem acompanha a história que se sucede depois de um grave acidente de trânsito que matou toda a família do neurocientista, interpretado pelo ator Keanu Reeves, que sente que perdeu o sentido da vida. Utilizando seu meio de trabalho, ele se torna obcecado em trazê-los de volta, mesmo que isso signifique desafiar boa parte do governo e, principalmente, as leis da física. 

O que dizer desde longa-metragem. Ele está longe de ser um filme ruim. Tem atuações concisas de todos – na medida do seu potencial. A carga de dramaticidade é forte, porém “curta”. Todos os dramas e embates morais que podem surgir acabam sendo resolvidos rapidamente por todos. Isso tanto nas cenas em que envolvem Reeves como também nos outros personagens. Na realidade o roteiro falha muito em criar tramas paralelas e acaba não as desenvolvendo. 

Um exemplo é – alerta de spoiler – quando eles são “ressuscitados”. Logo em uma das primeiras cenas, uma das personagens sente uma dor forte e para o que está fazendo. Na hora o que passa pela cabeça é que algo poderia dar errado. Ainda mais pelo enfoque que é dado: ela está caminhando sozinha e para por causa da dor. O que acontece? Nada. Isso nunca mais é retomado no longa-metragem e não se sabe os motivos daquela cena existir. 

Isso sem falar em clichês como a empresa governamental que parecia ser boa e depois acaba se mostrando malvada ou os homens de terno preto que tentam matar o mocinho. Não que isso atrapalhe a experiência cinematográfica, mas as escolhas óbvias acabam fazendo com que o telespectador se desconecte do filme. Eu mesmo descobri qual era o “problema” no processo que envolve os cérebros dos pacientes (não entrarei em detalhes para não atrapalhar a experiência) antes de Reeves. 

“Cópias – De Volta à Vida” é um filme mais do mesmo, mas que tinha potencial para ser algo diferente. Isso principalmente pela escolha final que foi tomada, onde se mostra um mundo diferente do habitual quando filmes como esse são feitos. Contudo, as obviedades e clichês do roteiro podem atrapalhar quem precisa se conectar e envolver em um filme. Faltou mais do roteirista, mas isso não tira alguns méritos do elenco e direção.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Crítica de Superação – O Milagre da Fé

Filme
: Superação – O Milagre da Fé
País: EUA 
Classificação: 10 anos
Estreia: 11 de abril de 2019 
Duração: 116 minutos
Direção: Roxann Dawson
Roteiro: Grant Nieporte
Elenco: Chrissy Metz, Mike Colter, Topher Grace

"Em Superação - O Milagre da Fé, John Smith, um menino de 14 anos, passeava com a família em uma manhã de inverno no Lago St Louis, no Missouri, quando, acidentalmente, sofreu uma queda e se afogou. Chegando ao hospital, John foi considerado morto por mais de 60 minutos até que sua mãe, Joyce Smith, juntou todas as suas forças e pediu a Deus para que seu filho sobrevivesse. Sua prece poderosa foi responsável por um milagre inédito."

Existe um filme que, há algum tempo, vem gerando curiosidade e debate nas redes sociais – além de muitos choros. Estamos falando de “Superação – O Milagre da Fé”, protagonizado por Marcel Ruiz, Josh Lucas e Chrissy Metz. A história real retrata o jovem que sobreviveu após 60 minutos sem respirar. Tudo isso baseado no trabalho dos médicos e na fé da matriarca da família. 

O filme acompanha John Smith, um menino de 14 anos, que passeava com a família em uma manhã de inverno no Lago St Louis, quando, acidentalmente, sofreu uma queda e se afogou. Chegando ao hospital, John foi considerado morto por mais de 60 minutos até que sua mãe, Joyce Smith, juntou todas as suas forças e pediu a Deus para que seu filho sobrevivesse. Sua prece poderosa foi responsável por um milagre inédito. 

Começamos falando pela direção consistente de Roxann Dawson, que começa arriscando bastante em planos e movimentos de câmera pouco usuais, mas acaba deixando de ousar no decorrer do longa-metragem. Porém, mesmo assim, ela constrói um trabalho consistente e sem erros, baseando muito do seu trabalho na atuação forte de Chrissy Metz (This Is Us). 

A protagonista entrega uma personagem forte e com fé, mas ao mesmo tempo humana. Uma pessoa completamente verossímil e que mostra o sentimento em ver um filho em uma situação crítica como aquela. Chrissy é a grande surpresa quando se fala em atuação, uma vez que ela ofusca completamente os outros personagens – mesmo com bons atores presentes. 

