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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Coletivo Quadrante Sul analisa participação na oitava Comic Con RS

Aconteceu no último final de semana, em Canoas, a oitava edição da Comic Con RS. O evento, que é realizado pela produtora Multiverso, teve como sede o campus da Ulbra. Entre os convidados estava o quadrinista britânico Glenn Fabry e o ator e comediante Daniel Furlan, conhecido pelo canal do YouTube do Choque de Cultura. 

Foto: Divulgação
Ao todo, foram dezenas de convidados que se dividiram entre os dois palcos simultâneos para participar de debates e painéis sobre o universo das histórias em quadrinhos em suas mais diversas mídias, além de abordar outros assuntos da cultura pop. Além disso, também teve o espaço do Artists Alley, onde artistas independentes e locais divulgam os seus trabalhos. 

E, dentro deste espaço conhecido por democratizar os artistas, estavam presentes os artistas da Quadrante Sul Comics. O coletivo alvoradense, fundado pelo professor Denílson Reis, aproveitou o evento para apresentar seus lançamentos de revistas e fanzines. 

Entre os lançamentos levados pelo coletivo estavam “Contos de Horror”, “Quadrante Sul 08”, “Conanzine 02”, “Peryc Especial” e “Exterminador Especial”. Segundo Denílson Reis, mesmo com a diminuição de expositores, as publicações tem mantido a boa receptividade. “O público já se acostumou a procurar nossa mesa para ver quais as novidades. Isso é muito bacana, pois mostra que a Quadrante Sul tem formado público leitor”, afirma o alvoradense. 

Já falando sobre o evento, o fundador do coletivo falou que, apesar de conseguir manter o público, a CCRS acabou decepcionando. “Vejo que as atrações têm perdido um pouco o brilho. Mesmo tendo sempre um convidado internacional, a produção tem pecado na busca de artistas nacionais consagrados. Assim, a programação tem perdido um pouco da atração para o público fã de quadrinhos”, confessa Reis. 

Para Paulo Kobielski, membro do Quadrante Sul, a proximidade com os artistas é considerado um dos diferenciais para que eventos como esse. “Esse ano, o evento trouxe uma figura sensacional, o desenhista Glen Fabry. O cara atendeu a todos, dando autógrafos, sempre esbanjando alegria. Quando de passagem pela nossa mesa, o convidamos pra experimentar um chimarrão, prontamente ele pegou a cuia e sorveu o mate, e ainda ofereceu pra sua filha, que o acompanhava”, confessa o alvoradense. 

Questionado sobre a importância do evento, o alvoradense afirmou que essa é a oportunidade para divulgarem as publicações ao grande público. “Esse ano tivemos cinco lançamentos entre fanzines, revistas e livros de quadrinhos. Penso que nossas publicações tem agradado o público em geral, haja vista, os comentários dos consumidores. Para nós, isso, é uma grande satisfação”, conclui Kobielski.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Quadrante Sul Comics prepara participação na Comic Con RS 2018

Foto: Divulgação
Acontece neste final de semana, 04 e 05 de agosto, mais uma edição da Comic Con RS (CCRS). Essa será a oitava edição da maior e mais tradicional convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul. O evento promovido pela produtora Multiverso acontece no campus da Ulbra em Canoas, com ingressos à venda pelo site www.comicconrs.com.br/ingressos. 

Como já é tradição, a Quadrante Sul Comics, editora fundada pelo alvoradense Denílson Reis, estará presente com um estande no local e lançará novidades. Ao todo, serão cinco publicações que ganharão vida no evento de Canoas. 

Em entrevista com um dos líderes do coletivo, Denílson Reis, foi falado sobre a expectativa para esta edição do evento. “A ComicConRS é o evento que coloca o quadrinho independente na vitrine com um artists alley (beco dos artistas) que evidencia a profusão de quadrinhos no Brasil. Desta forma não poderíamos ficar de fora deste grande evento”, afirma o alvoradense. 

Confira abaixo os lançamentos que o coletivo levará ao evento: 