“Superação – O Milagre da Fé” colhe os frutos de atuações consistentes e não força tanto na pregação religiosa (um acerto para não afastar o público cético). Apesar de um roteiro simples e, muitas vezes, óbvio, a produção consegue despertar emoções fortes em ambos os públicos. Independente de sua religião é impossível não se emocionar ou sensibilizar com a história contada.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Crítica de Duas Rainhas

Filme
: Duas Rainhas
País: EUA e Reino Unido
Classificação: 16 anos
Estreia: 04 de abril de 2019 
Duração: 124 minutos
Direção: Josie Rourke
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Saoirse Ronan, Margot Robbie, Jack Lowden

"Mary, ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I, a Rainha da Inglaterra."

Mais uma semana que se vai e, devido ao nosso calendário não seguir o ritmo do calendário cinematográfico estadunidense, ainda estamos assistindo filmes que foram indicados ao Oscar. Isso significa que amanhã chega aos cinemas “Duas Rainhas”, indicado na categoria de melhor figurino. Nos EUA ele foi lançado em 21 de dezembro e somente em abril chega ao Brasil. 

O longa-metragem acompanha Mary que, ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I, a Rainha da Inglaterra. 

Não tem como não começar esse texto sem falar do figurino, que foi o motivo que levou a indicação. E não há dúvidas de que está indicação foi merecida. O trabalho desenvolvido merece destaque, principalmente devido ao grande número de figurinos apresentados pelas duas protagonistas e pelo irmão de Mary – ele é responsável pelo exército e aparece com um lugar de respeito no reino. 

O filme me lembra, mesmo estando abaixo no nível de qualidade, o que foi feito em “A Favorita”. A força das protagonistas femininas ganha destaque devido ao trabalho de Saoirse Ronan e Margot Robbie. Ambas entregam atuações viscerais e que mostram a força que uma rainha precisa para liderar uma nação, muitas vezes sem escrúpulos para se manter no poder. 

A obra consegue dar sequência ao bom momento de histórias protagonizadas por mulheres fortes. Com certeza a série de projetos que surgem com o passar do tempo mostram como o movimento feminista está influenciando o cinema no mundo inteiro. As produções cinematográficas influenciam gerações e retratam um espaço da sociedade. Isso é arte e cultura. 

“Duas Rainhas” está longe de ser um filme excepcional. Muito pelo contrário. É um filme mediano para bom, mas com bastante falhas. Contudo, ele consegue envolver o telespectador. Isso graças a trama instigante e ao talento das protagonistas. Uma ótima pedida para quem viu outros filmes do gênero e ficou querendo ver mais.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 29 de março de 2019

Crítica de Gloria Bell

Filme
: Gloria Bell
País: EUA
Classificação: 16 anos
Estreia: 28 de março de 2019 
Duração: 101 minutos
Direção: Sebastián Lelio
Roteiro: Sebastián Lelio e Alice Johnson Boher
Elenco: Julianne Moore, John Turturro, Caren Pistorius

"Uma mulher sozinha com 50 anos e espírito livre ocupa suas noites buscando amor em boates para adultos solteiros em Los Angeles. Sua frágil felicidade muda no dia em que conhece Arnold. Sua intensa paixão deixa ela alternando entre esperança e desespero, até ela descobrir uma nova força e que agora, surpreendentemente, ela consegue brilhar mais do que nunca."

Existem vezes em que produções leves e sem pretensões, que contam histórias de pessoas reais e verossímeis, ganham o espaço no cinema e no coração do público. Um diretor que consegue desenvolver projetos assim é o chileno Sebastián Lelio, que dirigiu o vencedor do Oscar de 2017, “Uma Mulher Fantástica” (categoria estrangeira) e o interessante “Desobediência”. Agora não foi diferente com “Gloria Bell”. 

O filme acompanha uma mulher sozinha com 50 anos e espírito livre, que ocupa suas noites buscando amor em boates para adultos solteiros em Los Angeles. Sua frágil felicidade muda no dia em que conhece Arnold. Sua intensa paixão a deixa alternando entre esperança e desespero, até ela descobrir uma nova força e que agora, surpreendentemente, ela consegue brilhar mais do que nunca. 

Primeiramente, para quem não sabe, este filme é um remake de obra de mesmo nome que foi lançado em 2013 e considerado o primeiro grande trabalho que catapultou o diretor chileno. Só que, ao invés de Paulina García, o filme é protagonizado por Julianne Moore. E, pode-se dizer, ela arrasa no papel de estrela do filme, entregando cenas fortes e intensas, indo do riso ao choro com uma naturalidade e talento raro. 

O filme é todo desenvolvido no entorno de Gloria. Mostra a realidade nua e crua, além da independência da mulher perante a sociedade. Ela não precisa de um homem para se divertir ou se sentir completa. Sem falar que o longa-metragem não cai para nenhum estereótipo, buscando retratar de forma coerente uma mulher que passa dos 50 anos e quer viver a vida. 

“Gloria Bell” é um projeto intimista. Não tem grandes orçamentos e nem busca bilheterias monstruosas. Ele é intimista e verossímil. Uma história que a gente não sabe que precisa conhecer até realmente conhecer. Mais um projeto interessante do cineasta chileno, que consegue aos poucos construir uma carreira coerente e instigante no cinema estadunidense.

Guilherme Wunder

quinta-feira, 21 de março de 2019

Crítica de Nós

Filme
: Nós
País: EUA
Classificação: 16 anos
Estreia: 21 de março de 2019 
Duração: 116 minutos
Direção: Jordan Peele
Roteiro: Jordan Peele
Elenco: Lupita Nyong'o, Winston Duke, Elisabeth Moss

"Adelaide e Gabe decidem levar a família para passar um fim de semana na praia e descansar em uma casa de veraneio. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seus próprios duplos."

Normalmente o início do ano não trazia grandes filmes para o Brasil – principalmente após o Oscar – contudo, após o sucesso de 2017 com “Corra!”, Jordan Peele conseguiu subverter essa data, afinal o filme foi lançado no início do ano e esteve presente em toda a temporada de premiações. Agora a ideia pode ser fazer o mesmo, por isso chega aos cinemas o filme desta semana, “Nós”. 

O longa-metragem acompanha o casal Adelaide e Gabe, que decidem levar a família para passar um fim de semana na praia (onde a protagonista veraneava na infância) e descansar em uma casa de veraneio. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso muda tudo e a família se torna refém de seus próprios duplos. 

Já podemos dizer que o filme vem sendo um sucesso de critica por unir alegorias do cinema de massa com o cinema de circuito fechado. Ele trabalha muito com filosofia e semiótica, em uma ideia de preparar o público que está no cinema sobre o que acontecerá. Apesar de se vender como um filme de terror, ele é muito diferente do que estamos habituados. 

Não existe demônio, extraterrestre ou possessão. Muito pelo contrário. Existe toda uma sociedade (explicada e apresentada durante ao filme) que vive embaixo da terra e são sombras dos que vivem acima. Isso consegue mostrar o talento dos quatro personagens principais, que acabam interpretando dois personagens com características distintas. 

O filme é tenso e consegue manter isso até o final. O problema está justamente no final do longa-metragem. Não quero dar spoilers da produção, mas sim dizer que há um problema nas últimas cenas. Isso porque o fato que acontece derruba toda a premissa que vinha sendo desenvolvida até aquele momento. Isso mais confunde a cabeça do telespectador do que mostra alguma genialidade. 

“Nós” é filme de premiação. Com certeza estará sendo lembrado mais para frente e deve até voltar ao cinema no final do ano. O ponto é se a genialidade dele é só mérito exclusivo do filme ou se o nome de Jordan Peele pode ser a referência que todos procuram. Uma coisa é certa: o filme é bom e pode ser o primeiro pós-horror a me conquistar.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 15 de março de 2019

Crítica de Um Funeral em Família

Filme: Um Funeral em Família
País: EUA
Classificação: 12 anos
Estreia: 04 de abril de 2019 
Duração: 109 minutos
Direção: Tyler Perry
Roteiro: Tyler Perry
Elenco: Tyler Perry, Patrice Lovely, Cassi Davis

"Madea e seus companheiros achavam que estavam indo para uma reunião de família como outra qualquer. Porém, tudo se transforma em um pesadelo quando de repente eles precisam planejar um funeral no meio de sua viagem a Georgia."

A primeira bomba de 2019. Não tem forma melhor de definir a comédia “Um Funeral em Família”, que deve estrear no começo de abril. Um filme que poderia ser engraçado se soubesse quando uma piada deve encerrar. Sem o dinamismo necessário, atores conhecidos como Tyler Perry (Vice), Jen Harper (Felicidade por um Fio) e Aeriel Miranda (Straight Outta Compton); acabam sucumbindo e não conseguem entregar boas atuações. 