  • Contos de Horror: Seis clássicos do mestre Shimamoto restaurados e reunidos pela primeira vez. Histórias originalmente publicadas nas revistas Medo (Press), Mestres do Terror e Calafrio (D’Arte) e Spektro (Vecchi). Participação especial de Júlio Emílio Braz. Produção conjunta Atomic Books e Quadrante Sul Comics.
  • Quadrante Sul 08: Revista em quadrinhos com mix de personagens e gênero de quadrinhos. Neste número HQs de Jean Magalhães (MG) & Anderson Andf (RS), Marcelo Silveira (RS) & Jader Correa (RS), Gervásio Santana (RS), Carlos Lima (PB), Sullivan Suád (MA) & Zilson Costa (MA), Jerônimo Souza (RS) & Iwfran Costa (PA), Eugênia Leitzke (RS), E mais: homenagem ao amigo Diego Muller (in memorian) escrito por Fabiano Holtz (RS), dossiê Quadrante Sul e a estreia do Grande Momento do Fanzines com um resgate de uma HQ de Jack Jadson (PA) originalmente publicada no fanzine Tchê nos anos 1990.
  • Conanzine 02: Fanzine em homenagem ao personagem Conan, O Bárbaro. Este número é dedicado à revista A Espada Selvagem de Conan, publicada pela Editora Abril. O zine traz uma coletânea de ilustrações que reproduzem as capas dos números 1 ao 20 da revista, com releituras produzidas especialmente para esta publicação feitas por Adão de Lima Jr (RS), Bira Dantas (SP), Carlos Franzoy (SP), Carlos Lima (PB), Clayton Cardoso (RS), Dennis Oliveira (MG), Edenilson Fabrício (SP), Eric Ricardo (MG), Heraldo Wilson (RJ), Humberto Yashima (PR), Jader Correa (RS), João Paulo Vieira (MG), Josias Silveira (RS), Juliano Kaapora (SP), Mozart Couto (MG), Paulo Fernando (CE), Rafael Costa (RS), Sílvio Ribeiro (RS) e Vantuir Pott (SC).
  • Peryc Especial: Fanzine especial com o personagem Peryc, O Mercenário criado por Denílson Reis. O zine apresenta três HQs com textos de Denílson Reis e Sandro Andrade e a arte espetaculares de Sandro Andrade (RS), Matias Streb (RS) do mestre Mozart Couto (MG). Ainda, ilustrações de Silvio Ribeiro (RS) e Shiko (PB).
  • Exterminador Especial: Fanzine especial com o personagem Bruce, O Exterminador criado por Denílson Reis. O zine apresenta três HQs com texto de Denílson Reis e a arte deslumbrante do mestre Júlio Shimamoto. 

Guilherme Wunder

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Quadrante Sul Comics lança trabalhos em evento de quadrinhos

Foto: Divulgação
Acontece neste final de semana, em Canoas, a sétima edição da ComicCON RS. O evento, que é realizado pela produtora Multiverso, terá como sede o campus da Ulbra. A convenção de quadrinhos é considerada a maior do Rio Grande do Sul e, neste ano, terá como grande convidado o artista espanhol José Luis García-López, conhecido por ter desenhado o Guia de Estilo da DC Comics, espalhando pelo mundo sua arte em produtos licenciados da editora de personagens como Batman, Superman e Mulher-Maravilha.

Ao todo, serão quase 50 convidados que vão se dividir entre os dois palcos simultâneos, que devem receber debates e painéis sobre o universo das histórias em quadrinhos em suas mais diversas mídias, além de abordar outros assuntos da cultura pop. Além disso, também existirá o espaço do Artists Alley, onde artistas independentes e locais terão mesas para divulgar os seus trabalhos.

Lançamentos alvoradenses

E, dentro deste espaço conhecido por democratizar os artistas, estará presente a Quadrante Sul Comics. O coletivo alvoradense, fundado pelo professor Denílson Reis, vai aproveitar o evento para apresentar seus lançamentos de revistas e fanzines. O alvoradense destaca que está ansioso por poder, em um evento deste porte, fazer o pré-lançamento da Coleção Tchezine.

“Neste ano de 2017 estou completando 30 anos de publicação de fanzines e isso de forma ininterrupta, o que transforma meu trabalho em algo significativo na área dos quadrinhos no Brasil. Então, poder lançar este trabalho que reúne 120 páginas de histórias em quadrinhos que publiquei ao longo de 30 anos em um evento como a ComicCON RS será algo significativo, onde poderei traçar novas metas para os anos que se seguirão. Por outro lado, um evento como esse congrega o que há de melhor no quadrinho gaúcho, além dos convidados especial, como José Garcia-Lopez. Estar ao lado deste pessoal e trocando experiências é algo muito significativo e importante para a continuidade de meus projetos”, conta Reis.

A Coleção Tchezine vai apresentar compilações de quadrinhos publicados nos fanzines editados por Reis. O primeiro volume, que é alusivo aos 30 anos, tem capa de Daniel HDR e cores de Matias Streb. Além disso, Denilson também estará divulgando o oitavo volume da revista Quadrante Sul, que deve ser um mix de obras de diversos autores. Outro lançamento que será feito no evento é o fanzine que homenageia os 35 anos do primeiro filme de Conan. A publicação será uma coletânea de artes apresentando as versões de cada artista convidado par o personagem.

Além de Denílson, o professor e fanzineiro, Paulo Kobielski, estará lançando duas novas publicações: Mundo Gibi 02, que destaca o trabalho do artista R.F. Lucchetti. A outra obra será Fantasma Artzine 02, que é uma coletânea de artes com vários ilustradores fazendo sua versão do Fantasma. O ilustrador Adão de Lima Júnior também estará junto com o coletivo. O alvoradense levará uma série de prints com artes exclusivas e também estará apresentando a série Chimas nas Estrelas, uma paródia gaudéria da série Star Wars.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Gustavo Duarte fala sobre sua carreira no mundo dos quadrinhos

Uma das atrações da 5ª Comic Con RS, que aconteceu no mês de agosto, em Canoas, foi o quadrinista e cartunista paulista Gustavo Duarte. O artista estava entre os mais requisitados (e atenciosos) pelo público presente no evento e, entre seus painéis e sessões de autógrafos, sempre arrumava um tempo para ficar no artist alley do evento, para atender aos fãs que o procuravam.

Gustavo Duarte participou de entrevistas e painéis durante os dois dias de evento. Foto: Cristiano Correa
Para quem não conhece o artista, vale aqui dizer que ele foi um dos primeiros artistas que tiveram a oportunidade de participar do selo Graphic MSP, onde contou a história do Chico Bento, intitulada Pavor Espaciar. Além disso, Gustavo também lançou as HQs Táxi, Có!, Birds e Monstros. Esses trabalhos foram lançados de forma independente e, posteriormente, a Companhia das Letras publicou elas no Brasil e a Dark Horse lá nos Estados Unidos.

Isso tudo sem falarmos dos seus mais recentes trabalhos para as duas grandes editoras estadunidense, Marvel e DC Comics. Enquanto na primeira ele trabalhou com os Guardiões da Galáxia, no segundo foi com o personagem Bizarro que ele conquistou seu espaço. Segundo o próprio artista nos contou logo após o painel das Graphic MSP, esse reconhecimento e, posteriormente, convite para trabalhar nas duas editoras foi graças as suas publicações independentes que a Dark Horse levou para lá.

Entre os painéis que o paulista participou estava o que falava das diferenças entre publicação independente e de editora. Foto: Cristiano Correa
Gustavo ainda conta que foi assim que ele teve a oportunidade de mostrar o seu trabalho, afinal foi com a Dark Horse que ele conseguiu colocar seus trabalhos em praticamente todas as comic shops dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. E foi nesse último país que o convite de trabalhar na Marvel surgiu.

“O Andy Lanning, que é o escritor que me chamou para trabalhar na Marvel, foi o cara que, junto com o Dan Abnett, formou esses Guardiões que a gente conhece, com o Groot, Rocky e Gamora. Ele conheceu Monstros, gostou do meu traço e me convidou para fazer uma história do Groot, porque ele fala mas não fala e combinaria com a minha ideia de história muda”, destaca o paulista.

Na DC Gustavo teve a oportunidade trabalhar nas HQs do Bizarro. Arte: Gustavo Duarte
Com certeza foi com os Guardiões que o artista acabou ganhando cada vez mais espaço no mercado americano, algo que a DC Comics viu e aproveitou para convidá-lo a desenhar um personagem tão querido e, ao mesmo tempo, vilanesco da editora: o Bizarro. Para Gustavo essa foi uma experiência incrível e ele gostou muito de trabalhar com um personagem que, segundo o artista, tinha uma veia tão cômica que não era aproveitada pelos autores que o viam mais como vilão do que como um cara diferente.

Uma das dúvidas que eu tinha e que foi respondida pelo cartunista era sobre quais são as diferenças entre se produzir uma história mais tradicional, com diálogos e desenhos, para o seu estilo, onde as histórias, em sua maioria, são mudas. Gustavo foi franco e disse que o “difícil é fazer bem feito”. Segundo o autor, é possível se compreender um bom quadrinho só com os desenhos. “É óbvio que a fala é sim importante mas, como um artista, eu tenho que conseguir expressar as coisas que eu quero passar só com desenhos”, ressalta o artista.

Além disso, também fez parte da Graphic MSP em Pavor Espaciar. Arte: Gustavo Duarte
Outro trabalho de Gustavo que não poderia deixar de ser falado nessa entrevista foi a sua graphic MSP, Chico Bento – Pavor Espaciar. O quadrinista foi o autor da terceira história que o projeto lançou. O paulista contou que, desde o início, sempre teve vontade de trabalhar com esse personagem, que é o seu favorito das criações de Mauricio de Sousa. Além disso, Gustavo também falou sobre como foi trabalhar com o querido caipira que está tão presente no nosso imaginário.

“Eu tinha liberdade sim. Óbvio que não podia fazer sacanagem, sangue e outras coisas que não combinavam com o personagem, mas eu tinha sim liberdade para criar a minha história. Até porque, mesmo se pudesse, eu não teria coragem de fazer isso com um personagem tão querido pelo público, e me incluo nisso”, concluiu o artista, que também revelou que já esta´trabalhando em, pelo menos, três novos livros e que sente falta de trabalhar em algo dele. O que os leitores podem fazer agora é esperar o que esse autor pode produzir e nos presentear.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O homem por trás da Graphic MSP

Sidney Gusman com o primeiro lançamento do projeto. Foto: Adalton Silva
Atualmente um dos maiores fenômenos dos quadrinhos no Brasil continua sendo as histórias da Turma da Mônica. Mas, para quem pensa que são os clássicos gibis, estão enganados. Não é que os formatinhos das criações de Maurício de Sousa estão caindo nas vendas, mas sim que têm um projeto da marca que vêm conquistando cada vez mais fãs: são as graphics novels MSP.

O projeto, que já têm onze quadrinhos lançados, ousa em convidar quadrinistas brasileiros para desenhar e roteirizar novas histórias da Turma da Mônica, Astronauta, Chico Bento e etc. No mês de novembro, durante a FIQ, foi lançado mais uma HQ, dessa vez do Louco. Além disso, o público pode conhecer também quais serão os quatro lançamentos de 2016: Papa Capim, Astronauta III, Bidu 2 e Mônica.