O filme acompanha Madea e seus companheiros que achavam estar indo para uma reunião de família como outra qualquer. Porém, tudo se transforma em um pesadelo quando de repente eles precisam planejar um funeral no meio de sua viagem a Georgia. Isso devido ao falecimento de um dos aniversariantes. Basicamente é uma confusão só e sem nenhuma verossimilhança. 

Esse foi mais um filme protagonizado por Madea. Na realidade, sabe-se que pelo menos sete longas-metragens desde 2006 contam histórias desta personagem. Muitos deles sequer foram lançados no Brasil. Talvez “Um Funeral em Família” seja o primeiro a ter ganhado uma chance no cinema. Não posso afirmar isso, mas posso prever que deve ser a última chance também. 

Tudo devido à falta de dinamismo ou tempo de comédia. Existem cenas que até arrancam risos (se for feito bastante força), mas elas se arrastam demais. Falta a velocidade do esquete. São dez minutos remoendo uma piada que já era forçada, como tudo no filme. O quinteto de idosos é maçante demais, apelando para piadas de cunho sexual ou físico há todo momento. 

Cansa demais porque não existe gancho e nem papel no desenvolvimento da história. Acaba truncando tudo. No cinema eu só pensava em quando eles iam sair de cena. O outro grupo de protagonistas até que conseguem levar a história. Obviamente que não existe profundidade e nem grandes atuações. É uma novela costurada e que não apresenta nada que gere identificação ou empatia com o público. 

“Um Funeral em Família” funciona com dois núcleos. Idosos tarados de um lado, problemas amorosos no outro. Tudo isso ridicularizando os negros e sua cultura, criando estereótipos – ou reforçando eles – ao invés de se trabalhar com a subversão destes valores. Obviamente que a ideia é fazer um humor escrachado e sátiro, mas a falta de tempo de comédia faz com que vire a primeira bomba de 2019.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 8 de março de 2019

Crítica de Roma

Filme: Roma
País: México e EUA
Classificação: 14 anos
Estreia: 14 de dezembro de 2018 
Duração: 135 minutos
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Nancy García

"A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher, que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais."

Um final de semana estendido de carnaval. Tempo de relaxar, fazer festa ou colocar certas coisas em dia. Eu aproveitei a última opção e assisti “Roma”, primeiro filme original da Netflix indicado ao Oscar. Vencedor da categoria de melhor diretor (Alfonso Cuarón já havia vencido em outra oportunidade). Elogiadíssimo por todos, está produção é o filme d’A Semana. 

O longa-metragem se passa na Cidade do México, em 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher, que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais. 

“Roma” foi dirigido, escrito, produzido, fotografado e montado por Cuarón. Um grande trabalho do mexicano, que consegue aqui entregar um filme coeso e com uma boa história. Além disso, o diretor constrói algo que pode ser considerado uma ruptura no cinema mundial – seja por ser um filme de streaming, pelo preto e branco e também pelo olhar intimista do mexicano. 

Contudo, talvez a maior genialidade de Cuarón em “Roma” seja no modo com que ele desenvolve a história. Todo o filme foi gravado em sequência linear dos fatos e não havia atores. O diretor convidou pessoas “normais” para protagonizarem o filme. Com isso, por mais que não existam grandes nomes, a trama fica verossímil e visceral. Muito verdadeira e envolvendo o telespectador. 

Tecnicamente não há o que ser questionado. Cuarón é um grande diretor e desenvolve trabalhos magníficos em todas as áreas que trabalhou no filme. Os grandes destaques talvez sejam os planos parados, onde os personagens andam no entorno da câmera, e a fotografia. Apesar de serem grandiosos, também se tornam intimistas. Indo do maximalista ao minimalismo. 

Sei que elogiei bastante o filme aqui, mas saliento uma coisa: não é uma produção para todo mundo. Eu mesmo compreendo toda a importância que o longa-metragem tem, porém ele não me fisgou. Não consegui me envolver com os personagens e nem me apegar na trama. É uma pena, mas acontece. Digo isso para todos que leem essa coluna. Cinema são arte e subjetivo. Todos têm seus gostos e isso não define a qualidade de um filme.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 1 de março de 2019

Crítica de Não Olhe

Filme: Não Olhe
País: EUA
Classificação: ---
Estreia: 28 de fevereiro de 2019 
Duração: 103 minutos
Direção: Assaf Bernstein
Roteiro: Assaf Bernstein
Elenco: India Eisley, Jason Isaacs, Mira Sorvino

"Uma solitária jovem de 18 anos não encontra suporte familiar e nem amigos para que possa desabafar sobre os problemas de sua vida. Cansada, ela começa a conversar com o próprio reflexo no espelho apenas para externalizar sua angústia, mas rapidamente descobre que está trocando de lugar com uma espécie de clone que tenta convencê-la a tomar atitudes vingativas."