Os teasers dos projetos já lançados e os quatro próximos quadrinhos, que devem sair em 2016. Foto: Divulgação

Esses anúncios foram feitos em novembro, mas nós, do Blog do Wunder, conversamos com Sidney Gusman, editor-chefe da Maurício de Sousa Produções e idealizador do projeto que se tornou referência no que se diz respeito a quadrinhos brasileiros. Para quem não conhece o nosso entrevistado da semana, vale ressaltar que Sidney é também o fundador do Universo HQ e conhecido por ter escrito sobre quadrinhos em grandes veículos, como Estadão e Folha de São Paulo.

O bate-papo aconteceu em agosto, durante a Comic Con RS, aonde Sidney foi um dos convidados e homenageados do evento. Durante a programação, o jornalista participou de painéis dedicados as graphic MSP e também nas homenagens, ganhando a medalha Renato Canini. O evento foi realizado no campus de Canoas da Ulbra.

Medalha Renato Canini foi entregue no segundo dia do evento. Foto: Cristiano Correa
Não é pouca coisa o currículo do homem não hein? Pois é, como vocês podem ver Sidney é fera e, em 2006, quando começou a trabalhar com o Mauricio de Sousa, virou referência no mundo dos quadrinhos por editar todas as publicações da marca Turma da Mônica. Mas, acho que é bom que ele mesmo conte como esse convite aconteceu, afinal, ele também se surpreendeu com o convite tanto como eu com o momento.

“Em 2005 eu passei o ano inteiro entrevistando o Mauricio para um livro que eu escrevi e que foi publicado pela Globo. E durante uma sessão de autógrafos de lançamento desse livro, um fã perguntou para ele quando a gente ia trabalhar junto e ele respondeu que nós ainda íamos fazer muitas coisas juntos. Eu até me assustei na hora, porque ele nunca tinha me dito isso”, relata Sidney.

A entrevista, realizada em agosto, foi registrada pelos fotógrafos do evento. Foto: Cristiano Correa
Depois disso tudo é história. Até o surgimento das graphic MSP. Segundo Sidney, a ideia surgiu no projeto de comemoração dos 50 anos do Mauricio. “Em 2011, enquanto conversávamos, expliquei para ele a ideia de seguir e criar as graphic novels. Na época ele ficou meio ressabiado, mas expliquei que eu escolheria os personagens e os autores e editaria com todo o cuidado cada uma das HQs que saísse”, confessa o jornalista.

Sidney concluiu essa conversa contando o único pedido feito pelo Maurício: “cuide dos meus filhos como se fossem os teus” disse o criador. Agora, depois dos anúncios do FIQ e do que já vimos ao longo dos anos, podemos dizer para o Mauricio que sim, o Sidney está cuidando muito bem dos filhos dele.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 4 de março de 2016

Eduardo Damasceno: conheça um dos pioneiros do financiamento coletivo no Brasil

Mineiro é conhecido por trabalhos como Achados e Perdidos e Bidu - Caminhos. Foto: Divulgação
Mineiro que chega de mansinho e conquista fãs por todo o Brasil. Não é exagero nenhum definir o quadrinista Eduardo Damasceno com esses adjetivos. E se para quem ouve isso e nunca teve a oportunidade de conhecer o artista pessoalmente já pensa isso, quando o encontro presencial acontece toda essa simpatia se confirma. Pelo menos foi assim quando tivemos a oportunidade de entrevistá-lo na 5ª Comic Con RS, que aconteceu no mês de agosto, em Canoas. 

Para quem não sabe, Eduardo era um dos convidados do evento e participou de sessões de autógrafos e painéis, como o que teve como pauta as graphics MSP e que contou com a presença de quase todos os autores presentes e, sem sombra de dúvidas, o que contou com maior participação do público. Antes disso foi possível, entre palestras e autógrafos, conversar um pouco com o mineiro sobre temas da carreira dele e também do mercado do crowdfunding no país.

Painel sobre as Graphic MSP foi o que mais teve participação do público. Foto: Cristiano Correa
O quadrinista é conhecido por muitos por ter tido a primeira história em quadrinhos publicada através dos recursos arrecadados por financiamento coletivo, intitulado Achados e Perdidos e que reuniu 30 mil reais. Os números já são altos por si só e, quando pensamos que em 2011 (quando o projeto foi financiado) essa ferramenta não era tão conhecida na época, e possível ver o quão importante ele pode ser considerado para o mercado nacional.

Damasceno conta que sempre foi um entusiasta do crowdfunding e vê a plataforma como uma ferramenta que facilita a publicação de materiais que acabam não indo para as editoras. Segundo o mineiro, para adentrar nesse mercado foi necessário superar dois pontos que assustaram ele e o seu parceiro de trabalho, Luis Felipe Garrocho (que terá uma entrevista por aqui em breve): a falta de referências de sucesso e de reconhecimento do grande público.

Após painel, todos os artistas envolvidos no selo MSP participaram de sessão de autógrafos do evento. Foto: Cristiano Correa
“Realmente nós não tínhamos referência nenhuma de como faríamos para divulgar e conseguir alcançar a nossa meta e hoje em dia já é possível pegar alguns projetos de sucesso e se inspirar no que eles fizeram”, exemplifica Eduardo, que ainda completa “Só que não existe um jeito certo e nem uma fórmula de sucesso de como fazer algo assim, então não consigo avaliar se foi tão ruim não termos em quem nos inspirar na época”.

Com Achados e Perdidos, a dupla venceu o 24º Troféu HQMix, na categoria Homenagem Especial, no ano de 2012. No ano seguinte, lançou, também com Garrocho, a graphic novel infantil Cosmonauta Cosmo e, posteriormente, a dupla foi convidada para participar do projeto Graphic MSP, criando uma HQ com o personagem Bidu. Na história do carrochinho querido pela Turma da Mônica, os parceiros de trabalho contaram a história de como Bidu conheceu o seu melhor amigo, Franjinha. 

Uma das previews da primeira história do Bidu escrita pela dupla. Arte: Divulgação
O mineiro contou que, depois de começar a trabalhar nessa área, tanto ele quanto Garrocho começaram a conhecer outras pessoas que já estavam inseridas no mercado de quadrinhos, como, por exemplo, Vitor e Lu Cafaggi. Foi graças aos dois que eles conheceram o projeto Graphic MSP. “Quando vimos isso a primeira coisa que pensamos era qual personagem gostaríamos de trabalhar. Isso antes de nos convidarem. E eu e o Garrocho sempre falamos que o mais difícil de se fazer é o Bidu, porque eu não sabia desenhar cachorro e a gente não fazia ideia de que histórias poderíamos contar”, confessou Damasceno. 

Mas, quem leu Caminhos (título da história contada pelos dois) sabem que eles fizeram um bom trabalho. E, agora, esses mesmos leitores estão ansioso para ver a continuação das histórias do personagem. Na FIQ 2015, Sidney Gusman anunciou Bidu 2 para 2016, algo que os fãs queriam muito ver (eu mesmo perguntei isso para ele quando teríamos uma continuação). Depois dessa conversa rápida, mas produtiva, Eduardo seguiu para os seus painéis e também acompanhou Lu Cafaggi, que é sua companheira. E, o que nos resta agora, é esperar para conferir esse e outros trabalhos do mineirinho que chegou de mansinho e que conquistou mais um fã em sua estadia em Porto Alegre.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Leandro Fernandez, Far South e quadrinhos de super-heróis

Artista esteve presente nos dois dias de CCRS. Foto: Cristiano Correa
Quem esteve presente na 5ª Comic Con RS, que aconteceu no mês de agosto, em Canoas, teve a oportunidade de conhecer grandes nomes do quadrinho nacional e internacional. Entre os grandes artistas presentes no evento, tivemos três estrangeiros que chamaram a atenção do público: Peter Milligan (Hellblazer e Homem-Animal), Rodolfo Santullo (Far South) e Leandro Fernandez (Wolverine e Justiceiro). E, para grande euforia deste que vos escreve, tivemos a oportunidade e o privilégio de entrevistas o último desses artistas citado.

Em meio a um portunhol bem meia-boca, aonde eu, com toda a minha “experiência” entrevistando estrangeiros (isso aconteceu apenas uma vez e foi na 4ª Multiverso Comic Con, com o Salvador Sanz) foi possível conversar e conhecer um pouco mais desse artista tão bem-visto e conceituado no mercado norte-americano de quadrinhos. Cabe ressaltar aqui que o argentino estava no Brasil para participar do evento, aonde esteve presente em painéis, sessões de autógrafos e também no lançamento de Far South, publicada no Brasil pelo selo Stout Club.

Entre os painéis que o argentino participou um dos que mais tiveram público foi Vertigo: todas as etapas de produção de uma HQ do selo – caso The Names. Foto: Cristiano Correa
No lado de fora do evento, sentamos nós dois para um bate-papo curto, que duraria pouco mais de dez minutos, onde Leandro pôde me contar um pouco mais sobre sua trajetória. O argentino falou que, desde sempre quis ser desenhista, mas que no início era mais como hobby e diversão do que como um modo de ganhar a vida. “Me profissionalizei muito com o longo do tempo e me relacionando com outros nomes do mercado, principalmente com Eduardo Risso”, conta o quadrinista.

Para quem não conhece o argentino Eduardo Risso, saibam que ele era o desenhista responsável pela história 100 Balas, publicada pela Vertigo e que venceu o Eisner Awards de 2002, como melhor artista. Segundo Leandro, foi com ele que o seu trabalho começou a ganhar destaque no mercado internacional. “Trabalhando com o Eduardo Risso comecei a trabalhar profissionalmente com quadrinhos, primeiramente na Itália e, depois, para o mercado americano”, relata o artista.

Punisher é um dos grandes trabalhos do artista ao longo dos anos
A Vertigo é um selo da DC Comics que é destinado a publicar histórias de um cunho mais adulto, com histórias mais pesadas. Na Marvel existe o selo MAX que tem esse mesmo objetivo e que está bem em vogue no momento por ter sido nele que Alias, história de introdução da personagem Jessica Jones e que serve de base para a série produzida pela Netflix. Nesse selo Leandro teve um de seus trabalhos de maior reconhecimento publicado, Punisher. Para o quadrinista, a liberdade e o seu estilo de desenho fazem com que ele prefira projetos como esse em vez de histórias de super-heróis publicadas por aí.