Passamos o Oscar de 2019. Acabaram as premiações e voltamos para nossa programação normal. Não que filmes que estiveram na premiação não apareçam mais aqui – o calendário no Brasil é diferente dos Estados Unidos – mas agora diminuirá bastante a frequência de longas-metragens de tão alto nível. Um caso deste nível mediano é o filme desta semana: “Não Olhe”. 

O filme conta a história de uma solitária jovem de 18 anos que não encontra suporte familiar e nem amigos para que possa desabafar sobre os problemas de sua vida. Cansada, ela começa a conversar com o próprio reflexo no espelho apenas para externalizar sua angústia, mas rapidamente descobre que está trocando de lugar com uma espécie de clone que tenta convencê-la a tomar atitudes vingativas. 

O filme divide opiniões. Isso é fato. O problema é que ele acaba pesando mais para um lado negativo do que positivo. As coisas não fazem sentido, tornando-se desnecessárias e sem verossimilhança alguma. E isso nem é culpa da protagonista, que entrega uma atuação convincente e visceral, mas sim do roteiro que peca em entregar consistência à história. 

Além disso, falta profundidade nos coadjuvantes. As suas motivações não são apresentadas e – intencionalmente ou não – só temos o ponto de vista da jovem no presente. Falta bagagem para se envolver de melhor forma com os outros personagens. Isso faz com que faltem explicações e construções de virada no roteiro, algo que prende o telespectador. 

Obviamente que o filme constrói de maneira assertiva todo o ambiente envolvente para que o público fique curioso com os próximos passos, mas a falta de profundidade prejudica os aspectos de preocupação entre público e trama. Talvez por isso tenha faltado um envolvimento mais intenso de quem assiste com quem está no cinema. Uma pena para um filme com potencial interessante. 

“Não Olhe” está num limbo entre filme bom e ruim. Tem qualidade para mais, porém não consegue entregar. Não creio que exista a necessidade de assistir no cinema, porém não precisa ser desprezado quando for encontrado em serviços de streaming ou na televisão. Uma produção B que consegue entreter, mas não consegue ser cinema na sua essência. 

Guilherme Wunder

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Crítica de Todos Já Sabem

Filme: Todos Já Sabem
País: Espanha, França, Itália
Classificação: ---
Estreia: 21 de fevereiro de 2019 
Duração: 133 minutos
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Elenco: Penélope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darín

"Quando sua irmã se casa, Laura retorna à Espanha natal para acompanhar a cerimônia. Por motivos de trabalho, o marido argentino não pode ir com ela. Chegando no local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco, que não via há muitos anos. Durante a festa de casamento, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um."

Abro o e-mail e está escrito: Cabine de Imprensa de “Todos Já Sabem”, com Javier Barden, Ricardo Darín e Penélope Cruz. Não tinha como dizer não para um filme com esse elenco. Fui ao cinema esperançoso e com as expectativas altas – algo que felizmente não estragou minha experiência. Vi um excelente filme, com um elenco premiado e que, graças ao trabalho do diretor iraniano Asghar Farhadi, consegue fugir de todos os clichês que poderia ter caído. 

O filme se passa durante o casamento da irmã de Laura, que é quando ela retorna para a Espanha para a cerimônia. Por motivos de trabalho, o marido não pode ir. Chegando ao local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco. Durante a festa, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um. 

Apesar de um grande elenco, não existe um protagonista definido ou uma cena onde um acabe se sobressaindo. Muito pelo contrário. Todos os três grandes nomes deste elenco dividem muito bem o espaço com os outros personagens. A história não é desenhada pelo ponto de vista de um ou outro protagonista, mas sim eles permeiam toda a trama e auxiliam na contação desta história. O trabalho destacado de Farhadi mostra o poder que ele tinha em cima do roteiro para que a trama fosse desenvolvida. 