“Eu me sinto mais cômodo trabalhando em projetos para um público mais adulto, porque acho que minha arte combina mais com esse gênero. Não considero meu traço muito bom para desenhar super-heróis, por exemplo. Mas isso tudo é porque acho que minha arte se lê melhor em uma história adulta”, relata Leandro Fernandez.

Capa do projeto do artista que foi publicado no Brasil pela Stout Club. Arte: Leandro Fernandez
Depois desse diálogo extenso em conteúdo mas bem rápido com questão ao tempo em que conversamos, Leandro adentrou no tema que o fez vir no Brasil: Far South. Todas as tramas se passam em um cenário que lembra os clássicos filmes de faroeste, mas que não é lá nos EUA, mas sim em algum lugar aqui da América do Sul. Para o desenhista esse ambiente aonde a história acontece é o que fez com que ele publicasse, ao lado de Rodolfo Santullo, esse que é o seu primeiro trabalho publicado no seu país de origem.

“Depois de muito tempo nesse ritmo de trabalho eu senti a necessidade de fazer algo que pudesse ser lido e compreendido pelas pessoas com quem cresci e vivi. No início não existia nenhum planejamento e a gente foi produzindo a HQ quando dava, por entretenimento mesmo. Mas, depois de concluída, queríamos muito publicá-la na Argentina e em outros países. Para nós é uma alegria poder ter lançado no Brasil também e queremos continuar essa história em um livro maior”, contou o argentino.

Trecho de Far South, trabalho recente do artista que foi publicado no Brasil em agosto
O desenhista continuou contando um pouco mais sobre o sentimento de familiaridade que ele queria passar com essa história que também aborda a origem da sociedade do sul da América. Além disso, Leandro também falou sobre algumas características que eles usaram na trama e que ainda fazem parte da nossa realidade. “A nossa ideia era contar uma história de faroeste que se passasse nessa região e que mostrasse algumas características próprias do povo da época, como corrupção, sindicatos, bandidos rurais, entre outros elementos desagradáveis, mas comuns no passado e, infelizmente, no presente”, finalizou o argentino.

Depois disso Leandro gentilmente tirou uma foto comigo e continuou com a sua participação na 5ª Comic Con RS, que já está confirmada para 2016. Infelizmente eu não o encontrei mais e não pude pegar um autógrafo no meu exemplar de Far South, mas, mesmo assim, pude ver o porque de ele ser tão querido do público, afinal ele ficou horas depois autografando alguns de seus trabalhos publicados no Brasil.

Guilherme Wunder

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Stout Club apresenta para o público a HQ ‘Far South‘

A editora gaúcha Stout Club, fundada pelo quadrinista porto-alegrense Rafael Albuquerque, segue com seus lançamentos no país. Em agosto, durante a 5ª Comic Con RS, foi apresentada ao público a HQ ‘Far South’. Com textos de Rodolfo Santullo e arte de Leandro Fernandez, o enredo nos apresenta uma clássica história de faroeste que acontece no sul da América do Sul.

Foto: Cristiano Corrêa
O lançamento, que ocorreu na Ulbra, em Canoas, contou com a presença dos dois autores, além do estande da editora, onde estava presente Albuquerque. Além do próprio lançamento, também foram realizadas sessões de autógrafos e painéis sobre a produção da história. Durante o evento tivemos a oportunidade de conversar com o responsável pela arte e também com o nosso conterrâneo que trouxe essa publicação para o Brasil.

Leandro Fernandez já é conhecido do público brasileiro, afinal já foi o responsável pelas ilustrações de grandes personagens, como Wolverine e Justiceiro. Além disso já foi indicado ao prêmio Eisner, pela série Queen and Country. Mas, para quem pensa que o argentino não tinha novas pretensões, saibam que ele ainda precisava produzir mais um trabalho: publicar algo na Argentina.

- Depois de muito tempo nesse ritmo de trabalho eu senti a necessidade de fazer algo que pudesse ser lido e compreendido pelas pessoas com quem cresci e vivi. No início não existia nenhum planejamento e a gente foi produzindo a HQ quando dava, por entretenimento mesmo. Mas, depois de concluída, queríamos muito publicá-la na Argentina e em outros países. Para nós é uma alegria poder ter lançado no Brasil também e queremos continuar essa história em um livro maior.

Crédito: Divulgação/CCRS
O argentino conta que queria que as pessoas lessem a história e se sentissem familiarizados, afinal o roteiro aborda um pouco a origem da sociedade do sul da América. “A nossa ideia era contar uma história de faroeste que se passasse nessa região e que mostrasse algumas características próprias do povo da época, como corrupção, sindicatos, bandidos rurais, entre outros elementos desagradáveis, mas comuns no passado e, porque não, no presente”, destaca Fernandez.

Rafael Albuquerque conta que conhece os criadores de Far South há algum tempo e que sempre admirou o trabalho dos dois, além de ser fã de quadrinhos latino-americanos. O gaúcho também conclui dizendo que já tinha lido a HQ e explicou como funciona as publicações do Stout Club.