A trama é recheada de reviravoltas e dramas familiares. Todos têm motivações e muitos geram desconfiança sobre o ocorrido na noite do casamento. Contudo, a produção não cai na mesmice. Ele é um filme que desenvolve bem a maioria das tramas e consegue fazer tudo com naturalidade. Quando o filme termina, nem parece que passou mais de 90 minutos na sala de cinema. Tudo porque a história acaba envolvendo quem está assistindo ao longa-metragem. 

“Todos Já Sabem” passou em festivais de cinema e, pelo elenco, pode-se acreditar que foi pensado para a temporada de premiações – apesar de ter sido esnobado. Apesar disso, deve ser assistido por todos que tiverem oportunidade. Grandes atores, grande elenco e uma trama envolvente. Talvez o meu único adento seja que o final do filme é aberto e isso pode desagradar alguns telespectadores. Contudo, isso não atrapalha toda a experiência cinematográfica que aqui existe.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Crítica de Bohemian Rhapsody

Filme: Bohemian Rhapsody
País: EUA
Classificação: 14 anos
Estreia: 01 de novembro de 2018 
Duração: 135 minutos
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Rami Malek, Gwilym Lee, Lucy Boynton

"Freddie Mercury e seus companheiros Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen, durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas."

Essa semana o filme não será uma estreia nos cinemas, mas sim um dos com mais indicações ao Oscar 2019. Estamos falando de “Bohemian Rhapsody”, produção que conta toda a formação da icônica Queen. Estrelado por Rami Malek, o longa-metragem passou por bastantes polêmicas antes de ser lançado e coroado com indicações e conquistas na temporada de premiações. 

O filme conta a história de Freddie Mercury e seus companheiros Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen, durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas. 

Sabe-se que o filme conta a história da banda, mas obviamente que a vida de Freddie Mercury é o foco da produção. Com isso, a atuação de Rami Malek acaba sendo um ponto crucial da trama. Visualmente está perfeito e, nas cenas onde não é necessário cantar, ator dá conta do recado. O problema é que estamos falando de Freddie Mercury e os momentos musicais são os mais emblemáticos. 

Nesse aspecto, Malek peca e não é pouco. Todos sabem que ele dubla no filme, mas falta verdade no trabalho dele. Peguei-me comparando-o com o que Andreia Horta fez no filme “Elis”. Ela também dubla, mas passa verdade. Todos acreditam que ela está cantando. No caso de Malek isso não existe. Falta verdade e isso prejudica muito o trabalho do ator. 

Além disso, a produção sofre com furos de roteiro e/ou histórias contadas de formas diferentes. Muitos são os fatos inventados ou adiantados/atrasados na narrativa do filme. Basta uma pequena pesquisa sobre licenças poéticas que foram tomadas para descobrir isso. Sem falar que o filme não traz nada realmente inédito. Todas essas histórias já eram de conhecimento do público por livros e documentários. 

“Bohemian Rhapsody” está longe de ser um filme ruim, ainda mais para mim que não conheço tão profundamente a história da banda. Contudo, não pode ser considerado o melhor filme do ano. Muito menos Malek pode ser visto como o melhor ator. A produção é boa por mexer com um fenômeno da cultura e que toca no coração de todos, porém peca nos aspectos técnicos de filme.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Crítica de Alita – Anjo de Combate

Filme: Alita – Anjo de Combate
País: EUA, Argentina, Canadá
Classificação: ---
Estreia: 14 de fevereiro de 2019 
Duração: 122 minutos
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Robert Rodriguez, James Cameron e Laeta Kalogridis
Elenco: Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connelly

"Uma ciborgue é descoberta por um cientista. Ela não tem memórias de sua criação, mas possui grande conhecimento de artes marciais. Enquanto busca informações sobre seu passado, trabalha como caçadora de recompensas e descobre um interesse amoroso."

Já adianto que hoje não é um filme do Oscar e nem uma grande pérola do cinema, porém posso afirmar que é um entretenimento honesto e que, com certeza, irá divertir muita gente. Estou falando da produção “Alita – Anjo de Combate”, dirigida por Robert Rodriguez e que adapta um mangá de mesmo nome. 

O longa-metragem conta a história de uma ciborgue que é descoberta por um cientista. Ela não tem memórias de sua criação, mas possui grande conhecimento de artes marciais. Enquanto busca informações sobre seu passado, trabalha como caçadora de recompensas e descobre um interesse amoroso. 