- Os trabalhos que eu trago para cá são coisas excelentes e que eu gostaria de ver sendo publicados aqui no Brasil. Foi assim que o ‘Far South’ veio para o nosso país. Eles se interessaram pela nossa proposta, que é um pouco diferente de outras editoras, e aconteceu.

Foto: João Eugênio Córdova
Agora só nos resta esperar para ver quais serão os próximos lançamentos do selo. Vale ressaltar que, até o fim do ano, mais alguns trabalhos devem ser apresentados ao público. Durante a FIQ foi lançado ‘Open Bar’ e na CCXP será publicada a HQ ‘Pra Casa do Cabeça’ e ‘Eight’.

Guilherme Wunder

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O crowdfunding como uma nova tendência do mercado de quadrinhos no Brasil

Lançada em agosto, "Pétalas" foi o primeiro projeto de quadrinhos do Catarse a ultrapassar 1000% de sua meta. Crédito: Divulgação
O mercado dos quadrinhos vem crescendo cada vez mais e um dos principais motivos para esse atual momento são as plataformas de financiamento coletivo. No Brasil existem plataformas que ganharam popularidade por dar espaço ao mercado independente de quadrinhos. Somente no Catarse, 124 quadrinhos já foram financiados, desde 2011, quando o site foi fundado. Isso significa que 66% das HQs obtiveram sucesso no financiamento. Em 2015, tivemos o lançamento de um grande trabalho através dessa ferramenta, que foi a HQ “Pétalas”, dos gaúchos Gustavo Borges e Cris Peter, que superou 1000% de sua meta, batendo o recorde do Catarse nessa categoria.

As histórias em quadrinhos ou, como são popularmente conhecidos, gibis, passaram por nuances de popularização e anonimato no Brasil. Mas, com o boom de séries de TV, filmes e novos projetos gráficos que renovaram o mercado das HQs no país, voltou a ser normal encontrar lojas e bancas vendendo quadrinhos, desde clássicos personagens da Marvel e DC, até histórias de editoras não tão populares e independentes.

No Brasil, dois fatores ajudaram a impulsionar novamente o mercado editorial que agrada cada vez mais antigos e novos leitores. O primeiro deles, ainda em 2012, foi o projeto Graphic MSP, da Mauricio de Sousa Produções. A ideia da produtora, conhecida pelos seus personagens clássicos, como Mônica, Chico Bento e Cebolinha, era contar novas histórias dessas figuras icônicas com roteiros e estilos diferentes, criados por uma nova leva de artistas brasileiros, como Eduardo Damasceno, Gustavo Duarte e Cris Peter.

O outro ponto que alavancou esse cenário, e que surgiu antes das graphic novels da Mauricio de Sousa Produções, foi a plataforma de financiamento coletivo Catarse, que ganhou adeptos das mais diferentes artes desde a sua fundação, em 2011. O sistema é baseado em conceitos de economia colaborativa e visa realizar algo como uma “pré-venda” de novos projetos. O sistema é bem simples: o público adquire as cotas e, caso o projeto alcance a sua meta financeira, o mesmo recebe em casa o que comprou. Se o trabalho não vingar, todos os apoiadores recebem o dinheiro de volta. 

Mas, em 2015, quando alguns quadrinistas já achavam que o mercado estava estagnado e saturado surgiu “Pétalas” - HQ dos gaúchos Gustavo Borges e Cris Peter, que superou 1000% de sua meta, batendo o recorde do Catarse nessa categoria. O projeto, que tinha pedido inicialmente 5 mil reais para ser financiado, acabou alcançando mais de 53 mil. E é esse mesmo trabalho que foi lançado nos dias 22 e 23 de agosto, durante a 5ª Comic Con RS, que aconteceu em Canoas.

Uma história que fala de generosidade

A trama conta a história da chegada de um estranho na vida de uma família de raposas durante um rigoroso inverno e trabalha muito com o conceito de generosidade. Gustavo Borges conta que tudo começou como um desafio na vida do autor, que sempre tinha trabalhando com tiras na internet, mas que queria trabalhar com algo maior e fechado. “Achei que já estava maduro o suficiente para tentar contar uma história fechada e de narrativa linear. Logo depois já me veio todos os conceitos que trabalho na história”, destacou Borges.

Crédito: Catarse
Apesar de já ter alguns trabalhos publicados e ser bastante conhecido do público, Gustavo ainda é bem jovem, tem apenas 20 anos. Mas, apesar de ainda estar começando nesse mundo, conseguiu chamar para trabalhar com ele a colorista Cris Peter, conhecida por diversos trabalhos para as grandes editoras norte-americanas. E foi depois dessa parceria confirmada que veio o grande desafio: disponibilizar no site de financiamento coletivo e começar a campanha de divulgação.

Cris conta que, desde o início, já sabia que o projeto conseguiria superar sua meta, que era de cinco mil reais, mas que nunca achou que chegaria na casa dos 50. “O Gustavo é um cara muito carismático e tem uma boa base de fãs que apoiaram esse trabalho. Só que quando ultrapassou os 30 mil eu me assustei e, de certa forma, fiquei muito contente em saber que existem pessoas interessadas em querer ler um trabalho tão bacana”, conta Cris, que já foi indicada ao prêmio Eisner, considerado por muitos o Oscar dos quadrinhos.

Mas mesmo com a certeza de Cris Peter de que o projeto seria financiado, Gustavo ainda se sentia relutante em buscar o financiamento coletivo. Isso foi até um dos motivos para que buscasse um valor tão baixo para publicar o trabalho. “Sempre achei que não conseguiria alcançar a meta. Até por isso que fiz o possível para tirar o máximo dos gastos para conseguir baratear o produto final e deixar em um orçamento mínimo”, destaca Borges.

Financiamento pioneiro no mercado de HQs

O primeiro projeto de quadrinhos financiado pela plataforma, ainda em 2011, foi a HQ “Achados e Perdidos”, de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho. O trabalho da dupla conseguiu arrecadar 30 mil reais e foi lançado no fim do mesmo ano, durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), que acontece em Belo Horizonte. Depois disso o nome da dupla acabou sendo presença constante em eventos e em grandes trabalhos no Brasil como, por exemplo, a graphic novel do “Bidu”, que faz parte da marca Graphic MSP.

Damasceno conta que sempre foi um entusiasta do crowdfunding, pois acompanha grupos de software livre há tempos e via isso como uma ferramenta para ajudar a publicar um pouco desse material que acaba não indo para as editoras. Mas eles buscavam ser os primeiros no Brasil a conseguir financiar uma HQ através dessa ferramenta e a falta de referências de sucesso e de reconhecimento do grande público acabaram assustando um pouco a dupla.

Eduardo Damasceno publicou, em 2011, a primeira HQ através do Catarse. Crédito: Cristiano Correa
“Realmente nós não tínhamos referência nenhuma de como faríamos para divulgar e conseguir alcançar a nossa meta e hoje em dia já é possível pegar alguns projetos de sucesso e se inspirar no que eles fizeram”, exemplifica Eduardo, que ainda completa “Só que não existe um jeito certo e nem uma fórmula de sucesso de como fazer algo assim, então não consigo avaliar se foi tão ruim não termos em quem nos inspirar na época”.

Mineiro de 32 anos, Eduardo Damasceno destaca que essa plataforma de financiamento já se transformou em uma tendência de mercado para os quadrinhos e, segundo ele, essa consolidação era o mais importante para que o Catarse pudesse crescer e publicar trabalhos com uma qualidade cada vez maior. Mas isso não quer dizer que o método ainda não necessite de aperfeiçoamentos. Segundo Damasceno essa proposta de publicação acaba exigindo muito tempo do artista que, muitas vezes, não vive só da arte e acaba não conseguindo se dedicar exclusivamente para o projeto.

O mercado de outro ponto de vista

Talvez um dos jornalistas e editores de quadrinhos mais conhecidos e respeitados no Brasil seja Sidney Gusman, um dos homenageados da Comic Con RS, pela sua importância para o quadrinho nacional. Editor-chefe da Mauricio de Sousa Produções e criador do projeto Graphic MSP, Sidney também é fundador do site Universo HQ e escreveu sobre HQs durante muito tempo para jornais de renome, como Estadão e Folha de São Paulo, além de revista como Playboy e Superinteressante. 

Sempre trabalhando com grandes artistas, alguns que surgiram através do financiamento coletivo, Gusman acredita que essa plataforma vem sendo muito bem aproveitada pelos autores e que grandes exemplos, como “Pétalas”, devem ser seguidos e se transformar em referências para esse mercado novo que ainda está se formando. “Esse sim é um grande exemplo de como se aproveitar a ferramenta e Gustavo foi muito inteligente em colocar uma meta tão baixa (5 mil reais) e diversas metas estendidas, pois o público já sabia que ia receber o seu quadrinho e agora buscava o bônus”, analisa o jornalista.

Sidney Gusman foi um dos homenageados da 5ª ComicCon RS, que aconteceu na Ulbra, em Canoas. Crédito: Cristiano Correa
Mas, para Sidney, essa ferramenta incrível também traz um ônus que ainda vai demorar para ser corrigido: a qualidade de um trabalho. Segundo o jornalista, com a publicação de tanto material através dessa plataforma, acaba saindo muito material ruim também e é só no seu segundo projeto que o artista vai conseguir medir quem realmente é o seu público pois, caso o fã se decepcione com o primeiro, ele nunca irá comprar novamente.

Outro ponto destacado pelo editor-chefe da Mauricio de Sousa Produções é que os artistas também devem cuidar da parte editorial desse trabalho, porque não existe uma editora por trás do projeto. “Atualmente é possível produzir um material que, graficamente, não deve nada a nenhuma editora e os autores tem feito isso. O grande problema é que, quando você faz sozinho, editorialmente ela também não pode ficar devendo nada”, conclui o jornalista.

Depois de tudo isso, o que podemos fazer é esperar e ver a consolidação de uma ferramenta que ajuda na publicação de um material que não passa pelo crivo das grandes editoras. Se ele tem qualidade ou não, quem vai decidir isso é o público que irá ou não acompanhar o futuro do crowdfunding como a nova tendência de publicação de histórias em quadrinhos no Brasil.

Guilherme Wunder