Em 2008, com “Homem de Ferro”, teve início as adaptações de histórias em quadrinhos e pode-se ver que o mesmo está sendo feito – ou tentado – com os mangás. Ano passado saiu “Ghost in the Shell” e agora foi à vez de outra ‘super-heroína’ feminina ganhar sua adaptação nas telonas. 

E, comparado com o filme de Scarlett Johansson, já podemos afirmar que Alita é superior. A produção tem cenas de ação melhores coreografadas e consegue deixar o telespectador sem fôlego e apreensivo em alguns momentos. Além disso, todos os efeitos especiais são muito bem desenvolvidos pelo diretor. 

O grande problema do longa-metragem está no roteiro, que acaba desenvolvendo cenários inverossímeis e mirabolantes demais. Isso não estraga a experiência de quem vai ao cinema, mas pode incomodar quem espera algo mais complexo. Talvez possa atrapalhar também quem leu o mangá, mas esse não é meu caso. 

“Alita – Anjo de Combate” é um bom entretenimento para as férias. Cenas de ação bem desenvolvidas, romances impossíveis e uma trama que deixa tudo pronto para sua sequência. Tudo isso é visto na produção que chega aos cinemas na próxima semana. Se possível, assista no IMAX para ter a experiência completa.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Crítica de Pantera Negra

Filme: Pantera Negra
País: EUA
Classificação: 14 anos
Estreia: 15 de fevereiro de 2019 
Duração: 135 minutos
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Joe Robert Cole e Ryan Coogler
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o

"Após a morte do rei T'Chaka, o príncipe T'Challa retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo. T'Challa logo recebe o apoio de Okoye, a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri, que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia, a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue, que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás."

Finalmente saíram os indicados do Oscar 2019. Ao todo, mais de 35 filmes foram indicados em todas as categorias – destes, eu pude assistir míseros oito, mas estamos trabalhando para solucionar esse problema. Contudo, uma indicação chamou a atenção de todos e pude notar que o longa-metragem em questão passou batido por aqui. Estou falando de “Pantera Negra”, o primeiro filme de super-herói indicado na categoria de melhor filme. 

Para quem não sabe, o filme se passa após a morte do rei T'Chaka, quando o príncipe T'Challa retorna para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino. T'Challa logo recebe o apoio de Okoye, a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri, que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia, a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue, que roubou vibranium de Wakanda. 

Mas porque falar de um filme que estreou nos cinemas no início de 2018 somente agora? Porque a indicação de “Pantera Negra” para a principal categoria do Oscar é algo que marcará uma geração. Além de ser o primeiro longa-metragem de super-heróis a receber essa indicação, a produção também marca a representatividade de negros na premiação. Com isso, temos um fenômeno da cultura pop sendo lembrado na maior premiação cinematográfica do mundo. 

Além de todos esses aspectos sociais, “Pantera Negra” também entrega um filme muito bem feito. As atuações são concisas e a direção de Ryan Coogler (uma pena ele não ter sido indicado ao prêmio). Isso sem falar de todas as partes técnicas (a produção também foi indicada nas categorias de melhor trilha sonora original, melhor figurino, melhor mixagem de som, melhor direção de arte e melhor edição de som), que mostram a importância da obra para o cinema como um todo. 

“Pantera Negra” é um ótimo filme – estava na minha lista de melhores de 2018 – e já pode ser visto em plataformas de streaming e TV fechada. Com certeza vale a pena para quem gosta de um bom longa-metragem, independente do gênero. Quem quiser fazer a maratona para o Oscar 2019 também pode começar por este que foi uma grata surpresa do ano passado e, mesmo sem ter vencido nada ainda, já pode ser considerado um marco do cinema.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Crítica de A Favorita

Filme: A Favorita
País: EUA, Reino Unido, Irlanda
Classificação: 14 anos
Estreia: 24 de janeiro de 2019 
Duração: 120 minutos
Direção: Yórgos Lánthimos
Roteiro: Deborah Dean Davis e Tony McNamara
Elenco: Olivia Colman, Rachel Weisz, Emma Stone

"Na Inglaterra do século XVIII, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana. Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail, nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única."

O cinema no Brasil em início de ano é algo maravilhoso. É nesse período que grandes filmes, com força para as premiações, chegam ao país e transformam a experiência cinematográfica. Após o bom filme “Assunto de Família”, foi a vez de “A Favorita”, um dos vencedores dos primeiros prêmios da temporada e entre os favoritos (perdoem o trocadilho) para receber indicações ao Oscar de 2019. 

O filme se passa na Inglaterra do século XVIII, onde Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana. Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail, nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes à oportunidade única. 

A produção é complexa e traz grandes nomes como protagonistas: Emma Stone, Rachel Weisz e Olivia Colman. Todas com as suas personagens muito bem desenvolvidas. Com isso atrelado ao desempenho das três (todas estão cotadas em premiações) fazem com que o filme consiga entregar uma história visceral e verdadeira sobre as ambições e soberbas de cada uma. 

Tudo isso graças ao trabalho do diretor Yorgos Lanthimos, que consegue montar um filme diferente de tudo o que havia se visto em filmes de época. Ele tira do pedestal e do posto máximo de inteligência a corte e coloca os egoísmos e jogos de interesse em foco. Com isso, se descontrói todas as histórias conhecidas sobre aquele período – a história é baseada em fatos. 

O longa-metragem se passa praticamente todo dentro do palácio da Rainha Ana e toda a ambientação, seja da arquitetura da época como também das vestimentas e costumes, são mantidos por Lanthimos. Com isso, o trabalho do diretor ganha mais força não apenas nas principais categorias das premiações, mas sim também em partes técnicas, podendo levar bons troféus para casa. 

“A Favorita” estreia apenas no dia 24 de janeiro, mas para quem tiver interesse em assistir um bom filme neste início de ano, garanto que vale a pena ir ao cinema. O longa-metragem cumpre seu papel de entreter com uma história cheia de reviravoltas e, muitas vezes, até novelescas. Contudo, nada perde a consistência e verossimilhança criada pelo talentoso diretor.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Crítica de Assunto de Família

Filme: Assunto de Família
País: Japão
Classificação: 14 anos
Estreia: 10 de janeiro de 2019 
Duração: 121 minutos
Direção: Hirokazu Kore-eda
Roteiro: Hirokazu Kore-eda
Elenco: Lily Franky, Sakura Andô, Kiki Kirin

"Depois de uma de suas sessões de furtos, Osamu e seu filho se deparam com uma garotinha. A princípio eles relutam em abrigar a menina, mas a esposa de Osamu concorda em cuidar dela depois de saber das dificuldades que enfrenta. Embora a família seja pobre e mal ganhem dinheiro dos pequenos crimes que cometem, eles parecem viver felizes juntos até que um incidente revela segredos escondidos, testando os laços que os unem."

Iniciamos 2019, voltamos aos cinemas e, finalmente, teve início a temporada de premiações nos Estados Unidos. Quando isso acontece, o Brasil fica recheado de ótimos filmes estreando - principalmente no início do ano. É o momento que o público daqui conhece o que foi de melhor produzido no cinema em 2018. Para começar isso, nada melhor do que o bom filme japonês que representará o país no Oscar deste ano, “Assunto de Família”.

O filme começa logo após uma das sessões de furtos de Osamu e seu filho, quando se deparam com uma garotinha. A princípio eles relutam em abrigar a menina, mas a esposa de Osamu concorda em cuidar dela depois de saber das dificuldades que enfrenta. Embora a família seja pobre e mal ganhem dinheiro dos pequenos crimes que cometem, eles parecem viver felizes juntos até que um incidente revela segredos escondidos, testando os laços que os unem.

A produção é cheia de nuances e muda há todo momento. Existem situações onde se acredita que ali existe uma família “normal”, mas que logo é surpreendido. O talento do diretor está em conseguir transformar todas as peculiaridades daquelas pessoas em algo orgânico e verossímil. Isso sem falar no talento do diretor em construir a empatia com o público, que acaba torcendo para que o assalto dê certo ou que não descubram o paradeiro da avó da família.

“Assunto de Família” é o que o próprio nome quer dizer. É a constituição de uma família, com suas dificuldades e perrengues, mas aproveitando as coisas simples da vida. Tudo baseada em dificuldades e percalços enfrentados por todos. Cada um na sua realidade e com o seu problema. Um filme que começa com uma pegada simples e acaba se transformando em uma trama que flerta com os suspenses ou filmes policiais, tamanho o drama desenvolvido.

Não posso deixar de dizer que o longa-metragem japonês é uma grata surpresa neste início de 2019. Obviamente que esse é o primeiro filme estrangeiro do Oscar que assisto, mas podemos afirmar que aqui se encontra um dos favoritos a estatueta. Isso por ter conhecimento do seu alcance e conseguir transformar uma história simples e cotidiana em uma produção envolvente e cativante.

Guilherme Wunder